Ponto e VírgulaOs Políticos e os Sindicalistas
- Ou “A Greve” outro grande filme
Na última Reunião Pública da Câmara Municipal do Barreiro, no período de intervenção dos munícipes, um cidadão que assistiu aos trabalhos, colocou diversas questões mas, a mais curiosa foi quando ele perguntou ao Vereador Luís Pedro Cerqueira : “O senhor é sindicalista?”
O que se gostava de ter visto, em políticos da oposição, na verdade, era que, tendo sido aprovada, nesse dia, uma macroestrutura da Câmara Municipal do Barreiro, pelos vistos com a abstenção de três vereadores socialistas, a mesma tivesse sido matéria de reflexão política.

Por António Sousa Pereira
De facto, para quem assistiu ao debate antes da ordem do dia, pela intervenção feita pelo ex-Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Emídio Xavier e, pelo filiado no STAL, Luís Pedro Cerqueira, a sensação que se recolheu das suas intervenções é que estavam ali, na verdade, na qualidade de dirigentes sindicais ou, então, de filiados do PS, inscritos na Secção dos Trabalhadores Socialistas das Autarquias do Barreiro.
Sem dúvida que é legítimo que um político expresse as suas inquietações se, na verdade, numa autarquia, não é garantido quer o “direito greve” quer “o direito ao trabalho”.
E, sem dúvida, neste país, muitos recordarão, os dias do PREC, durante o qual foram cometidos excessos (tantos excessos, de tantas cores feitas!).
E, afinal, prestados os esclarecimentos a todas as dúvidas colocada, a montanha pariu um rato.
Foram “fait divers”. Angústias. Fantasmas.
E o “carro 47”! Ai os carros, senhor, os carros..!!
E, claro, naturalmente, veio à baila, como seria de esperar a referência ao dia da “Policia de Intervenção”, à porta dos Paços do Concelho, no decorrer da gestão socialista.
Nem havia nexexidade! Mas, como diz o ditado, que com ferro mata, com ferro morre.
E, até, houve quem comentasse, nos bastidores – “Ele já esqueceu quando mandou mudar a chave do Gabinete e retirou funções por delito de opinião”.
Mas, nem sequer é isto que importa.
Esta conversa da greve e do direito ao trabalho, faz parte de conversa da treta.
É aquele velho hábito de pensar o mundo a preto e branco, com muros.
E, até parece que não se percebe que os muros caíram nos anos 90.
Hoje, há diferenças. Formas diferentes e legitimas de pensar a vida e o sentido do mundo.
Acontece é que por vezes, hoje, fica-se com a sensação que os que outrora lutavam contra o “pensamento único”, parece que hoje pretendem cultivar o “pensamento único”.
E, por outro lado, aqueles que eram acusados do “pensamento único” cultivam com serenidade o direito à diferença.
Será que o PS está a sofrer aquela doença que o PCP/CDU sofreu após a derrota eleitoral, ou seja, não percebeu que quem conquistou a Presidência da Câmara foi o PCP/CDU?
O que se gostava de ter visto, em políticos da oposição, na verdade, era que, tendo sido aprovada, nesse dia, uma macroestrutura da Câmara Municipal do Barreiro, pelos vistos com a abstenção de três vereadores socialistas, então, nesta reunião, fosse escutada uma opinião politica sobre o sentido desta reestruturação dos serviços municipais.
E, que, preto no branco, Emídio Xavier divulgasse as preocupações expressas em conferência de imprensa, onde foi afirmado que o PS teme que a “reestruturação dos serviços da autarquia tenha como objectivo terminar processos de saneamento”.
De facto, se esta afirmação tem algum contexto de real, os trabalhadores do município devem estar preocupados e os Políticos do PS deveriam ser os primeiros a tomar posição, sendo o melhor lugar, a reunião Pública de Câmara, no dia em que a dita reestruturação foi aprovada.
Mas, se calhar nada há para dizer, porque quem andou quatro anos a falar em reestruturação e não a concretizou, é, natural que, agora, opte pelo silêncio.
A abstenção, por vezes é isso, uma forma se engolir o sapo.
Vamos ver como vai ser o debate na Assembleia Municipal do Barreiro, no próximo dia 28 de Novembro, se vai ser discutida a macro estrutura, ou se vai ser feito um “auto de fé” politico-ideológico.
Portanto, a ideia que se ficou é que a discussão em torno da greve não passou de uma “manobra de diversão”, um desviar o olhar para o lado e…em vez de se discutir o essencial, desviou-se a atenção para o acessório.
Já agora, de registar foi interessante ver aquele “namoro” entre Emídio Xavier e Bruno Vitorino.
Emídio Xavier, por duas vezes a expressar a sua concordância com o autarca do PSD.
Bruno Vitorino a expressar que embora raramente estivesse de acordo com Emídio Xavier, também ele estava de acordo com o “direito à greve” e com o “direito ao trabalho”.
Pronto, mas o caldo ficou entornado, quando da moção sobre o PIDDAC.
Referindo Emídio Xavier que Bruno Vitorino podia começar a subscrever as propostas em conjunto com a CDU.
E Bruno Vitorino a esclarecer que não tem desses “traumas” e que estará sempre com a CDU, desde que seja para defender os interesses do Barreiro.
António Sousa Pereira













