Assembleia MunicipalComentários
Por Jornal Rostos
O lúdico do multimédia
A última reunião da Assembleia Municipal do Barreiro foi marcada pela utilização de meios multimédia pensamos que, talvez, com o objectivo de dar mais força ao conteúdo das intervenções.
Foi uma ideia gira e que, esperamos, no futuro possa ser utilizada com algum conteúdo.
A ideia que fica, ao vermos as imagens que foram projectadas é que, afinal, “a montanha pariu um rato”.
Fica o sentido lúdico e divertido da utilização da ideia, principalmente para a leitura das citações, e, na verdade, fica em aberto posterior aprofundamento, no futuro, na utilização destes meios multimédia com interesse relevante.
Por exemplo, porque não a “Informação do Presidente da Câmara” ser acompanhada da projecção de imagens de algumas das acções referenciadas.
Ou para que sejam apresentadas sugestões de projectos de valorização da cidade.
Era giro ver a oposição a mostrar o estado das instalações de muitas associações e a necessidade de ser debatido a elaboração de uma programa que envolvesse o Poder Central e autarquia, na recuperação, nos próximos dez anos. desses espaços onde, afinal, continua a fomentar-se a educação não formal, com um enorme esforço de voluntariado e cidadania.
Intervenções dos Partido Políticos
PSD criou factos políticos
No ponto antes da ordem do dia, o Partido Social Democrata pareceu-nos o partido mais interessado em gerar factos políticos, pela positiva, ao trazer a debate a questão do Hospital do Barreiro, da Polis e dos grafities e, naturalmente, não ficando à margem das tradicionais saudações ao 25 de Abril e 1º de Maio.
O PSD foi, na verdade, a única força politica que gerou factos políticos na Assembleia Municipal.
O PSD parece ser o partido que está atento aos acontecimentos locais e procura agir e intervir, com intencionalidade politica.
BE a recusa do “cravo ao peito” ?
O BE trouxe para debate a questão do pólo ferroviário do concelho do Barreiro introduzindo uma dimensão de exigência de acção politica, por parte da CMB de assumir um papel de “actor” e não apenas de “espectador exigente” ou reivindicativo.
Uma perspectiva positiva e que, certamente, se a acção politica fosse mais neste sentido, muita coisa seria diferente nesta nossa cidade.
O BE não apresentou moções sobre o 25 de Abril e 1º de Maio, acabou por tomar uma atitude, neste caso, à Cavaco Silva, optando por não colocar “cravo ao peito”.
PCP a “fortaleza ideológica”
O PCP/CDU para além das questões relativas ao pólo ferroviário como matéria de interesse local, trouxe duas matérias de amplitude regional a co-incineração e as Regiões de Turismo.
No conteúdo global estas moções são “armas” de acção politica contra o Poder Central, a velha tese que os maus são sempre os outros.
Embora, nestes casos, de facto tenha total razão, na procura da defesa dos interesses regionais e da comunidade barreirense, coisa que o PS, não faz, porque, assume uma postura de “porta voz” do governo na região.
Por outro lado, procurou com outro conjunto de moções “separar” as águas do ponto de vista ideológico, quer no que diz respeito ao 25 de Abril, ao 1º de Maio, à Constituição da República Portuguesa.
Em todas as moções que apresentou apenas obteve a unanimidade na moção sobre o 25 de Abril e reprovou a moção do PS, sobre o 25 de Abril, contrariando até as posições, definidas em congresso do PCP, que reconheceu os erros e os desvios do modelo soviético que conduziram ao seu desmoronamento ( podendo ter optado por sugerir alterações no texto em vez da recusa liminar da retirada de uma palavra que traduz um facto, indesmentível, e com o qual o PCP, pelo menos, em documentos públicos, já expressou o seu distanciamento).
Enfim, o PCP e a sua habitual “inflexiblidade” ideológica.
Embora, se perceba a posição do PCP que foi, afinal, uma forma de rejeitar a intencionalidade do “purismo ideológico do PS” que já agora, poderia ter acrescentado na sua moção, com mais actualidade, as agressões dos EUA no mundo contra a liberdade e a soberania dos povos, ou, até, o terrorismo “Islâmico”.
Enfim, malhas que o “império ideológico” tece…
PS - Entre a “espada” e a “parede”
O PS trouxe a saudação ao Dia Mundial do Livro, uma data que nunca foi condignamente assinalada na gestão socialista e que pelos vistos agora é apontada com outra perspectiva. Será mais uma autocrítica?
Uma saudação justa e oportuna de pleno reconhecimento ao jovem David Neves.
Depois a saudação do 1º de Maio e 25 de Abril, onde, nesta, sobre o 25 de Abril, se introduz de forma subjectiva as “habituais” criticas ao “papão” do comunismo ( confundindo-se o que é um “sistema”de ideias e de cultura histórica e mundial, com as suas realizações práticas e epocais) e, naturalmente, procurando espicaçar, e conseguindo, empurrar o PCP para a sua “rigidez ideológica”.
Esta é uma vitória do PS, mas é uma vitória “pirronista”.
O PS tem que ser capaz de compreender uma coisa que a história recente já demonstrou, ou seja, que este mundo que vivemos não é o “fim da história”.
O PS faz bem separar as águas entre a “ditadura” e a “liberdade” mas, a liberdade, a liberdade…meu Deus a Liberdade!
Afinal, o sentido desta moção foi de colocar o PCP entre a “espada e a parede” e neste caso, como se viu, o PCP optou pela “parede”… assim como PS e o PSD, também optaram pela “parede” quando se tratou da moção sobre a Constituição.
Mas, já agora, o 25 de Abril foi uma data que esteve acima de tudo isto…
Depois, há muitos “25 de Abril” e seria bom que as futuras gerações não fossem obrigadas a pensar no 25 de Abril, com as leituras que lhe estão subsequentes, mas, na verdade, pensassem e vivessem o 25 de Abril, com aquilo que todos nós herdámos dessa data e que essa data significou isso, apenas isso, a LIBERDADE.
Liberdade de votar a favor ou contra, a liberdade de existirem diferenças ideológicas, a liberdade de criticar, comentar…mesmo que não sejam percebidos os ditos comentários.
O 25 de Abril não é Goulag.
O 25 de Abril não é Auschwitz.
O 25 de Abril não é a Alameda da Fonte Luminosa. O 25 de Abril não é o 25 de Novembro.
O 25 de Abril não é o 11 de Março.
O 25 de Abril não é o 28 de Setembro.
O 25 de Abril é apenas isso o 25 de Abril – a Liberdade.
E seria tão belo e bom que todos déssemos o nosso contributo para que as futuras gerações vivessem o 25 de Abril com esse espírito -Liberdade.
Mas, de facto, há muitas leituras do 25 de Abril…e com estas moções, ou outras de outro género, em que se pretende colocar no 25 de Abril as interpretações d acordo com os “papões” e “opções ideológicas” não estamos a manter vivo o 25 de Abril, estamos a enterrar esse direito à liberdade de viver ABRIL LIVRE!
O PCP e PS têm responsabilidades, histórica de contribuir para manter viva essa chama acesa da LIBERDADE, porque sentiram na pele a perseguição.
Estas moções e divergências não ajudam o 25 de Abril a florir…querem, apenas, dar ao 25 de Abril interpretações ideológicas…e neste caso o PCP agradece.
S. P.













