InferênciasDos “factos” e “não factos” políticos à “solidariedade” e “participação”
Facto Político 3 – A Opção de Cidadania de Carlos Humberto
O conceito político “Opções participadas” é, sem dúvida, uma referência no discurso político local, quer para estar a favor ou contra.
Este é o último dos três apontamentos de reflexão – “A Lição de Vítor Ramalho”; “A Vitória de Bruno Vitorino” e “A Opção de Cidadania de Carlos Humberto”.
Aqui fica como um exemplo, real, de vontade de “fazer política” e “fazer cidade” não olhando para o próprio umbigo, mas querendo (ou desejando) construir a cidade com os cidadãos.
Carlos Humberto é o rosto desta opção política estratégica, na sua forma de estar e ser - cidadão e homem político, com partido.

Por Jornal Rostos
Facto Político Três
A Opção de Cidadania de Carlos Humberto
O “conceito político” definido na ideia em acção - “Opções Participadas” - tem com o princípio, essencial, a promoção de uma política de informação – de contactos, de relações públicas, de ligação à cidade, de proximidade dos cidadãos.
O “conceito-acção” que emerge a partir das “Opções Participadas” permite, sem dúvida, que os cidadãos tenham um espaço de diálogo com os autarcas eleitos, fora das vias institucionais – as sessões de Câmara, as Assembleias Municipais, as reuniões públicas das Juntas de Freguesia ou as Assembleias de Freguesia.
Quando da realização do 1º Ciclo de “Opções
Participadas” que acompanhei, uma a uma, houve uma inquietação política que vivi de forma intensa, ou seja, se aquela iniciativa se iria transformar na realização de um conjunto de “pequenos comícios” partidários, ou seja, espaços onde cidadãos com opiniões contrárias à nova liderança municipal seriam apupados.
Se, numa ou noutra situação, sentiram-se uns rumores, no global o 1º Ciclo de “Opções Participadas” foram espaços vivos, onde os cidadãos, de qualquer opção política, ou sem opção, colocaram os seus pontos de vista, criticaram e sugeriram.
Sentia-se latente, uma vontade enorme e uma grande expectativa perante, aquele facto, que se apresentava como uma nova metodologia de gerir e dialogar com os cidadãos.
Avaliação do 1º Ciclo de “Opções Participadas”
Nunca foi conhecido, de forma clara, um balanço político de avaliação daquele 1º Ciclo de “Opções Participadas”, um balanço que permitisse conhecer, ou teorizar (porque a teoria nasce das práticas humanas), acerca do seu contributo para melhorar, na prática, a gestão autárquica.
Até porque, na realidade, nas “Opções Participadas” não se discutiu nada, se entendermos por discussão o confronto, crítico e criador, entre contrários. Ouviu-se. Repetiu-se a ideia da crise financeira. Proclamou-se uma nova forma de estar e fazer política.
O fantasma do papão comunista
O 1º ciclo de “Opções Participadas” permitiu que os cidadãos partilhassem com os eleitos preocupações e, simultaneamente, o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, marcou a agenda política local, “desmontando” a situação financeira da autarquia e encostando à parede, claramente, o PS, força política derrotada nas autárquicas ( na altura, ainda, preocupado em fazer o enterro político de Emídio Xavier) sem ter capacidade de resposta.
As “Opções Participadas” no seu primeiro ciclo foram, sem dúvida, a referência de uma nova estratégia de acção política da nova gestão PCP/CDU, que deixou sem espaço de manobra quem cultivou o lema – “o que é de todos, por todos deve ser decidido”.
O arranque destes contactos com a população e outras iniciativas semelhantes dirigidas a públicos alvo específicos, que se foram concretizando, foram um caminho para tentar concretizar aquilo que, Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, define como “gestão de proximidade”, mas, simultaneamente foi, e tem sido, um caminho para marcar a agenda política local.
Carlos Humberto capitalizou com as “Opções Participadas” porque quebrou a rotina, tornou-se a figura central da política barreirense e afastou o fantasma da incapacidade de diálogo do “papão comunista”.
Da “adjectivação” para a “substantivação”
Mas será que a participação dos cidadãos de esgota nas “Opções Participadas”?
