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Inferências

Companhia Arte Viva – Barreiro“KVETCH - Ou quando o teatro vivo nos transporta ao microcó(s)mico

A Companhia de Teatro do Barreiro – Arteviva, levou a cena no Teatro Municipal, a peça “KVETCH”, com encenação de Rui Quintas.

Um espectáculo a não perder que, certamente, vem agitar o clima de “palavras doces” que marcam o quotidiano da nossa cidade “aldeia-cosmopolita”.

4 min de leitura
Companhia Arte Viva – Barreiro “KVETCH - Ou quando o teatro vivo nos transporta ao microcó(s)mico

Por Jornal Rostos

Razões diversas não me permitiram escrever alguns comentários sobre a nova peça da Companhia de Teatro Arteviva. Mas, cá estamos. E para começar : Parabéns Arteviva!
Foi o “Arte Viva” que deu o pontapé de saída para o mês do teatro, com a estreia da peça “Kvetch”, de Steven Berkov, com encenação de Rui Quintas.
E, o Arteviva, mais uma vez, veio dizer-nos que, afinal, numa cidade, onde o teatro está vivo, há algo mais que tem que renascer.

Como já escrevi, o “Arte Viva” está de parabéns. Foi um espectáculo brilhante. Achamos mesmo que este espectáculo do “Arte Viva” vai marcar uma página de ouro, na história de prata ( 25 anos de vida) da companhia barreirense.
Uma peça marcada pela linguagem que agita, perturba, faz-nos rir, e ficar divididos entre o significado dos sons “provocatórios”e as “imagens” da vida real dramática...

Rui Félix, mais uma vez, como sempre nos habituou, está esplêndido, desempenhando o seu papel com maturidade e com pleno domínio pelo personagem. Diverte-nos.
Manuela Félix, que neste espectáculo dá o lugar aos novos, colocando-se num papel secundário, foi excelente. Uma presença que coloca o “cheiro” da sua presença, marcando o seu espaço de forma expressiva.

Ricardo Guerreiro está igual a si próprio, com boa colocação de voz, com a vivência do seu personagem ( pareceu-nos, no entanto, que não perdeu alguns tiques de anteriores personagens, o que pode ser uma mera impressão de quem guardou a sua anterior boa interpretação ) mas, sublinhe-se, foi brilhante no seu papel.

Mário Bomba um jovem com qualidade e potência, dotado de qualidades, que assume o seu papel de forma firme e descomplexada.
Por fim, um aplauso para Patrocínia Cristóvão, de facto, cada vez mais, uma grande revelação do “Arte Viva”. Uma personagem que ganha com a vivência criadora da actriz.
De sublinhar que todas as personagens nesta peça são plenamente preenchidas pelos actores que, acredito, para além do papel que desempenham, devem , todos eles, ter tido um profundo prazer e gozo na construção deste espectáculo.

Um peça vivida de forma permanente em dois momentos, com dois discursos, em dois planos, no confronto, entre o dito e o não dito, sendo a encenação um elemento estruturante dos dois discursos, que nos transportam, como diria Freud, ao encontro desse conflito que existe entre o ego e o super ego.

Desmonta as dissimulações do quotidiano

Uma excelente encenação, que nos conduz, ela mesma, por dentro dos dois planos discursivos, com momentos em que a luz, de facto, é o ponto de referência, que nos coloca no centro da cumplicidade e no sentir das próprias personagens.

Um grito contra a solidão-solitária. Uma provocação que desmonta as dissimulações do quotidiano. A mesa e o que está por debaixo da mesa. Um jogo lúdico, divertido e real. Uma peça que vive ao ritmo do tempo, fugaz e sentida.
Uma peça que dá uma pedrada no charco na nossa cultura de “aldeia cosmopolita” e que nos “revela” o microsmos de cada ser humano.
Uma peça que nos faz rir, faz pensar…e sair da sala, com um ar de surpresa e com um sorriso nos lábios.
Afinal, tudo está presente naqueles discursos reais e microcó(s)micos dos personagens.
Parabéns.
Voltaremos, em breve, para ver de novo este trabalho, pois, de facto, vale a pena repetir…e olhar com um novo olhar : o que acontece no espaço, com dinâmica e ritmo; e ouvir com um novo ouvir, as palavras, de um texto que é um grito à vida.

António Sousa Pereira

KVETCH

Autor - Steven Berkoff
Tradução - Luís Fonseca

Encenação e Direcção de Actores – Rui Quintas
Assistência de Iluminação – Patrícia Mendes

Actores
Frank – Rui Félix
Dona – Patrocínia Cristóvão
Hal – Mário Bomba
Sogra – Manuela Félix
George – Ricardo Guerreiro

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