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Inferências

Diz que é uma espécie …de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro
Por António Sousa Pereira

Se vive (é diferente de residir) no Barreiro aproveite e visite (até 31 de Julho) o Auditório Municipal Augusto Cabrita, e, ali, poderá verificar como a Liberdade se expressa, com criatividade, nesta cidade.
Poderá verificar que as cores são muitas e que, afinal, o Barreiro não é tão cinzento como por vezes o pintam.

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Diz que é uma espécie … de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro Por António Sousa Pereira

Por Jornal Rostos

Dia 6 de Maio
Entre a poesia e a vida

A Tertúlia de Poesia da SFAL funciona há cerca de 4 anos, um ponto de encontro, no primeiro domingo de cada mês, às 11 horas da manhã, para ler poemas de autores ou para partilhar as palavras que cada um vai cultivando. Aparece quem quer e quando quer…
Cada um chega com um livro ou uma folha de papel na mão. Conversamos. Brincamos. Rimos.
A vida é assim, feita de pequenos gestos, pequenos actos. A vida constrói-se fazendo.
O curioso é que ao longo dos anos, vai sempre aparecendo mais um, que se junta, que participa…
Um espaço de simplicidade, onde, curiosamente, a critica e a irreverência têm apenas o sentido do prazer de partilhar…palavras.
Acredito que são estes pequenos gestos, estes pequenos actos, que podem ajudar a construir uma nova cultura urbana – uma aprendizagem ao longo da vida do saber viver em conjunto – onde, afinal, o pensar e viver a preto e branco, que marcou gerações e gerou estigmas, possa ser substituído pelo pensar e viver com as cores da poesia : vermelho, rosa, laranja, azul, preto, branco, e todas as cores que permitem, misturar e fazer nascer novas cores.
Uma cidade colorida...onde se possa ter opinião, sem estar submetido a um “status quo” de “certezas” e de “exclusividades” do saber e dos caminhos obrigatórios percorrer.

Dia 6 de Maio
Adeus Bacanório!

Faleceu o Bacanório. Um grande amigo. Um amigo que marca o coração. No olhar sobre os dias. Nos caminhos percorridos.
Olhei, nesse mesmo dia, por acaso, uma fotografia do meu casamento, onde ele está, um casamento que, tantas vezes, recordava como tendo sido um momento que nunca esqueceria na sua vida.
Ah, é verdade, aquele minuto de silêncio, pedido pelos noivos, em pleno casamento, na Igreja do Lavradio, em memória de Che Guevara.
E o animado convívio que foi o “copo de água”, na Cave do Futebol Clube Barreirense.
Enfim, momentos que fazem os laços da vida, que unem as pessoas, e, a vontade de ser sempre solidário, independente do caminho que cada um vai construindo.
O Bacanório tinha a revolta no coração e vivia com intensidade um desejo enorme de transformar o mundo. Recordava com emoção os dias do PREC e as esperanças de um mundo “participado”, numa concepção diferente de estado, que começava no prédio, na rua, no Bairro…utopias da revolução ou sonho por construir?
É assim, a terra de um homem é também a terra dos seus mortos, um pouco das suas memórias vividas, familiares e amigos que vão partindo.
Enfim, o certo é que, um dia, vamos todos lá parar : as “élites”, os “puros” e os “impuros”.
Adeus “Bacanório” – António Rodrigues!