O PCP/CDU já percebeu que não, que tal é curto, porque as “Opções Participadas” podem, essencialmente servir para “adjectivar”, falar do que está bem, sugerir soluções. Ouvir.
As “Opções Participadas” só por si, não permitem que se faça discussão a sério, servem apenas para justificar o que anda e o que não anda, são oxigénio, mas não são ar que permita que se respire, dando essência à vida política.
Por essa razão, agora, Carlos Humberto veio anunciar a realização de “Semanas Temáticas” no âmbito das quais serão efectuadas abordagens de assuntos de interesse para a vida local e para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.
Duas “Semanas Temáticas” estão anunciadas – uma sobre “Saúde”, outra sobre “Educação”.
Portanto, o PCP/CDU já percebeu e bem que é preciso passar do patamar da “adjectivação” - do ouvir; para o patamar da “substantivação” - do falar.
Ou seja o “discurso político” tem que começar a ter conteúdo de forma a evitar a rotina administrativa e ter sentido, fazendo pensar e viver a cidade.
Vamos ver, no entanto, até onde o PCP/CDU terá capacidade de levar o debate de ideias neste novo desafio de abordagem temática, se consegue, através destas iniciativas motivar e mobilizar os agentes locais.
Para já, Carlos Humberto, pela sua postura dialogante e de permanente contacto com a vida local tem capitalizado a confiança, o conhecimento, e, afirmado a cidadania como um valor, sublinhando que para além, das opções ideológicas de cada cidadão – está a construção comum do Barreiro.
Uma nova cultura de cidadania
Nem o tema da “Saúde”, nem o tema da “Educação” podem, ou devem, ser abordados numa “visão partidária”, o PCP/CDU terá que abrir a discussão e a reflexão numa perspectiva, quer autárquica ( que pode coincidir, ou não, no essencial, com a visão politica de que tem a força política maioritária na autarquia, dado que a autarquia é um órgão colegial) ou numa perspectiva municipal, abrindo à total participação dos agentes que intervêm nessas áreas.
Este vai ser o primeiro grande teste, a sério, da política de “gestão de proximidade” e pode significar um passo no sentido do seu desenvolvimento, ou um retrocesso. Vamos aguardar.
Porque agora, já não se trata de auscultação, trata-se do debate de ideias ( ou deverá tratar) passo necessário para que uma “nova cultura de cidadania” se desenvolva na cidade.
O PCP/CDU tem que entender que há estigmas, nas pessoas e nos agentes locais, resultantes de anos anteriores de gestão.
O Partido e para além do Partido
Carlos Humberto, um homem de partido, que vive para o partido, tem conseguido fazer passar essa mensagem que se pode ter partido e fazer política, pelo partido, para além do partido, na cidade e com a cidade.
Naturalmente que, no PCP/CDU, há formas diferentes de olhar e pensar o conceito “participação”, mas, no essencial, o PCP/CDU está unido e parece, pelo menos nas vivências do quotidiano, enterrou algum radicalismo que marcou os tempos do PREC.
Curiosamente, a “herança intelectual” do “quem não está comigo, está contra mim”, parece emergir, nos dias de hoje, no Barreiro, em sectores políticos que no passado foram vitimas, desse radicalismo acéfalo, e, de tal forma, chegam mesmo a negar o direito à liberdade e individualidade, através da promoção do “culto do anticomunismo primário”, criticando os cidadãos do Barreiro, por terem votado maioritariamente no PCP/CDU, e, parece que quase, negam-lhes esse direito de ter essa opção politica.
Isto, ao mesmo tempo que o PCP/CDU, nomeadamente, Carlos Humberto, afirmam: “a participação dos cidadãos é essencial à democracia como ar que respiramos”.
É difícil o regresso de uma cultura autista
Uma das coisas que tem inquietado os adversários de Carlos Humberto e do PCP/CDU, é, se, de facto, toda esta “opção estratégica”, não é uma mera “opção de cosmética”, que visa lançar uma nuvem de fumo para os olhos dos cidadãos.
Mas, toda esta teoria, na prática perde a validade, porque, na vida real, nas “Opções Participadas”, participam todos de forma livre e democrática.
