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Inferências

Notas de um Domingo, em fim de tarde…Por Paulo Calhau

Acabo de regressar do Pinhal Novo, onde o Barreirense comprometeu ― espero que de forma ainda remediável ― a permanência na 2ª divisão (3º escalão do futebol indígena).

É um aspecto que, recorrentemente, surge destacado (pela positiva) neste tipo de personagens ― mediáticos e materialmente bem sucedidos.
São os designados “workaholics”.
Paradigma de um capitalismo feroz e de um modelo societário extremamente exigente e muitas vezes patológico
Não os invejo.
Aspiro por um mundo outro (expressão tão cara a Eduardo Prado Coelho, cujo restabelecimento clínico e regresso às páginas do Público desejo ardentemente).

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Notas de um Domingo, em fim de tarde… Por Paulo Calhau

Por Jornal Rostos

O 50º aniversário da RTP foi solenemente celebrado na semana que agora finda.
Caras bonitas, celebridades várias, personagens imensas, foram alvo de câmaras e flashes, desfilaram roupagens mais ou menos modernas, foram protagonistas de um colorido e alegre espectáculo mediático ― matéria que o país parece capaz de assumir com alguma modernidade e competência.
Aplaudo ― naturalmente e com total sinceridade ― o papel que a RTP desempenhou em alguns momentos marcantes da história portuguesa e mundial.

O fantástico Portugal-Coreia do Mundial de Inglaterra (23 de Julho de 1966), a deslumbrante aterragem lunar da Apolo 11 no Mar da Tranquilidade com Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins (20 de Julho de 1969), o saudoso, corajoso e revolucionário Zip Zip de Carlos Cruz, Fialho Gouveia e Raul Solnado, os dias que se seguiram e abraçaram o 25 de Abril de 1974, são algumas das memórias que jamais esquecerei.

Mas, para além de celebrações e saudosismos, importa analisar ― com seriedade e sem tabus ― o papel da RTP no actual contexto da sociedade portuguesa.

E perguntar:
- a RTP justifica o brutal investimento de muitos milhões de euros que o Governo anualmente lhe confere?
- a RTP presta serviço público qualitativa e quantitativamente superior ao das estações privadas suas concorrentes?
- depois da privatização dos jornais e da permissão de TV privada (aspectos em que a esquerda portuguesa foi tão lamentavelmente retardada e atávica), será que ainda é admissível ou defensável a existência de dois canais públicos de televisão?
Três perguntas para as quais, a minha resposta é clara e frontal: Não!

Ivan Safronov. Anna Politkovskaia. Alexander Litvinenko.
Que têm estes três nomes em comum?
O facto de constituíram cidadãos russos que pagaram com a vida, a ousadia de desmontar e divulgar a face mais negra do actual regime de Putin ― corrupção, abuso de direitos humanos e tráfico de armas.
Depois (e apesar) da Glasnost e da Perestroika de Mikhail Gorbachev (1985 – 1991), do (quase sempre) etilizado Boris Yeltsin (1991 - 1999), os mandatos de Putin (2000 - ….???) continuam a patrocinar perseguições e mortes de cidadãos russos ― e agora parece mesmo que de críticos de outras latitudes ― e reproduzem os crimes do comunismo soviético e dos outros comunismos, cujas sequelas e cultura totalitárias persistem e… resistem.

Esta semana, e curiosamente na mesma fonte ― Revista Sábado, Nº 149, 8 a 14 de Março de 2007 ― tive a oportunidade de ler com algum interesse três peças jornalísticas: “Um Destaque: Ricardo Salgado” (líder do BES), “Uma Entrevista: Marissa Mayer” (vice-presidente do Google) e “Um perfil Íntimo: Nuno Santos” (director de programas da RTP).
Para além das particularidades inerentes à actividade profissional de cada uma das referidas personalidades, ressalta um aspecto que os caracteriza e, digamos que os une e identifica: a brutal carga horária que diariamente dedicam às suas tarefas empresariais.

É um aspecto que, recorrentemente, surge destacado (pela positiva) neste tipo de personagens ― mediáticos e materialmente bem sucedidos.
São os designados “workaholics”.
Paradigma de um capitalismo feroz e de um modelo societário extremamente exigente e muitas vezes patológico
Não os invejo.
Aspiro por um mundo outro (expressão tão cara a Eduardo Prado Coelho, cujo restabelecimento clínico e regresso às páginas do Público desejo ardentemente).

Acabo de regressar do Pinhal Novo, onde o Barreirense comprometeu ― espero que de forma ainda remediável ― a permanência na 2ª divisão (3º escalão do futebol indígena).
Escassos 200 espectadores presenciaram um jogo muito fraco, onde o Barreirense não efectuou qualquer remate dirigido à baliza ao longo de toda a 1ª parte!
Ligeira melhoria no tempo complementar, mas 2º penalty e consequente golo, sofridos no dealbar da partida, sentenciaram a vontade ― e a necessidade ― de o Barreirense regressar à nossa cidade com ponto(s) no seu escasso e insuficiente pecúlio.
Jogo de escassíssima qualidade, com poucos adeptos barreirenses a apoiar uma equipa muito débil e pouco ambiciosa.

Hoje é dia de Gato Fedorento.
Ou, com mais propriedade, noite de Gato Fedorento.
Tiago Dores, Miguel Góis, Ricardo de Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela, são quatro jovens de invulgar talento e superior inteligência.
Protagonistas de um difícil ― mas quase sempre bem conseguido ― programa de humor, que nas noites de domingo, recria de forma hábil e criativa, as peripécias político-sociais da semana.

Nos prepara e predispõe para o trabalho que nos espreita poucas horas depois.
E que hoje, me ajudará a esquecer as vicissitudes do fim-de-semana desportivo do “meu” Barreirense.

Paulo Calhau
(paulocalhau@netcabo.pt)

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