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Inferências

Carta ao DirectorManifestar tristeza sobre funcionamento do AMAC

Não quero dizer mais nada porque a tristeza faz doer, e a vergonha também, mas o AMAC está a deixar de ser uma sala de espectáculo com todo o seu glamour, para se transformar na sala de teatro da paróquia.

2 min de leitura

Por Jornal Rostos

Exmo Sr. Director

Na senda da liberdade de expressão a que o seu Jornal já nos habituou, venho por este meio manifestar a minha profunda tristeza, pela forma como os espectáculos estão a ser conduzidos no Auditório Augusto Cabrita.
Espectadora assídua, venho desde algum tempo a esta parte, a notar profundas alterações na forma como os espectadores são recebidos naquele espaço.
Recordo, que estes eram sempre conduzidos aos seus lugares, por jovens de trato afável e extremamente correctos, sempre prontos para qualquer explicação, mas inexplicavelmente desapareceram.
Da última vez que ali assisti a uma peça de teatro, fui testemunha deste diálogo que reflecte o que acabo de escrever:

Um casal de idade já um pouco avançada, queixou-se que a sala estava às escuras e não conseguia ver a fila para a qual tinham os bilhetes, resposta pronta " está às escuras? então sente-se que já não há problema". Não resisti e lá meti uma colherada dizendo ao Sr. da resposta pronta, que o problema estava na falta de possibilidade dos Srs. encontrarem a cadeira para se sentarem.

Mas um dos episódios mais lamentaveis ocorreu aquando da realização do concerto de Balalaicas, não houve ninguém a manifestar regozijo pelo facto da pianista da orquestra da Finlândia ser uma jovem Barreirense, provavelmente a maioria dos espectadores desconhecia tal facto.
Para terminar de forma magnífica, o Barreiro que tem tradição de bem receber, não teve um responsável autárquico que oferecesse ao maestro uma lembrança da nossa terra, visto tratar-se dum concerto inserido nas festas da cidade, nem um pequeno ramo de flores.
É caso para perguntar, onde andam os responsáveis pelo pelouro da cultura.
Não quero dizer mais nada porque a tristeza faz doer, e a vergonha também, mas o AMAC está a deixar de ser uma sala de espectáculo com todo o seu glamour, para se transformar na sala de teatro da paróquia.

Maria José Marques

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