Queiradas de CintaDão-se vivas à liberdade de imprensa…

Por Jornal Rostos
Senti um ligeiro toque no joelho mas foi o suficiente para ir até às fagáceas. A bola estava do outro lado. O jogo ao rubro. Não percebia bem que futebolice era aquela. Intrigante: 11 jogadores que por estarem juntos, deveriam ser da mesma equipe, vestiam camisolas de cores diferentes. Rosas, laranjas, vermelhas, vermelhas com amarelo, vermelhas com fundo preto… e não sei, não reparei, se havia alguma só preta, para alem da minha.
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A bola está do lado esquerdo, junto à linha dura onde se encontra o campeão do mundo; guarda-a e não a passa a ninguém. Só o cartucho das pipocas, bem agarrado, circula de mão em punho. Na ponta direita, uma camisola laranja bem engomada começa a comer a sopa de agriões e deita água no copo do massagista das alcachofras. Sem ninguém reparar, um jogador de cachimbo arranca a esferográfica da orelha do ex-vereador situado na meia-lua do terreno - uma mesa atoalhada de branco - e escreve no cartão amarelo “eu não jogo. Nas bancadas a agitação de cartazes obriga-me a olhar e ler alguns: “Em Roma sê Romano… MAS SÓ EM ROMA”, “LUÍS, ÉS O MAIOR”, “CARLOS HUMBERTO RESOLVE”. Uma Sardinha salta do canto superior esquerdo e faz-se ao jogo, esticando o pescoço. Enrola-se nas malhas da baliza à guarda de J. Soares, enquanto duas mousses de chocolate são atiradas por uma fã de Alfredo da Silva. Candeias que vai à frente ilumina duas vezes o camarada Bóia e recebe em troca uma medalha de ouro. – Tanto mar, comenta para o lado onde a bola pinga. Mário dribla o adversário ou o amigo – não se distingue – enquanto Padrão faz um gesto de benevolência. O jogo está ainda no princípio mas os assobios ensurdecedores acompanhando uma bota militar que voa por cima duma cabeça estalinista não deixam ouvir as dicas da Carreira 7. Não fosse a falta de comparência de 900 jogadores no último jogo para a Taça Concelhia e os assobios seriam outros!. Entretanto quando alguém grita Karen o jogo, um cabeceador atira umas fichas para o redondel (mesa redonda) e o papel desaparece. Assustado e liso acaba por aceitar uma sopinha de grão-de-bico, lá fora à beira-mar. Era o brasileiro Jardel acabadinho de cair do televisor.E ficou calado.
Enquanto a bola circulava pé ante pé um elemento da mesa grita: - eu quero ser o Sfolari desta coisa. Alguém lhe diz para ter calma que o lugar está ocupado. O dono do estádio atira pela janela um cartaz onde se lia: “Matias para a rua”. Cumprida a exigência, dão-se vivas à liberdade de imprensa. Sousa Pereira, director do SPORT CLUB ROSTOS ONLINE , acaba por entrar na confusão e contrata um pato que coloca na lapela do casaco encimando em letras de oiro: “Sócio fundador”. Levou com uma moeda no sobrolho e foi assistido na cozinha.
Numa entrevista ao próprio jornal confessa saber quem foi o agressor mas perdoa-lhe porque, crente como é, mais uma vez o 13 de Outubro lhe trouxe uma visão.
Na zona Vip, Carlos Bicas, antigo extremo esquerdo e agora a jogar do lado direito, tenta uma ponte de amizade e consegue que lhe seja dada o nome de Ponte Sá Carneiro, por rimar com Barreiro.
O suor escorre dos rostos. Alguém pouco atento, agarra a bola com as mãos dentro da grande área e faz penalti. Como não há árbitro o jogo prossegue.
Depois de umas fotos do acontecimento, ergue-se no local um Padrão comemorativo.
De repente um enorme silêncio percorre o local. Acaba de entrar discretamente no jogo uma dupla de “morte”: Regina Caeiro e Madalena Alves Pereira. A mesa cambaleia e ouve-se um grito estridente: ÁI! Há caneladas por todo o lado mas ninguém se queixa. Perdeu-se o sentido do jogo, comenta um maricas que ía a passar. Nas bancadas o silêncio é ainda maior. Em fila indiana a assistência dirige-se para a cabine de voto demorando três anos a chegar. No grande ecrã um fogo de artificio anuncia o fim do encontro. O ambiente só não é de cortar à faca, carvalhos e sobreiros, porque ninguém quer que os dois jogadores abandonando cabisbaixos o terreno de jogo, sofram ainda mais.
No campo deserto cai uma chuva miudinha. O ar torna-se mais fresco e a brisa que suavemente percorre todo o concelho traz consigo um novo cartaz.
“LUIS FERREIRA RESOLVE”.
P.S.- Numa entrevista ao “DESPORTIVAMENTE”e a propósito do “LUIS FERREIRA RESOLVE” Luís Ferreira afirmou taxativamente. – Bom! Vou resolver o problema e tenho a certeza da vitória. Porque.– acrescentou, contra as legiões sou um IRREDUTÍVEL e não precisarei da poção mágica.
Kira
24 OUTUBRO 2006













