Dia Mundial dos Moinhos – O Ex-Libris do BarreiroPor Nuno Banza
A mais recente discussão sobre energias renováveis a nível europeu leva-nos a definir estratégias que devolvam a atenção aos recursos endógenos. No caso do Barreiro, isso será também voltarmos a olhar para nós e para a nossa história. Uma terra com história é uma terra com passado, indispensável para uma aposta forte no futuro.

Por Jornal Rostos
Na data em que se assinala o Dia Mundial dos Moinhos, não poderia deixar de trazer à conversa o seu valor como Património e a sua importância na história do que foi o Barreiro. Sendo o Barreiro uma terra conhecida pela sua ligação à industria, esta verdade tem de facto muito mais peso do que se fala hoje. Muitos anos antes do seu contributo para a Revolução Industrial em Portugal com a instalação da CUF, já o Barreiro representava um notável pólo da indústria moageira. Desde Coina ao Barreiro, passando por Palhais e Santo André, encontravam-se cerca de 9 Moinhos de Maré e 5 Moinhos de Vento, o que demonstra a sua importância em termos de actividade proto-industrial (actividade já organizada de produção mas ainda sem verdadeiras características industriais). Desta actividade, em que os moinhos representavam uma forma de equilíbrio entre as necessidades do Homem e os recursos da natureza, restaram apenas alguns exemplares de edifícios sem “engenhos”, mas são curiosamente usados como imagem de marca do Barreiro. Descritos como primogénitos mas tratados como enteados, são um exemplo da excelência do engenho do Homem na sua interacção mais equilibrada com o meio natural, e na sua ligação com uma fonte de energia renovável, completamente limpa.
A singularidade da existência no Barreiro de um núcleo de moinhos de vento à altura da água (muito comuns mas no cimo das montanhas ou nos altos das serras), que se julga única no país, reforça um território profundamente marcado pelas características climáticas, com vento norte quase constante.
A mais recente discussão sobre energias renováveis a nível europeu leva-nos a definir estratégias que devolvam a atenção aos recursos endógenos. No caso do Barreiro, isso será também voltarmos a olhar para nós e para a nossa história. Uma terra com história é uma terra com passado, indispensável para uma aposta forte no futuro.
Longa vida aos Moinhos, com a promessa de que não os esqueceremos, não apenas no Dia Mundial.
Nuno Banza
Nota da Redacção - Recordar que o nosso colunista Nuno Banza, comemora, hoje, dia 7 de Abril, o seu aniversário.
Aqui fica o registo e os nossos parabéns.













