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Inferências

InferênciasAs eleições internas do PS confirmaram a derrota eleitoral dos socialistas nas autárquicas

E agora Luís?! E agora Xavier?

O Partido Socialista elegeu uma nova liderança, e vai começar a “catarse” dos quatro ano no poder.
Emídio Xavier foi derrotado nas autárquicas e agora sofreu a sua segunda derrota, com o PS a desfazer-se dele enquanto “trunfo histórico” e a desbaratar o capital de uma gestão de quatro anos.
Parece contradição mas o PCP foi o grande vencedor, com as eleições internas do PS, porque foi quem mais capitalizou…sem nada ter a ver com o assunto.

10 min de leitura
Inferências As eleições internas do PS confirmaram a derrota eleitoral dos socialistas nas autárquicas

Por Jornal Rostos

As eleições internas no Partido Socialista no concelho do Barreiro, segundo nos referiram alguns históricos daquele partido foram marcadas pela maior participação eleitoral registada desde o 25 de Abril.
Sublinhe-se que, não foi a primeira vez que um processo eleitoral contou com a participação de duas listas.
Mas, dizem-nos que, em processos eleitorais anteriores, praticamente previa-se, de forma antecipada, qual seria a lista vencedora, dada a força de votantes, na Secção do Lavradio, a partir dos anos 80, liderada por Aires de Carvalho.
Estas eleições internas no Partido Socialista no concelho do Barreiro não podem deixar de ser comentadas até porque, na verdade, o Partido Socialista é, actualmente, uma força política de referência no eleitorado barreirense.

Emídio Xavier veículo de “catarse da derrota”

Após quatro anos a liderar os destinos do concelho do Barreiro e tendo sofrido uma derrota eleitoral nas autárquicas o Partido Socialista entrou neste processo eleitoral interno, num processo de “ajuste de contas” com a história recente do partido ao nível local.
Emídio Xavier, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro e Presidente da Comissão Política Concelhia foi, de imediato, nos dias seguintes às eleições transformado por alguns socialistas como o “bode expiatório” da derrota autárquica e exigiram a sua demissão.
A partir desse momento os dados estavam lançados, estava descoberto o “culpado” e todos os outros “protagonistas” da história estavam “purificados”.
Não se escutou uma voz de solidariedade activa de nenhum vereador eleito na Câmara Municipal do Barreiro, ou da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista repudiando a tese do “bode expiatório”, nem sequer assumindo o trabalho da “Câmara socialista” como um projecto exemplar e de referência.
Emídio Xavier não pediu a demissão e, de facto, apenas, obteve um gesto solidário, na noite eleitoral, através de uma posição assumida pela Secção do Lavradio do Partido Socialista.
Mas, rapidamente o que se tornou real é que Emídio Xavier estava “condenado” a ser o veículo de “catarse da derrota”.

Justificar o sentido de voto dos barreirenses

Emídio Xavier era um homem só, com todos os silêncios a deixarem que o “mito” se desfizesse.
O Partido Socialista desbaratou assim, de forma subtil, um dos seus importantes trunfos, porque ao “queimar” o seu líder político e o seu líder autárquico estava, de facto, a justificar de forma positiva o sentido de voto dos barreirenses e legitimar a derrota do trabalho autárquico e, naturalmente, a própria ineficácia do Partido Socialista.
Um Partido que tinha apostado naquele candidato se vivesse de forma intensa o projecto autárquico, com estratégia (e não com ambições de poder), não tinha deixado cair Emídio Xavier.
O PCP não fez nada desta natureza a Carlos Maurício que, aliás, nem era o Presidente da Câmara “derrotado”, mas sim o “candidato derrotado”.
Mas, os factos são os factos e a história recente não pode ser reescrita até porque ainda está bem viva na memória.
Tudo isto prova que o que sustentava Emídio Xavier na Presidência da Comissão Politica Concelhia e como candidato a Presidente da Câmara era o facto de ele puder protagonizar a continuidade do PS no poder, se este facto falhou, então, só restava mudar de página.

Quem perdeu as eleições autárquicas?

