InferênciasVida Politica no Barreiro
Um breve olhar sobre o ano 2006
Alguns sinais já começam a surgir no quotidiano…isto promete!
Aqui ficam um conjunto de “notas soltas” de reflexão sobre o ano 2006.

Por António Sousa Pereira
No ano 2006 foi assinalado o primeiro ano de gestão PCP/CDU, uma gestão que não contou, tal como Emídio Xavier ou Pedro Canário, no primeiro ano e no mandato, com os milhões de contos ou euros de empréstimos e, por esta razão, entre outras, debateu-se com uma difícil situação financeira.
O PCP/CDU, tal como o PS, tem desenvolvido uma boa estratégia de “marketing político” ( recorde-se que o PS foi um grande perito e até pensava ganhar as eleições com marketing).
Mas, na verdade, o PCP/CDU, conseguiu inovar, promovendo o projecto das “Opções Participadas”, que, não sendo o perfeito em termos de envolvimento dos cidadãos, abriu espaços de encontros regulares do executivo com os cidadãos.
E, desta forma, tenta, dar corpo à ideia que os cidadãos podem dar um contributo para melhorar a gestão da cidade.
O PCP/CDU, no que diz respeito a obras, deu continuidade ao que estava no terreno, essencialmente o POLIS ( aliás, tal como aconteceu com a gestão socialista, que deu continuidade às obras que tinha sido lançadas pelo PCP/CDU, caso do AMAC, Centro Comunitário do Lavradio, Mercado de Santo André, entre outras).
O PCP/CDU deu passos positivos na reestruturação dos serviços municipais ( objectivo que o PS não concretizou em quatro anos) desenvolveu o “Protocolo” de descentralização para as Juntas de Freguesia ( outro objectivo que o PS não conseguiu concretizar).
Há, na verdade, quem fale que a reestruturação visa dar lugares a quadros.
Tal, a confirmar-se, não haverá grande diferença da gestão do PS, que mesmo sem reestruturação, lá colocou os seus quadros nos lugares e afastou, discretamente quem não “servia”.
Há algumas notas, referenciadas, que podem perspectivar medidas estruturantes de planeamento da cidade – FORUM, Quimiparque – vamos aguardar o desenvolvimento dos processos.
A realidade da vida politica local, nos tempos de hoje, é, sem dúvida, muito diferente, é que, outrora, quando se criticava a gestão municipal, só existia para avaliar a gestão do PCP/CDU, hoje, as coisas “piam” de forma diferente, é que já podemos comparar as gestões do PCP/CDU com a gestão PS.
O PS que foi a força politica que trouxe para muitos barreirenses um sonho de mudança, a esperança de implementação de uma cultura politica diferente, não pode, por muito que grite e comente, dar muitos exemplos que demonstrem que fomentou essa mudança.
O seu melhor contributo foi na área de planeamento de uma ideia de cidade, no lançar o debate sobre o desenvolvimento estratégico do concelho, o pensar o Barreiro 2020.
No entanto, durante quatro anos, em algumas áreas, o PS, em nada diferiu do PCP/CDU e, até, por vezes, aprofundou situações de “controle da vida da cidade” e de tentativas de silenciamento de quem discordava da nova “força dominante”.
Uma coisa trouxe a nova gestão comunista à vida politica local.
A Câmara tem uma liderança.
Existe um partido político que apoia essa gestão, que, até ao momento, não é o principal adversário da própria gestão autárquica ( como aconteceu com a gestão socialista).
Carlos Humberto, tal como conseguiu Emídio Xavier ( no primeiro ano do mandato), conta com o beneficio da dúvida e mantém uma estreita relação com os agentes da cidade).
O PS, não tendo pelouros, não pode apresentar trabalho e, normalmente, nas posições politicas que assume, por vezes, até parece que não esteve à frente da gestão da autarquia no mandato anterior.
O PSD assume protagonismo na vida da cidade, mantém a distância politica em relação ao PCP/CDU, mas realiza trabalho político na autarquia.
O PSD continua a ser uma força política que procura intervir na vida politica local, mais com actos do que com palavras.
João Soares, independente, desenvolve trabalho, e, de facto, não tendo apoio partidário, está a gerir uma situação que, o tempo é que vai determinar, no próprio contexto do PS, em que estratégia se insere, ou se é um acto isolado de afirmação da cidadania.
Ao nível da vida politica local, o Bloco de Esquerda, que se afirmava como uma força politica com alguma autonomia na avaliação da vida politica local, e, lançava alguns reptos, no decorrer da gestão socialista, parece que deixou de ser uma partido com causas e está a transformar-se numa força que tem “ressentimento” em relação ao PCP/CDU e convive com alguma simpatia com o PS.
De tal forma que, Carlos Humberto, chegou a comentar – “espero que BE não caía nos braços do PS”.
O PS continua na procura da sua unidade interna, uma missão impossível. Há vários PS’s.
A vida interna do Partido Socialista, no ano 2006, foi marcada pelas eleições internas que conduziram à vitória de Luís Ferreira.
Amílcar Romano derrotado nas urnas, nunca aceitou, essa derrota.
O PS parece dividido entre uma luta contra o PCP/CDU assente no anticomunismo primário e a incapacidade de valorizar o trabalho que realizou na autarquia, ou de apresentar o seu projecto para a cidade.
O PCP/CDU, afinal, até carecia que o PS, não tendo pelouros, fosse uma oposição, forte e credível, porque com isso o Barreiro iria beneficiar, porque exigia do PCP/CDU, uma redobrada atenção na sua acção politica.
Assim, ao PCP/CDU quase que lhe basta ir gerindo...porque o PS ( que quer ser alternativa, quase nem consegue se afirmar como alternância, quanto mais como alternativa), e, vai, tratando de si próprio.
Enfim, chegamos ao final do ano 2006…com uma vida política local, agitada, em ebulição, com um caldo de confrontos anunciados.
Alguns sinais já começam a surgir no quotidiano…isto promete!
BOM ANO 2007. Sejam felizes !













