Ponto e VírgulaSubtilezas, abstenções e outras miudezas…
A reunião da Assembleia Municipal do Barreiro para debate das Grandes Opções do Plano não aqueceu, nem arrefeceu, foi morna e que veio confirmar que, afinal, quando se trata de aprofundar o debate sobre o futuro do Barreiro, resta afirmar – “ a oeste nada de novo”.

Por Jornal Rostos
A Reunião da Assembleia Municipal do Barreiro não trouxe nada de novo à vida politica local.
Foi, na verdade, uma reunião marcada por “subtilezas”, “abstenções” e outras miudezas.
Sendo a reunião onde estava em discussão as Grandes Opções do Plano e Orçamento para 2006 e onde, naturalmente são lançadas algumas linhas condutoras para os anos seguintes, de facto esta reunião veio mais uma vez demonstrar que, quem está no poder e tem “pelouros” estrategicamente assumidos, tem mais condições para intervir politicamente, do que não ter pelouros e faz uma “pseudo oposição”.
Esta reunião da Assembleia Municipal demonstrou que quem tem o poder “tem a faca e o queijo” na mão, desde que as forças de oposição funcionem com os “fait divers” ou que entrem na jogada da “agenda política” estruturada tacticamente porque quem está no poder.
O PCP colocou o debate no orçamento. O PS ficou-se por aí. O PSD marcou diferença criticando a perspectiva técnica do dito. O BE esteve ausente do debate.
Tudo aliás se resumiu na abstenção!
PCP/CDU apostar no desgaste do PS
O PCP/CDU manteve a sua acção política, visando dar continuidade à sua estratégia, que aponta no sentido da descredibilização e desgaste do Partido Socialista, tendo como referência, agora já não as “promessas eleitorais de 2001” mas a gestão socialista do município barreirense, passou da avaliação de “ideias” para o comentário de “factos”.
E, na verdade, o PCP/CDU de tal forma estica a corda que já “pretenderá” colocar em discussão na Assembleia Municipal do Barreiro o célebre Relatório do IGAT que, por vezes, é utilizado pelo PS como arma de arremesso contra o PCP/CDU.
Em relação ao BE o PCP/CDU optou por não se trata bem de o “ignorar”. Não, não o ignora, mas trata-o com uma certa “displicência”.
Quanto ao PSD, então, nem se incomoda, nem pretende incomodar-se, até porque é o seu melhor aliado no combate ao PS, quer no plano local, quer para questões de carácter nacional.
O PCP/CDU tem que dar salto em frente
O PCP/CDU segue portanto esse caminho com estas linhas orientadoras : prosseguir o desgaste da imagem dos socialistas; por em prática aquilo que os socialistas adiaram; dar continuidade a tudo o que os socialistas têm no terreno; iniciar passos na construção do próprio projecto; adiar o desenvolvimento de projectos, tendo em vista a recuperação financeira, porque as eleições são em 2009; até lá culpar os socialistas pela herança financeira que legaram na autarquia, assim como a falta de eficácia na resolução de coisas simples.
O PCP/CDU está como o peixe na água. Tem bode expiatório. Tem acções no terreno. Tem maioria absoluta na Assembleia Municipal. Tem atribuídos pelouros a vereadores do PS e PSD, com plena delegação de competências.
Tem uma cidade que, agora, mais do que no passado recente, lhe dá o beneficio da dúvida, até porque ainda se está a curar do “trauma” da gestão socialista.
Tem um filho da terra à frente dos destinos da cidade.
Há um salto que a CDU terá que ganhar, conquistar para o seu lado as classes médias e, essas, pelo que vamos observando em acções culturais, continua na expectativa e a gerir o silêncio.
Nesta Assembleia Municipal do Barreiro de aprovação das Grandes Opções do Plano para 2006, o PCP/CDU esteve bem e, mais uma vez, foi Carlos Humberto quem deu dimensão politica ao discurso do PCP/CDU.
O PCP/CDU para ganhar terreno na cidade tem que, de facto, pouco a pouco, dar um salto em frente e começar a afirmar-se para além da “expectativa” e começar a demonstrar onde está a diferença em relação à gestão socialista.
Na verdade, o “papão do deficit” terá um tempo para ser gerido depois, é preciso caminhar um novo caminho…
PSD conquistar o espaço de charneira
O PSD aposta numa estratégia de equidistância critica o PCP/CDU por apresentar um “orçamento meramente técnico” e que não “tem rupturas com o orçamento anterior”, portanto, sendo solidário com a gestão CDU, ao assumir pelouro, o PSD, simultaneamente demarca-se da sua gestão e daquilo que foi a gestão socialista afirmando que este plano “é continuidade da gestão PS”.
Por outro lado, dá com força no PS, acusando-o de ter legado um débil situação financeira, responsabilizando-o pelo “estado das contas dos últimos anos”.
O PSD procura assim de forma clara, afirmar-se como a força de charneira, que tanto pode estar com o PS, ou com PCP, na gestão da autarquia, mas que, simultaneamente, não concorda com as opções ou modelos desenvolvidos pelas gestões socialistas ou comunistas, mas, para manter a sua postura de equidistância clarifica que dá à actual gestão CDU – “o beneficio da dúvida”.
Portanto, o PSD continua na sua estratégia no sentido de rasgar caminho e procurar criar espaços à esquerda e à direita, num concelho de esquerda, para alargar a sua esfera de influência.
Miguel Amado foi, na Assembleia Municipal o criativo deste discurso estratégico.
PS entre a “alternativa” e a “alternância”
O PS foi empurrado para onde o PCP/CDU quis empurrá-lo ( e utilizando uma linguagem de boxe, mas não querendo ferir algumas consciências mais sensíveis, porque politica não é boxe, nem um jogo de futebol), dizia que, o PS foi empurrado para as cordas, e, pelos vistos, está difícil de sair daí onde continua a ser agredido pelo PCP/CDU.