Nas eleições internas do Partido Socialista, uma das correntes de pensamento, liderada por Amílcar Romano, veio no processo eleitoral sublinhar que quem perdeu as eleições foi o Partido Socialista (que não se assumiu como retaguarda do trabalho positivo realizado pela Câmara) e não a “Câmara socialista” que fez bom trabalho.
Esta foi, mais uma vez, uma forma de empurrar, as culpas da derrota para Emídio Xavier, muito subtilmente, até porque Emídio Xavier era o líder do Partido.
Mas, esta tese veio, simultaneamente, levantar a ponta do “iceberg” que conduziu os socialistas à derrota ou seja que existiam duas realidades “uma a Câmara gerida pelo PS” outra o “o PS com responsabilidade política de gerir a Câmara”que, pelos vistos, andavam de costas voltadas.
Aliás, isso era algo que era óbvio para quem acompanhava as Assembleias Municipais onde Emídio Xavier tinha que se defender, até por vezes, dos próprios eleitos socialistas.
Portanto, como quem tinha a responsabilidade politica de gerir a Câmara era o PS e, na realidade, os eleitos que lá estavam, estavam eleitos pelo PS, e não eram, ou não deveriam ser eleitos em autogestão, de facto, quem perdeu as eleições foi, em primeiro lugar o PS, em segundo lugar o conjunto dos seus eleitos que foram de novo candidatos.
Os barreirenses, na franja eleitoral que derrotou o PS, optaram pelo regresso do PCP porque retiraram o benefício da dúvida que deram aos socialistas em 2001.
E se analisarmos os números das autárquicas de 2005, até se conclui que para a Câmara o PS obteve mais votação que nas freguesias e, este, quer queiram, quer não queiram, alguns socialistas, foi essencialmente o efeito politico Emídio Xavier ( que alguns diziam na rua, para quem queria ouvir : “É pena estar mal acompanhado”).

A segunda derrota da “Câmara socialista”

Outra corrente de pensamento, liderada por Luís Ferreira, contrariava esta argumentação, recusando transferir as “culpas” da derrota eleitoral nas autárquicas para o Partido Socialista e sublinhando o empenhamento dos militantes e até valorizando o conjunto do trabalho autárquico realizado.
Perante estes dois pontos de vista diferentes e considerando que Luís Ferreira obteve o apoio maioritário dos militantes socialistas, conclui-se portanto que, nas eleições internas do PS, os militantes socialistas, não concordam, maioritariamente, com a tese defendida por Amílcar Romano.
E, neste contexto, se Amílcar Romano defende que a “Câmara socialista” não perdeu as eleições mas sim o “Partido Socialista”, agora, os socialistas ao optarem por Luís Ferreira, infligiram uma derrota às suas teses.
Esta é, portanto, usando o “conceito” de derrota da “Câmara Socialista” ou derrota do “Partido Socialista”, a segunda derrota dos defensores do conceito “Câmara Socialista”.

Que resta agora ao Partido Socialista?

A “Câmara socialista” perdeu as eleições autárquicas com o voto dos barreirenses.
A “Câmara socialista” perdeu agora as eleições internas no Partido Socialista.
Portanto, o resultado final das eleições internas do Partido Socialista são o culminar da estratégia iniciada na noite da derrota eleitoral, ao fazer da “Câmara Socialista” o bode expiatório, começando inicialmente por Emídio Xavier.
O eleitorado barreirense “penalizou” Emídio Xavier.
O eleitorado socialista “penalizou” Amílcar Romano ( e João Soares).
Isto admitindo, para reflexão, os conceitos redutores que “quem perdeu as eleições foi a “retaguarda do PS” e não a “Câmara socialista”.
Está feito o “ajuste de contas” com a história recente.
Os “culpados” estão julgados.
As eleições internas no Partido Socialista marcaram a segunda derrota da liderança de Emídio Xavier e daqueles que com ele protagonizaram a candidatura às autárquicas de 2005.
Afinal Emídio Xavier não caiu sozinho, com ele foram derrotados Amílcar Romano, João Soares e Luís Pedro Cerqueira – “a Câmara socialista”.
A vitória de Luís Ferreira é a derrota da “Câmara socialista”.
Que resta agora ao PS que desbaratou todo este capital politico de quatro anos?
Naturalmente, resta-lhe recomeçar de novo, regressar atrás no tempo e ser capaz de demonstrar que tem condições politicas para voltar a gerir a cidade.

