“Dez anos depois...”Por Paulo Calhau
A fazer fé na investigação do autor, coisa grande e muito séria!
A corrupção activa e passiva de árbitros ― por valores monetários que me surpreenderam pela sua grandeza.
A manipulação de resultados ― decisiva para a obtenção de títulos, fugas à despromoção / subidas de escalão.
A chantagem ― envolvendo os mais diversos agentes da modalidade.
O tráfico de influências ― na arbitragem, no dirigismo associativo e federativo, nos jornais.

Por Jornal Rostos
Abril de 1996: a editora Terramar dá à estampa a 1ª edição de “Golpe de Estádio”, autoria do jornalista Marinho Neves.
Não recordo com a devida nitidez o impacto que a obra teve à época, mas é do domínio público que o jornalista pagou, de forma diversa, a coragem da investigação então publicada.
Janeiro de 2007: agora que o país volta a acreditar no desenrolar eficaz e consequente do processo Apito Dourado ― leia-se provável julgamento e eventual condenação dos mais destacados obreiros da corrupção desportiva no futebol português ― surge mais uma edição, com um texto que reproduz na íntegra a publicação inaugural.
A esse propósito, Marinho Neves, explica na página inaugural, e em jeito de explicação, que “se escrevesse este livro em 2006 e não em 1996, creio que não mudaria uma vírgula, porque tudo está exactamente na mesma”.
O que está então imutável no futebol português?
A fazer fé na investigação do autor, coisa grande e muito séria!
A corrupção activa e passiva de árbitros ― por valores monetários que me surpreenderam pela sua grandeza.
A manipulação de resultados ― decisiva para a obtenção de títulos, fugas à despromoção / subidas de escalão.
A chantagem ― envolvendo os mais diversos agentes da modalidade.
O tráfico de influências ― na arbitragem, no dirigismo associativo e federativo, nos jornais.
A lavagem de dinheiro ― pelo mundo da droga, do jogo, da prostituição e tráfico de mulheres.
A “organização” que Marinho Neves pretende desmascarar tem cor e tem rostos.
Tem estratégia, cumplicidades, dependências.
E, já agora, resultados...
Na contracapa pode ler-se que “é certo que neste livro, tudo é ficção... mas ao mesmo tempo, tudo é verdade”.
João Seminário, Tony Balboa, Zé Chapeiro, Albano Pinto, Carlos Fortes, José Vigário, Quim Pereira e alguns outros, são personagens que nos sugerem e recordam, com extrema facilidade e invulgar nitidez, alguns dos protagonistas mais tenebrosos do mundo bafiento e mafioso do nosso futebol.
“Golpe de Estádio” lê-se de um só fôlego.
Não é um exemplo de escrita talentosa.
Mas é um contributo sério e indispensável!
Para a limpeza das ervas daninhas.
Para a erradicação dos corruptos.
Para a reposição da verdade desportiva.
Para a dignificação do futebol.
Obrigado, Marinho Neves!
Coragem, Maria José Morgado!
Paulo Calhau
BICOdePENA, 07 de Fevereiro de 2007
(paulocalhau@netcabo.pt)













