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Inferências

QUEIRADAS DE CINTAAbaixo o Pai Natal 2006. Ô!!! Ô!!! Ô!!!
Por Kira

Por volta das 7 da manhã, estava tudo em ordem. O Pai Natal completamente estoirado, ainda teve forças para me dar, adiantada, a minha prenda. Pelo volume não era um par de meias.
Um sorriso de satisfação e alívio foi o tempo suficiente para o deixar de ver, e ouvir as suas últimas palavras: - Abre isso só na noite da consoada, anh? Ô Ô Ô . E lá se foi.

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QUEIRADAS DE CINTA Abaixo o Pai Natal 2006. Ô!!! Ô!!! Ô!!! Por Kira

Por Jornal Rostos

Chocou-me mais… do que se encontrasse a Zita Seabra a beijar o Eng.º Sócrates. Ou até a Odete Santos. Palavra!
Vou até ao Pinhal de Coina (sacar um raminho de pinheiro para a árvore de Natal) e o que é que eu vejo? Pasme-se. No Pinhal de Coina, ali junto aquelas meninas que estão de guarda aos fogos florestais o ano todo, quem é que eu encontro numa de descontracção, embora com ar cansado? O Pai Natal. Ele mesmo em carne e osso. Não me digam, por amor ao Menino Jesus, que não ficariam intrigados como eu?
Confiante no “ tu cá tu lá” com o senhor Pai Natal fui direito a ele e, como bom cristão, perguntei-lhe: -é Pá Natal, o que procuras por estas bandas? Árvores de Natal? O velho manhoso, como sempre foi para mim, endireitou os óculos e começou com a lenga-lenga do Ô Ô Ô Ô…-Ô!!! Ô!!! Ô!!! O caraças, respondi-lhe. – Vem cá, meu ladrãozinho de pinheirinhos. Deixa lá a mini-saia da moça e escuta-me. Obedeci, como bom consumidor de Coca-cola, na esperança de, pelo menos este ano, o tipo abrir os cordões à bolsa e não me voltar a dar o sempre eterno par de meias. Quero dizer-lhes que desde que me sei gente, aquele safado nunca me brindou com outra coisa. Puxou-me pelo braço e com o dedinho espetado virou-me o queixo para ele, ficando eu sem as vistas das guardas florestais.
- Ainda bem que me apareces. Preciso da tua ajuda. Há aqui muito trabalho. E num aparte: - até parece que não estamos em Portugal, Ô Ô Ô !!! - Este ano tem sido um inferno, que Deus me perdoe. Cá o Pai Natal descobriu aquele armazém ao fundo e é ali que estão guardadas umas coisas. Tu vais ajudar, não vais? Pareceu-me um convite à moda de Bin Laden para entrar numa madrassa.
- Sim. O que queres que faça? – Entra, resmungou doce.
O armazém parecia-se com a Assembleia da Republica: só prendas! As embalagens ao lado, as etiquetas junto, os nomes já colocados. – Afinal, Pá Natal, do que precisas? -
Ô!!! Ô!!! Ô!!!, pouca coisa! Vais metendo as prendinhas nas embalagens, fecha-las e colocas-lhes um lacinho, conferindo pela lista. O resto é comigo.

