Ponto e VírgulaO Barreiro e a dita “Feira Pedagógica”
– uma rotina ou um projecto de ligação da Escola à Comunidade?

Por Jornal Rostos
Terminou, este fim-de-semana, mais uma Feira Pedagógica, para uns a 5ª, para outros mais uma, entre outras, que ao longo dos anos foram realizadas.
Há aqueles que quando falam na “Feira Pedagógica” referem este acontecimento como algo “inovador” e, até, sublinham o acontecimento como uma referência da recente gestão do Partido Socialista, um “legado” para o futuro na forma de estar e ser cidade.
Mas, quem percorrer este país, de lés a lés, encontra por quase todos os concelhos, por esta altura do ano lectivo, há muitos anos, iniciativas verosimilhantes a esta, tendo este mesmo nome de “Feira Pedagógica” ou outro qualquer, por vezes mais criativo e, até, por vezes, em cada ano com uma nova forma de o apresentar e com um tema diferente.
Trata-se, afinal, de uma parceria entre a autarquia e a comunidade educativa de forma a divulgar, junto à comunidade, o trabalho que é feito ao longo do ano e aproximar a escola da comunidade, dos pais, das famílias, dos agentes locais.
Esta iniciativa, ao longo dos anos resulta, essencialmente, de uma grande dedicação dos professores, contando com o apoio logístico e técnico da autarquia, era assim, na gestão anterior da CDU ( no acien regime), sem a roupagem de “Feira Pedagógica”, foi assim, na gestão socialista ( no post –acien regime) , com a roupagem de “Feira Pedagógica” e continua, de facto, a ser assim…
Ligação da escola à comunidade.
A ideia que fiquei, mais uma vez este ano, é que este projecto carece de ser repensado, torná-lo mais “interactivo”, ou seja, não se limitar a ser um “ponto de chegada” mas transformar-se num “ponto de partida” – de apresentação de resultados, de balanço e perspectivas para um novo ano lectivo.
Parece-me que a dita “Feira Pedagógica” está a transformar-se numa rotina, numa obrigação e não num projecto vivido e sentido pelos seus intervenientes.
Por outro lado, é de lamentar que actividades, das escolas, que acabam por ser apresentadas à comunidade no decorrer desta semana de actividades, depois “fiquem na gaveta” e não sejam divulgadas, por outros meios, na animação da vida cultural e recreativa da comunidade barreirense, animando os espaços sociais que são as associações do concelho ( dou como exemplo os belos espectáculos de teatro levados à cena no Auditório Municipal Augusto Cabrita, ou as danças hip hop, e outras, o que animaram o palco da dita “Feira Pedagógica”.
Ou seja, estes factos demonstram que a dita “Feira Pedagógica” é uma obrigação e não é fruto de trabalho estruturado que visa a ligação da escola à comunidade.
A dita “Feira Pedagógica” não tem estratégia, é um “arraial das escolas” e nem sequer tem existido a intencionalidade politica de ser um momento de pensar e debater a escola, na perspectiva de desenvolvimento de uma politica comunicacional.
Evitar que se torne uma rotina adiministrativa
È necessário, de facto, sentar à volta de uma mesa, os intervenientes, rediscutir este projecto, de forma a evitar que ele se torne uma rotina adiministrativa, ou uma forma de a autarquia ( através dos seus serviços) “impor” às escolas uma iniciativa que, cada vez mais, lhes é estranha porque resulta de um sentimento – “os outros vão nós também temos que lá estar”.
Uma nota positiva para o Stand da CMB do centro de Educação Ambiental que, na verdade, para além de ter sido um investimento para a dita “Feira Pedagógica” os seus materiais podem ser reutilizados nas Festas do Barreiro, noutras iniciativas concelhias ou nas freguesias e, até, circular de forma programada, no próximo ano lectivo pelas escolas do concelho.
Acrescentar alguma coisa à vida da cidade
A dita “Feira Pedagógica” tem que ser um elemento central de promoção de uma nova “cultura de escola” e de uma estratégia de ligação da escola à comunidade, com mais intervenção da escola e menos “gestão da autarquia”.
As escolas têm que sentir este projecto como algo que lhes pertence e não como uma “obrigação”.
A autarquia tem que dar a este projecto uma dimensão comunicacional, ou seja, um momento de colocar a “escola” como um elemento de referência e central na construção do Barreiro.
Em cada ano a dita “Feira Pedagógica” tem que acrescentar alguma coisa à vida da cidade, de contrário é mais um evento que se junta a outra lista de eventos.
A autarquia, a escola e a comunidade.
De qualquer forma, referir que esta iniciativa, mais uma vez, animou a vida da cidade, deu a conhecer algumas iniciativas das escolas e seus projectos, foi fruto de uma grande dedicação e estão todos de parabéns pela sua realização.
É um projecto que ao ser reivindicado como uma originalidade da gestão socialista, é, de facto um sintoma de menoridade e de desprezo pelo que anteriormente de idêntico era concretizado, pelas escolas, em anteriores gestões comunistas.
Por vezes, começa a enervar ( a quem vive no Barreiro e sente o Barreiro) esta ideia que alguns querem fazer passar que, afinal o Barreiro, começou em 2001…quando, em certas coisas, não foi mais que continuidade da continuidade.
Enfim, talvez a dita “Feira Pedagógica” possa ser um “leit motiv” para se reflectir sobre esta temática da autarquia, a escola e a comunidade.
Um tema que podia animar uma das primeiras reuniões do eventual futuro Conselho Municipal de Educação.
António Sousa Pereira
António Sousa Pereira