É, talvez, isto que dói a alguns paladinos da “democracia” verem o PCP/CDU, a tal força sectária e dogmática, a agir e fazer política de forma aberta e com alguma transparência.
Há quem diga, que um dia, “o verniz do PCP/CDU vai estalar”, e será a ressurreição de estigmas. Cá estaremos para ver e comentar.
Penso que é difícil o PCP/CDU voltar atrás, a formas de fazer e viver a política de autoridade pela autoridade.
A autoridade de Carlos Humberto é de quem afirma o valor do “indivíduo” e do “colectivo”, como elementos integrantes de um projecto de construção da cidadania.
É difícil, voltar a atrás a uma “cultura de silêncios” e “autista” quando se cultiva e estimula uma “cultura de participação”.
Na última sessão pública da Câmara Municipal do Barreiro isso teve um reflexo real, vivo, com a tomada de posição pelos habitantes da Quinta dos Abrantes, que, claramente, superou barreiras ideológicas, e, foi a afirmação da “do direito à indignação”, a afirmação da cidadania e o “direito à participação”.
Mas, sem receios, Carlos Humberto, marcou a reunião e o debate, directo, com o fornecimento de informação, em diálogo que agendou com os interessados.
È este Barreiro que se sente a pulsar e a crescer, só não vê, quem, como diz um amigo meu, coloca os desejos acima da realidade, ou faz dos desejos realidade.
Um clima de critica saudável
Realizaram-se duas reuniões do 2º Ciclo das “Opções Participadas” – em Santo António da Charneca e em Coina – e, na verdade, no essencial, estas iniciativas, em pouco diferiram das anteriores sessões. Ouvir. Comentar.
Foram abordados pequenos problemas, preocupações das populações e manteve-se um diálogo com os munícipes aberto e frontal, sentiu-se um clima de “critica saudável”.
A realização das “Opções Participadas” são de facto um engulho, para os cérebros políticos locais que estavam habituados a ver o PCP/CDU viver e fazer política de forma subterrânea e nas caves, sair agora, para a rua e de, olhos nos olhos, falar e conversar, debater os problemas.
As forças políticas que são da oposição, até, poderiam, com alguma pertinência política, em cada uma destas sessões intervir, não ( ou sim, se acham que é esse o caminho para construir a cidade) com a ideia de confrontos politico-partidários, mas, como cidadãos interessados na resolução dos problemas das freguesias, e, então, aí, lançar reptos e criticas, dando um contributo para o desenvolvimento local.
É evidente que a participação do cidadãos não se esgota, nem nunca se esgotará, nas “Opções Participadas” mas, é um facto político que este 2º Ciclo está a decorrer e, portanto, neste nível de debate, só não participa quem não quer, mesmo que o faça “com um sorriso”.
Portanto, mais uma vez, Carlos Humberto está a marcar agenda política da vida local e a demonstrar que faz da “participação” não um slogan, mas um modo de estar e ser político.
Continuar a estratégia da formiguinha
Mas, será que o 2º Ciclo das “Opções Participadas” não vai ser, uma espécie de baralhar as cartas e dar de novo?
Não será continuar meramente “alimentar” a estratégia da formiguinha?
Na verdade, nas duas reuniões realizadas poderia ter existido a preocupação de divulgar alguma “informação” sistematizada sobre o trabalho realizado na freguesia. Notou-se essa ausência.
A participação dos membros da mesa deveria ser mais alargada, até para que os vereadores presentes, não se limitem ao papel de “jarra de decoração”.
De sublinhar, por outro lado, que a realização das “Opções Participadas” não pode ser um meio de evitar, ou anular o debate nos locais próprios – AMB ou CMB – onde devem ser discutidas as politicas, com os eleitos políticos, porque aqueles são os fóruns de excelência da vida politica local.
E, como nota final, saliento que na verdade, Carlos Humberto tem cultivado a “participação” do ouvir, agora, com as “Semanas Temáticas” será o tempo da “participação” do falar, porque, só assim será possível galvanizar a cidade e os cidadãos e deixar para trás aquele sentimento que marcou algumas gerações : “Sim, menino : o crocodilo voa, baixinho mas voa”.













