Com o olhar nos textos“A dança do fogo” entre a ficção e a realidade
Porque aliás, esse é um dos dramas que atravessa a personagem da obra “A dança de fogo”.

Por António Sousa Pereira
Tenho por hábito, no meu período de férias, juntar um conjunto de livros que levo como companhia, para ler e ocupar os meus tempos livres.
Por outro lado, aproveito sempre para visitar uma livraria, onde percorro com os olhos as estantes e, ao acaso junto a esses livros que me acompanham, mais uma ou outra obra que me desperta a atenção ou curiosidade.
Entre os livros que este ano levei para férias, entre outros, coloquei a obra – “A dança do fogo” – de Vítor Ramalho, a cujo lançamento assisti, no Barreiro, no Restaurante “Casa Velha”, numa iniciativa patrocinada por Aires de Carvalho que, na altura, me apresentou ao autor.
Vítor Ramalho ofereceu-me o seu livro e, de facto, desde 2 de Julho de 2002, por várias vezes comecei a ler o livro, e, também, por várias vezes, adiei a sua leitura.
Pensar onde a ficção se mistura com a realidade.
Nestas férias, a obra de Vítor Ramalho, foi uma das que coloquei na minha bagagem, por duas razões, porque era um dos livros que tinha curiosidade em concluir a sua leitura, e, naturalmente, mais me despertava essa vontade o facto de, recentemente o político Vítor Ramalho ter sido eleito Presidente da Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista.
Encerrei as minhas férias com a leitura de “A dança de fogo”.
E, mal fechei a última página, de imediato me ocorreu ao pensamento, recentes declarações de Vítor Ramalho, ao “Diário de Notícias”, onde o líder distrital dos socialista referia que o PS e o Governo vivem um momento complexo e afirmava que no PS “há debilidade de ideário”.
Porque aliás, esse é um dos dramas que atravessa a personagem da obra “A dança de fogo”.
Dou comigo a pensar onde a ficção se mistura com a realidade.
E, sem dúvida, esta obra de Vítor Ramalho, produz em nós, quando a lemos, uma dúvida constante, se estamos perante a realidade, ou perante a ficção.
Tornar presentes factos reais
A obra de Vítor Ramalho faz, a pessoas da minha geração, recordar momentos vividos, factos que gravámos no pensamento, seja qual for o local de observação ou a leitura que possamos fazer dos mesmos acontecimentos.
E, ontem, quando lia no jornal “Público”, aquela frase : “Neto foi o pai da independência, Savimbi será lembrado como o pai da democracia multipartidária”, a obra “A dança do fogo”, de Vítor Ramalho, caíu-me em cima plena da sua ficção e conflito com o mundo real.
A obra de Vítor Ramalho vale a pena ser lida, pelo facto de tornar presentes factos reais e nos convidar a pensar se esta vida que todos, afinal construímos, não é, sempre uma mistura de real e ficção.
E, por muito que nós procuremos um “refúgio” a vida real está sempre ao nosso lado e dela não pudemos fugir, está presente na memória, está presente no 11 de Setembro, ou na greve da Carris dos anos 60, que, afinal, são sempre acontecimentos que abalam o sistema e empurram a história, ou mudam o sentido da história.
“É o sonho que comanda a vida…”
Duas ou três ideias retirei desta leitura da obra “A dança do fogo” é que na vida, seja qualquer o drama vivido ou partilhado por qualquer “personagem” há valores que são perenes : a amizade, o amor e o valor das ideias.
Por essa razão, aqui deixo um conselho, neste tempo em vésperas de Congresso dos Socialistas, vale a pena ler “A dança do fogo”, pois, entre a ficção e a realidade…há sempre a certeza que o mundo mudou, mas o sonho que : “É o sonho que comanda a vida…”.
Aqui fica pois, uma leitura que aconselho…
A dança do Fogo
Vítor Ramalho
Editorial Noticias
Lisboa
Abril - 2002













