InferênciasDos “factos” e “não factos” políticos à “solidariedade” e “participação”
Facto Político 1 – A Lição de Vítor Ramalho
Por tudo isso, vão seguir-se três apontamentos de reflexão – “A Lição de Vítor Ramalho”; “A Vitória de Bruno Vitorino” e “A Opção de Cidadania de Carlos Humberto”.

Por Jornal Rostos
Não tenho por hábito esconder o que penso, e, por vezes, uns elogiam as minhas reflexões, outras criticam. Há dias…
Nunca me preocupou demasiado o que pensam sobre aquilo que vou opinando, mas, naturalmente, nós sentimos, também que, afinal, as nossas opiniões podem ser um contributo, para estimular o debate de ideias, mesmo nas discordâncias. Sinal das vivências democráticas.
Não pretendo, nem nunca pretendi ser senhor da verdade ( por vezes tenho tido razão antes de tempo, e paguei a factura) mas não abdico de expressar opiniões, mesmo que tal, por vezes, não agrade a quem pretenda cultivar a ideia que é “dono do destino do mundo”, ou mesmo que tal, signifique, algumas, por vezes, lamentáveis difamações e calúnias. Coisa que aprendi a gerir com os “sobressaltos” da vida…e, portanto, sobre essas matérias, na verdade, já estou, de há muito, duplamente vacinado.
Mas, deixando estas notas introdutórias, como mera expressão do direito à indignação…vamos aos factos.
Facto Político Um
A lição de Vítor Ramalho
No Lavradio, na Secção do Partido Socialista, foi inaugurada uma exposição de pintura de Vítor Ramalho, Presidente da Comissão Política Distrital do Partido Socialista, no acto inaugural usou a palavra o Coordenador da Secção, Carlos Mamede, e, Vítor Ramalho, quer como líder distrital, quer como autor das obras expostas.
Na sala estava presente Luís Ferreira, Presidente da Comissão Política Concelhia do Barreiro, nem foi convidado para se aproximar dos prelectores, nem foi feita qualquer referência à sua presença.
Pode parecer algo insignificante, um mero acaso, mas, na verdade, em política não basta parecer, é preciso ser. E todos os sinais são sinais.
Vítor Ramalho, no Lavradio, na sua intervenção salientou que é Presidente da Comissão Política Distrital e sabe, naturalmente, que houve militantes que não lhe deram o seu voto (porque optaram pela candidatura de Amélia Antunes).
No entanto, o líder distrital socialista, salientou que respeita todos os militantes e olha para todos os militantes da mesma forma, porque todos são militantes socialistas, porque na sua opinião, “o socialismo é tolerância e solidariedade”.
Na sua intervenção, Vítor Ramalho salientou que os socialistas se devem “unir na acção, em prol das populações” porque “as quezílias internas só desgastam”.
Sublinhou, ainda, Vítor Ramalho que é preciso que cada militante do Partido Socialista esteja disponível “para o debate de ideias”, seja capaz de “ser livre, tolerante e solidário”.
Acrescentou Vítor Ramalho, a importância de os militantes do PS contribuírem para “reforçar o PS”, mas, sublinhou, que este reforçar, deve ser “um reforço sem subserviência”.
Solidariedade nunca é subserviente
“Solidariedade nunca é subserviente, tem que ser frontal” – salientou na sua intervenção Vítor Ramalho.
O líder socialista voltou de novo a marcar presença no Barreiro, no acto inaugural da sede da Secção dos Trabalhadores das Autarquias Socialistas, e, neste acto, demonstrou de forma simples e simbólica, num gesto solidário que afinal a política faz-se com palavras e com actos e que, afinal, ser solidário é ser frontal e tomar atitudes, no momento próprio…de solidariedade.
Foi convidado Vítor Ramalho a encerrar as intervenções do acto inaugural e verificando, que Luís Ferreira, Presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista do Barreiro ( eleito pela maioria dos militantes socialistas do concelho do Barreiro), estava presente e não tinha sido convidado para usar a palavra, foi, ele próprio que solicitou a Luís Ferreira que, ali, naquele momento, dirigisse algumas palavras aos militantes e convidados presentes naquela cerimónia.