Ou seja o PCP/CDU lançou o discurso da situação financeira, encostou o PS às cordas, o PS levanta um braço estica o outro e procura defender-se desmontando as meias verdades, mas, a verdade, é que não sai dai para onde foi empurrado.
Mas, por outro lado, foi incapaz de atacar por cima e demonstrar que de facto as ideias estratégicas que estava a implementar tinha sedimento conceptual.
António João Sardinha esteve perfeito no seu frente a frente com Carlos Humberto, chegando nas suas intervenções a dirigir-se directamente ao Presidente da Câmara e “ignorando” a bancada do PCP/CDU, mas ficando-se pelos números e mais números.
Isidro Heitor fez uma análise “técnica” dos números mas faltou ali, o rasgo de asa, de uma reflexão política que separa-se o PS do PCP/CDU.
O PS continua na defensiva e encostado às cordas.
O PS faz lembrar, nos dias de hoje, o PCP/CDU nos tempos a seguir à sua derrota ainda está a gerir a sua derrota eleitoral.
E ainda não recomeçou a reconstruir uma estratégia que o coloque de novo como alternativa, continua a gerir a perspectiva de ser alternância, que é muito diferente e isso, sempre foi, desde há muitos anos, ser alternativa é que demorou a construir e quando lá chegou, queiram ou não queiram os socialistas, arranjem os culpados que quiserem, o facto é que perderam, acima de tudo porque foram no poder, isso e apenas isso, alternância e a alternativa ficou pela “ideias”.
Bloco de Esquerda provou que criticar é fácil
Quanto ao Bloco de Esquerda se na reunião anterior parecia ser uma força politica que vinha trazer para a Assembleia Municipal um discurso renovador e trouxe de facto uma lufada de “ar fresco”, na realidade, nesta reunião o BE, esteve praticamente ausente, lançou para o ar umas criticas de intenções, mas foi incapaz de tomar posição politica sobre as grandes Opções do Plano e Orçamento.
A única exigência que, afinal, pode ser subscrita por qualquer força politica e é uma verdade de “la palice” foi sobre a necessidade de modernização administrativa.
O BE não preparou o trabalho de casa e defraudou perante as expectativas substantivas que o seu discurso criou em reuniões anteriores da Assembleia Municipal do Barreiro.
O Bloco de Esquerda, nesta reunião, demonstrou uma verdade que, afinal, criticar é fácil, difícil é quando se está na esfera do poder afirmar, de facto, as diferenças.
Ranking
Aqui fica o ranking da última reunião da Assembleia Municipal do Barreiro.
1. António João Sardinha/PS
Intervenções marcadas pela “subtileza”, com eficácia e, mais um vez, a tornar-se no centro de conflito do debate entre PS e PCP/CDU, num verdadeiro frente a frente com Carlos Humberto.
2. Miguel Amado/PSD
Com intervenção critica q.b., apontando baterias para os dois campos principais quer para o PS, quer para o PCP/CDU e clarificador do espaço político que o PSD procura conquistar como força de charneira.
3. Rui Ferrugem/PCP-CDU
Procurou colocar nas suas intervenções alguma pedagogia e defender a estratégia do PCP/CDU de manter o PS encostado ao debate da situação financeira. Nesta posição esteve muito bem e deu os golpes que eram necessários.
4. Isidro Heitor/PS
Os números são difíceis e na sua missão de agir de forma re-activa ao discurso do PCP/CDU sobre a situação financeira esteve muito bem, faltou-lhe a dimensão politica, mas isso tem faltado ao PS, mesmo quando estava no poder que, então, contava com Emídio Xavier para dar essa dimensão ao discurso socialista.
5. Humberto Candeias/BE
Desta vez faltou trabalho de casa, limitou-se a afirmar a presença do BE e agitar algumas bandeiras, como a modernização administrativa ou a auditoria de gestão. Marcou o espaço do BE mas apenas ao nível da sua presença naquele órgão político.
6. Eduardo Correia/PSD
Teve uma lição bem estudada na área do TCB’s, foi um “mestre” que “agitou” as consciências.
Procurou agitar os Presidentes de Junta de Freguesia que, agora, sem tempo para intervir, estão cada vez mais remetidos ao silêncio, porque nem uma palavra foi dita sobre descentralização, nem pela positiva, nem pela negativa. Foi preciso Carlos Humberto dar-lhes voz ao seu silêncio. Uma presença positiva de Eduardo Correia.
7. Carla Marina/PCP-CDU
Parece estar reservada para a intervenção na área da macropolítica, trazendo para o debate lacunas das politicas nacionais. Esteve bem, mas tem que ser mais firme e estudar melhor as suas intervenções. Foi, de qualquer forma um momento que agitou os socialistas e Carla Marina colocou-se em confronto directo com António João Sardinha.
8. João Pintassilgo/PS
Muito calmo, sereno e com uma intervenção semi estruturada na área dos transportes, também, de facto, com pouco espaço de manobra.
Mas, quem viu, registou, este é outro João Pintassilgo, e provou-se que para marcar a diferença, bastam palavras serenas.
9. Pedro Gomes
O irreverente. O “lança chamas”, está ali apara atiçar fogo e colocar a bancada PS a arder. Deve ter sido esse o papel que agora lhe está destinado. Picar e tirar os socialistas do sério…
10. Rui Madeira
Trouxe uma ideia “inovadora” os “Planos de desenvolvimento Expressões” que afinal, não é mais que uma exigência de serem repensadas as estratégias do PCP/CDU na área cultural.
Será que foi um discurso que agita as primeiras bandeiras de …rupturas anunciadas?!













