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Inferências

Crónica do Pato BravoUma bomba de pólvora seca

O tema que animou a conversa do pessoal no almoço do Pato Bravo, ontem, no habitual encontro das segundas feiras, foi o célebre jantar, promovido pela Câmara Municipal do Barreiro, com os trabalhadores da autarquia, no âmbito das iniciativas que visam assinalar o Feriado Municipal.

4 min de leitura

Por S.P.

Havia, na verdade, quem interrogasse e salientasse que era uma despesa que devia ser evitada, dadas as dificuldades financeiras da autarquia.
Mas, também havia quem comentasse que, as dificuldades financeiras não são de hoje, sempre existiram e outros, quer em anteriores gestões do PCP, quer na gestão PS, que nunca tiveram problemas em gastar algumas verbas, talvez na dimensão das que vão ser gastas com o jantar ( por exemplo, a colocar outdoors para saudar campeões, ou patrocinar transmissões de finais de basquetebol), a verdade é que, de facto, nunca tiveram uma atenção para os trabalhadores do município.
Se calhar é isto que está a causar perturbações?! O ressentimento?

Motivar os trabalhadores para participar

Houve quem referisse que, numa politica de Recursos Humanos, é importante promover a coesão dos trabalhadores, motivar os trabalhadores para participar, dar força à “alma dos trabalhadores”.
Houve quem recordasse que, por esse país fora, de há muitos anos, em diversos pontos do país, em Câmaras PS, PSD, CD/PP ou PCP/CDU, na realidade, já é uma tradição, nuns casos no Feriado Municipal, noutros pelo Natal, noutros no Dia do Trabalhador – 1º de Maio, que algumas Câmaras promovam este tipo de eventos.
Finalmente chegou ao Barreiro.
E, também houve quem sublinhasse, que o país está em crise, todos os dias pedem para apertar o cinto ao pessoal, mas no dia 10 de Junho, e noutras circunstâncias, todos vamos vendo os “repastos” dos nossos governantes, em recepções e outras coisas mais ( que diga-se ninguém deve criticar e até é injusto criticar, porque faz parte do protocolo e da vida normal de um país, mesmo num país em crise).
Porque, na verdade, o défice não nos tornou miseráveis, nem somos, ainda, um país de refugiados.

É para dar nas vistas…

Houve mesmo quem, no calor da conversa, afirmou, convictamente : “Mas se Carlos Humberto faz isto para dar nas vistas, é importante que assim seja, isto deve ser feito, mesmo, de facto, para dar nas vistas, é para dar nas vistas e só dando nas vistas pode dar resultados”, e, pode sublinhar-se que não era do PCP, era alguém da oposição.
Depois houve quem falasse em “baixa politica” e até quem referisse, mas se a oposição o que tem para criticar é isto “o jantar com os trabalhadores”, ao fim de quase sete meses de mandato – “É porque ou não tem estratégia, ou porque não sabe o que anda fazer na vida politica”.

Um brinde ao jantar dos trabalhadores da autarquia

Houve, também, quem sublinhasse – “Mas, se a CDU está incomodada com isto, é porque se está a deixar enrolar por situações marginais e deve faltar qualquer coisa ao promover este tipo de iniciativas e se calhar falta-lhe também estratégia de Recursos Humanos”.
Houve ainda quem sublinhasse – “Bolas, num tempo em que os funcionários públicos, professores, são os culpados de tudo aquilo que é mal, que aconteceu e acontece neste país, ao menos, na verdade, que haja alguém que reconhece quem contribui, com o seu trabalho, para dar sentido à vida da cidade”.
Por fim, no final, todos os presentes fizeram em conjunto : “Um brinde ao jantar dos trabalhadores da autarquia”.
Sim, houve um comentário curioso, que referiu : “A discussão deste assunto é uma bomba, só que é uma bomba de pólvora seca”.
Mas este jantar dos trabalhadores da autarquia, sem dúvida, que ainda vai dar muito que falar…porque não se percebe o que quer, na verdade, o PS ao criticar o jantar, e, de facto, também não está, muito claro, porque a CDU promove este jantar.
O tempo o dirá.
E esta hem?! Será que Freud explica mesmo isto...?!

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