Foi, sem dúvida, uma lição política, uma lição de solidariedade e de respeito por Luís Ferreira e pelos militantes daquele partido que elegeram Luís Ferreira e sabem que ele, é, sem dúvida (enquanto não houver outro acto eleitoral), o líder concelhio do Partido Socialista – dos que votaram nele e dos que não votaram nele (tal como Vítor Ramalho, a nível distrital, ou José Sócrates, no plano nacional).
Fica, pois esta lição política para reflexão dos socialistas barreirenses, e, talvez, uma nota para que os cidadãos barreirenses percebam melhor, quando, por estas bandas, há quem fale na “Sede do PS 3”...para, naturalmente, não referirmos, obviamente, atitudes de nível terceiro mundista, cuja avaliação fica ao critério dos seus protagonistas.
A “ostracização” da liderança socialista
Mas, nestes dois actos, outro acontecimento tem sido registado, ou seja, a presença do Vereador Independente João Soares que, certamente, com esse seu gesto pretende confirmar a sua afirmação: “Demiti-me do Partido Socialista mas não deixo de ser Socialista”.
Mas será que, com este seu gesto está a contribuir para dar força, à sua força moral, ou seja contribuir para que o PS, deixe de ser aquilo que ele afirmou que considera que o PS não deve ser : “A luta de um Partido não pode nem deve ser apenas a luta pela conquista e pelo exercício do poder baseada em cálculos eleitorais oportunistas e, muitas vezes, precipitados, apostando em projectos marcados de puro sectarismo ideológico. Há que ter humildade para reconhecer erros e apostar num pacto de unidade na diversidade.”
Será que um PS que ostraciza o seu líder concelhio, em actos políticos consecutivos, internos, é um PS que quer cultivar um pacto de “unidade na diversidade”?
Mas, naturalmente, o independente João Soares, até tem razões para marcar presença nestes actos porque afinal, a sua demissão do PS foi uma atitude, como afirmou, porque : “Gosto de escolher os caminhos a percorrer, os quais ficaram condicionados com a postura da actual direcção partidária”.
E foi essa razão que o moveu, contra “a vontade e a estratégia maquiavélica de alguns” a sair “pela porta dos fundos”, e, por essa razão, agora, marca presença, nos actos políticos de acções politicas que ele, sabe ( eu sei que ele sabe, e ele sabe que eu sei) que são contra a actual liderança concelhia do PS.
Vítor Ramalho tem razão que a “Solidariedade nunca é subserviente, tem que ser frontal”, assim como, os socialistas se devem “unir na acção, em prol das populações” porque “as quezílias internas só desgastam”.
Seria útil que esta lição fosse “reflectida” e “vivida”.
Como pode o Partido Socialista querer gerir os destinos de uma cidade, onde há diferenças, onde há cidadãos com partido e sem partido, quando, nem internamente, é capaz de respeitar o seu líder ( mesmo que o considerem um líder com pés de barro, mas que, afinal, é aquele que foi eleito pela maioria do chamados “votitos” democráticos)?
Afinal a luta que muitos cidadãos barreirenses e, talvez militantes socialistas, têm se ser capaz de continuar a desenvolver, insere-se na atitude política de João Soares, ou seja, continuarem a assumir o direito político que têm como cidadãos e homens políticos de : “pensar, criticar, agir e combater.”
Porque afinal, como refere João Soares, há uma causa que une os barreirenses na sua diversidade a - “pelo bem estar da Cidade e dos Barreirenses”.
Talvez, por estas suas razões, não se percebe politicamente a sua presença nestes actos políticos que cultivam a “ostracização” e, na verdade, não fora a “lição de Vítor Ramalho”, a anulação da “visibilidade” do líder concelhio socialista era um facto consumado, numa total falta de respeito político por aquilo que João Soares defende, para ele, e, certamente, também para os outros, ou seja que – “Em qualquer boa família deverá haver respeito e, no caso de haver opiniões contraditórias deverá existir o bom senso, de forma a resolverem-se as discordâncias através do diálogo mas nunca pela imposição.”
E, sem dúvida, a lição de Vítor Ramalho foi – “um acto de cidadania e liberdade” – e de solidariedade institucional.