Emídio Xavier num beco sem saída

Terminado o processo eleitoral interno do Partido Socialista, Luís Ferreira é o novo Presidente da Comissão Política Concelhia do Barreiro do Partido Socialista.
Emídio Xavier vai ficar, talvez como diz o outro “a andar por aí”, porque, afinal, foi derrotado nas autárquicas e foi agora derrotado no PS.
Portanto, democraticamente o PS “enterrou” o seu trunfo político Emídio Xavier e acessórios (e a ideia que a sua gestão abriu o caminho para um novo conceito de cidade, está politicamente muito desgastada, ao matar o “pai”).
Emídio Xavier, como Vereador está fragilizado.
É o candidato derrotado nas autárquicas e tem ao seu lado, na vereação, um candidato derrotado nas eleições internas.
Emídio Xavier está num beco sem saída e dificilmente tem força politica para se afirmar perante uma Comissão Politica que resultou de um “ajuste de contas com a história”.
O mais provável é que Sofia Cabral vá começando a preparar-se para assumir as suas funções na vereação.
E mesmo para se protagonizar como um dos candidatáveis nas próximas autárquicas (que é muito pouco provável) nada melhor que uma “travessia no deserto”.
Emídio Xavier foi vítima do “santo sacrifício” dos jogos do poder.

Quem ganhou foi o PCP

Mas neste processo eleitoral interno dos socialistas poderá perguntar-se quem foi o vencedor.
Só há uma resposta para esta pergunta : Foi o PCP/CDU.
Ganhou com a segunda derrota infringida a Emídio Xavier.
Ganhou com a derrota de Amílcar Romano (embora para o PCP, fosse melhor que Amílcar Romano tivesse saído vitorioso).
Ganhou com a “derrota encapotada” de João Soares.
Ganhou com a “instabilidade reinante” que vai continuar no Partido Socialista (esperem pela demora com o regresso do mundo dos blogues, onde será cultivada a “arte de bem insultar”).
Ganhou porque, no PS, já está em marcha a cultura que vai estimular e fazer crescer o ressentimento entre “senhores” e “escravos”, entre os “senhores feudais” e os “servos da gleba”, aliás, esta foi, de facto, a dialéctica que marcou a gestão socialista, e gerou os tais conceitos hoje referidos como “Câmara socialista” e do outro lado o “partido socialista”.
Ganhou porque o PS que se podia enobrecer com as eleições internas e com a sua afirmação como força alternativa na cidade, vai continuar igual a si mesmo, empurrando para fora todos aqueles que não entrem na “linha dos poderes institucionais” ou não assumam uma certa “religiosidade politica” de estar com “deus” ou com o “diabo”.

Uma “derrota psicológica” é fácil de superar

Será Luís Ferreira um Presidente com “pés de barro”? É uma pergunta que fica em aberto e esperamos para ver o que o futuro nos reserva.
Um líder só se afirma se houver “espírito de corpo”, se for desenvolvida uma estratégia de “reforço de identidade” e se o PS deixar de ser uma espécie de “Loja de Conveniências”, um “terreno permanentemente armadilhado” onde as vitórias políticas sejam apenas “vitórias virtuais”.
É verdade que ninguém é santo, mas se é o “botito” que tudo decide, então, na realidade, só há que aceitar que está, para já, tudo, democraticamente decidido, de contrário, volta tudo ao principio onde, como sabemos, e, tal como diz a sabedoria popular : “Deus é bom, mas o diabo também não é má pessoa”.
Porque, contrariamente ao que alguns pensam Amílcar Romano não foi, nem está derrotado, ele, perdeu a Presidência da Comissão Política Concelhia mas ficou com um capital politico forte e, se dúvida, a seguir ao PCP, foi ele quem mais ganhou com as eleições internas do Partido Socialista, porque a partir de agora vai ser o líder dos “ventres ao sol” contra os “senhores da terra” e não vai “andar por aí”, vai estar aí…com uma votação significativa.
Amílcar Romano apenas sofreu uma “derrota psicológica” e isto é fácil de superar, porque a próxima batalha é já a seguir onde ele vai estar ao lado dos “vencedores” e outras batalhas surgirão…porque neste mundo da vida politica “ninguém é santo”.
Luís Ferreira tem a maioria absoluta, será que vai conseguir unir os socialistas?
Será que os socialistas só por si, unidos, são força suficiente para dar credibilidade ao PS na cidade?
Ficamos à espera…

António Sousa Pereira

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