Crónica do PalácioUma conversa taurina
Por A. Sousa Pereira
Falou-se de tudo um pouco. Do ter opinião. Daquilo que o cérebro vê, e, naturalmente, também daquilo que o cérebro não vê, quando olha um ponto fixo.

Por António Sousa Pereira
É um ponto de encontro. Um trocar de ideias sobre acontecimentos que fazem o dia a dia da cidade. Uns são do PSD. Outros do PS. Há também do PCP. E do Bloco de Esquerda. E, naturalmente, também há os que não têm qualquer opção partidária, ditos, independentes.
Uma semana aparecem uns, outras aparecem outros. Um Tertúlia sem regimentos, nem regulamentos. Sem ordem de trabalhos, ou assuntos prévios, agendados para a discussão.
A Tertúlia do Palácio é um encontro semanal, às sextas feiras, num almoço, onde se fala de tudo, cruzam-se as conversas e cultiva-se amizade. Para quem acredita que a amizade faz parte dos encontros da vida.
Na última Tertúlia, houve tempo para a poesia. João Canário leu os seus poemas e recebeu os aplausos dos convivas.
O Pinheiro explicou-nos a diferença entre “boi” e “touro”. Sublinhou que existe uma emoção especial no “sentir o touro”. Salientou que o “boi é castrado”, enquanto o “touro não é castrado”. Foi então que recordei as razões porque Armando Soares não gosta que se diga “boi”.
A conversa esteve animada. A Manuela falava das suas lides sindicais. O Kira falava da casa dos poetas.
Falou-se de tudo um pouco. Do ter opinião. Daquilo que o cérebro vê e, naturalmente, também daquilo que o cérebro não vê, quando olha um ponto fixo.
João Canário voltou a declamar os seus poemas, comentando o “amor de pai” e sublinhando que é um amor que se expressa no “gosto de ti sem te ver”, proporcionando aos presentes uma agradável “sobremesa de palavras”.
O Estadão comentava que, ele, também, fazia política em versos.
A conversa corria. Uma palavra puxa outra palavra. E as palavras têm mais sentido quando exprimem emoções. Os sentimentos dos dias.
“Pela primeira vez vi, terem confiança em mim e deram-me um cargo para eu estar ao serviço do Barreiro” – sublinhava de forma emocionada, um dos presentes, trabalhador da Câmara Municipal do Barreiro, e acrescentava – “Não sou PS, nem PC, nem BE, sou pragmático”.
As palavras fluíam. Cruzavam-se. Uma verdadeira conversa taurina. Farpas sobre os acontecimentos que fazem os dias.
Alguém chegou mesmo a comentar – “Uma vez boi. É boi para a vida inteira”. Gargalhadas.
O discurso saltitava da poesia, para os forcados. Da pintura, para o sentido critico dos dias.
Ter opinião, não é o mesmo que ter a-opinião. Falou-se do centro da cidade. Um debate que promete.
E, por fim, chegou à mesa, aquela óptima aguardente com o rótulo do “Rostos” ( uma oferta do Simões). Faz falta outra garrafinha.
O Kira levou o prato para acrescentar mais nomes na espiral, que marca as presenças que vão dando sentido à Tertúlia.
Uma coisa ficamos todos a sentir que ali, todos dizem o que pensam, o que sentem…e que, afinal, nas diferenças e no respeito pelas diferenças, é que se constrói uma cidade.
Foi mesmo uma conversa taurina…onde não faltou o diálogo sobre a nova ponte, com o Nuno e o Candeias, em amena troca de pontos de vista.
Cá por mim, digam o que disserem, acho que a componente rodoviária deve ser contemplada. Nuno estou contigo. Aliás, sublinho, para quem ainda não leu, que vale a pena ler o teu artigo.
Por fim, sublinhe-se, não chegámos a conclusões, nem foram marcadas metas de trabalho para a semana. Conversámos e…sexta feira ( os que puderem e quiserem) lá estaremos de novo, porque, talvez, o que nos move nesta TERTÚLIA é, sentirmos o prazer de viver neste Barreiro…com “Rostos”.
António Sousa Pereira