Por volta das 7 da manhã, estava tudo em ordem. O Pai Natal completamente estoirado, ainda teve forças para me dar, adiantada, a minha prenda. Pelo volume não era um par de meias.
Um sorriso de satisfação e alívio foi o tempo suficiente para o deixar de ver, e ouvir as suas últimas palavras: - Abre isso só na noite da consoada, anh? Ô Ô Ô . E lá se foi.
Por milagre ou por truques que só o Luís de Matos conhece, o velhote desapareceu por detrás da lua, dentro dum disco azulado com estrelinhas a apagar e a acender (25 pareceu-me) e em destaque as palavras: “Pai Natal 2006 subsidiado pela Comunidade Europeia.”
Com a prenda às costas fui até ao carro, guardando no bolso a lista de conferencia que ousara trazer e onde constam alguns nomes que conhecemos. E aqui está o meu grande pecado: vou ser delator e contar a toda a gente, amiga principalmente, o que irão receber do velho Pai Natal, lá pela meia-noite do dia 24. Para ser breve e não me perder em comentários a favor ou contra o critério utilizado pelo senhor de vermelho, denunciarei apenas alguns nomes e as respectivas prendas que tive o prazer de ajudar a embalar e mais uma ou outra boca entre dentes que ouvi ao velho. Se o velho não baralhar as coisas será assim: o Advogado Fagundes vai ter, no sapatinho, uma carta do PS e uma embalagem de Centrum Forte, obrigando-o a voltar à política. O Matias, Vereador, receberá uma velha pretensão carimbada a vermelho onde se lê: NEM PENSES NISSO! Luís Tavares, administrador da Quimiparque terá a promessa duma empresa em grande, com a ajuda do euro-milhões disfarçado de Cidade do Cinema. Gouveia, médico do Centro de Saúde do Barreiro, tirará do sapatinho, assinado pelo Sócrates 1º ministro, um decreto-lei com o Serviço Nacional de Saúde que sempre sonhou. França Pereira, da Tranquipor, dará pulos de contente ao desfraldar uma grande Vela com a qual ficará habilitado a inaugurar a chama Olímpica em Pequim. Glória Bastos terá no sapatinho uma viagem à Índia, na fragata “Pestarola”. Luís Cerqueira, da Refer, e também Vereador, desembrulhará uma varinha mágica à Harry Potter e um nariz suplente passando a ser senhor de dois narizes. Eduardo Cabrita, criador da lei das finanças locais, desembrulhará um subsídio do amigo Stanley Ho. João Soares terá que deixar a Casa dos Bons Rapazes e voltar ao PS segundo vi escrito na braçadeira que vai receber, com os desejos de feliz regresso à Protecção Civil. Pinto Ângelo, Rotary da Moita,
abrirá a cartinha do papá Noel onde se lê: não receba, dê. Mário Durval surpreender-se-á com as centenas de cassetes piratas repetindo a grande frase:”participação, sem participação não há democracia”. Bruno Vitorino, Vereador, um bote para subir o Coina. Emídio Xavier, um DVD com o filme “O Regresso ao Futuro”. Pedro Canário, um cartoon de kira. Hélder Madeira um fio-de-prumo. Mendes Costa: uma fim-de-semana no Iraque quando do enforcamento de Saddam Hussein. Madalena Alves Pereira um gatinho chamado Bernardo. Padre Zé, da Igreja Senhora do Rosário, uma viola igualzinha à do Padre Fanhais. Regina Janeiro, Vereadora, uma viagem a Cuba em data a determinar. Manuela Fonseca, jornalista, um guarda-abílio e uma placa “F.C.Porto reconhecido”. José Augusto, futebolista, o livro “As conquistas de Napoleão”. Armando Soares, matador de toiros, um DVD com o filme “O 5º Mandamento”. Carlos Bóia, campeão do Mundo de vela, passaporte com visto autorizando o seu regresso aos EUA. Júlio Freire, Provedor da Misericórdia: terá na árvore de Natal uma cruz de esferovite (mais leve que a que carrega neste momento à frente da Santa Casa). Pedro Estadão, um Missal para consultar os Breviários. Sofia Martins, Vereadora, um milhão de rolhas de cortiça para tapar os buracos existentes na ruas do Barreiro. Nuno Banza, um fim de semana na Serra de Malcata, a convite da família Fagáceas. Carlos Duarte, o “Livro do Desassossego”. Amílcar Romano, um verdadeiro Rolex (relógio fidelíssimo que não adianta nem atrasa). Carlos Dantas, do CDS, viagem ao Chile para uma visita a Pinochet. Humberto Candeias terá no sapatinho uma pulseira electrónica. Miguel de Sousa, director do Jornal do Barreiro, o livro de Manuel Figueira “Na minha peugada”. Sousa Pereira, director do Jornal Rostos, um Lápis Azul. Marcelo Moniz, da Misericórdia, uma Grã-Cruz da Ordem de São Júlio. Luís Ferreira, do PS, terá que levantar na Farmácia mais próxima uma caixa de CONTROL. Por insistência da namorada, Carlos Cabral terá que recusar o convite de Coppola para 1º galã do filme estreante da Cidade do Cinema “Vem aos meus braços”. Luciano Barata e Graciano Simões, encenadores de renome, receberão cada um, um Teatro de Bolso, Tininho, comerciante, segundo indicações ferozes do Pai Natal, será obrigado a usar as calças de fazenda que tem no seu sapatinho, durante um ano, pelo menos, Instituições como Bombeiros, ArteEsfera, Coro da UTIB e PSP, serão contemplados com jogos de paciência. Carlos Humberto, presidente da Câmara, só poderá abrir a sua Caixa de Pandora daqui por 3 anos.
A título de curiosidade: já abri o caixote que recebi do velhadas do Pinhal de Coina? Desta vez não foi um par de meias não. Foram 12 dúzias de pares de meias brancas, timbradas com uma raquete azul. Coisa rara e muito original.
O meu veemente protesto junta-se assim ao vosso. Firmes e hirtos gritemos bem alto: Abaixo o Pai Natal 2006. Ô!!! Ô!!! Ô!!!

Kira
Dezembro 2006

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