Dia 7 de Maio
Capital da Ilustração para a Infância

Não tive possibilidade de estar presente no acto inaugural da exposição de Maria Keil, promovida no âmbito da Ilustrarte.
A propósito de notícias, hoje divulgadas, onde Carlos Humberto, sublinha que o Barreiro é a “Capital da Ilustração para a Infância”, ocorreram-me ao pensamento, algumas reflexões que tenho feito sobre este evento – a Ilustrarte.
A Ilustrarte coloca o Barreiro na rota da ilustração para a Infância, em Portugal, na Europa e no mundo.
E, quando as coisas começam, a fixar-se, é preciso, dar-lhes vitalidade, gerar em torno delas dinâmicas que conduzam a afirmar-se e “envolverem-se” na vida local, sem dúvida, motivando as escolas, parara criar públicos de futuro, projectar o evento na Comunidade Educativa, mas também dando-lhe consistência estruturante.
A relação que tem vindo a ser cultivada entre a Ilustrarte e o Auditório Municipal Augusto Cabrita, contribui para que se fortaleça o sentido cultural daquele espaço, e, pode fortalecer a sua afirmação no âmbito da Área Metropolitana de Lisboa.
Isto, naturalmente, implica a existência de uma estratégia de promoção e divulgação deste binómio – Ilustrarte – Auditório Municipal Augusto Cabrita, sendo importante criar suportes próprios e parcerias.
É preciso convidar jornalistas a visitar o espaço, falar com jornalistas da cidade, e são muitos que pululam nos mais diversos órgãos de comunicação social.
E, já agora, porque não “investigar” e encontrar referências no campo da ilustração nas memórias do Barreiro.
Recordo Manuel Cabanas que foi um ilustrador. Recordo Henrique Galvão que também ilustrou os seus próprios livros ( para a Infância). Recordo Eugénio Silva, que continua a trabalhar, que, por exemplo, editou a biografia de Eusébio, em banda desenhada.
Recordo igualmente uma iniciativa que pode ser complementar a esta e que, naturalmente, podia ser integrada na mesma estratégia – o Salão de Arte Postal.
Portanto o Barreiro tem memórias no campo da ilustração.
Uma nota, estilo rodapé, porque não atribuir à Galeria Municipal do Barreiro, na Avenida Alfredo da Silva, o nome de Manuel Cabanas. O Barreiro deve-lhe essa homenagem.
Portanto, se o Barreiro tem memória no campo da ilustração, fazer a ponte entre essas memórias e a Ilustrarte, seria um caminho para, de alguma forma, mais e melhor consolidar essa brilhante designação de “Barreiro Capital da Ilustração para a Infância” ou, porque não, “Capital da Ilustração” ( um tema a pensar para uma futura Festa do Barreiro). De referir que já Emídio Xavier, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, na gestão socialista, utilizou essa designação.
Só que, até ver, não passa de uma designação porque para o ser tem que ser pensada e desenvolvida como estratégia de futuro, do ponto de vista cultural, económico e na Educação (com ligações às Universidades).
No Barreiro há muitos técnicos de Design, de grande qualidade, e, também, muitos Artistas Plásticos que seriam um importante lobbie na promoção e validação dessa “imagem de marca”. É preciso envolvê-los.
Esse é um caminho diferenciador do Barreiro, uma referência cultural, que tem que ser consolidada e que se deve inserir no Plano Estratégico do concelho.
Há muito trabalho pela frente. Há muito para debater e reflectir, sob pena do slogan – “Barreiro capital da Ilustração para a Infância” ficar por uma mera intenção e uma ideia que dá títulos nos jornais.
É urgente pensar em grande, promover iniciativas, Seminários, Workshops, que contribuam para projectar o Barreiro com essa referência cultural.
Já agora, nãos sei se será viável (nem que fosse em “cópias” com objectivo de convidar a visitar o Auditório Municipal a ver os originais) podiam fazer chegar a “Ilustrarte” em pequenas Mostras às associações, escolas secundárias, Instituto Politécnico e instituições locais ( de forma rotativa enquanto cada exposição está a decorrer).
Se vive no Barreiro aproveite e visite ( até 31 de Julho, mas há mais a seguir…) o Auditório Municipal Augusto Cabrita, e, ali, poderá verificar como a Liberdade se expressa, com criatividade, nesta cidade. Poderá verificar que as cores são muitas e que, afinal, o Barreiro não é, assim, tão cinzento como por vezes o pintam.
Acredito que Eduardo Filipe e Ju Godinho são pessoas que pensam em grande, querem o melhor para o Barreiro e vão, sem dúvida, dar tudo, por tudo, para que a Ilustrarte seja uma realidade que contribuirá para marcar a “diferenciação” e afirmar o Barreiro na região e na rota mundial da ilustração.
Parabéns Ilustrarte! Parabéns Barreiro!

Dia 8 de Maio
O Teatro da Liberdade

Sou do tempo em que cantávamos, em coro, com uma cerveja na mão : “Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida…”
Talvez, por isso, aprendi, com as experiências da vida, a sonhar com os pés nas vivências do quotidiano, porque era assim que nós sonhávamos (e muitos continuam a sonhar), acreditando que a LIBERDADE não era uma impossibilidade, era um sonho…que a cada um de nós competia tornar real.
No limite a Liberdade é o sagrado.
Lá dizia Antero Quental ; “A história é especialmente o teatro da Liberdade” e que “o Universo aspira com efeito à Liberdade, mas só no espírito humano o realiza” numa ordem “com toda a soma de moralidade e liberdade”.
Por isso, de novo parafraseando o Antero é isso – “a espontaneidade é a própria raíz da Liberdade”, talvez, seja este o “leit motiv” que leva o pessoal a sentar-se à volta de uma mesa, conversar de forma espontânea e ir ao encontro dos dias. Brincando. Falando mal. Não abdicando do direito à cidadania. Nem colocando à frente a Partideurite ( que emerge do euro).
Depois, cada um parte, e vai para o mundo real, com os seus projectos, os seus sonhos, consciente que “o alargamento de ideias” e o “fluir de palavras”…ajuda a construir a cidade.
Um beijinho para aqueles que já sabem o que é a Liberdade e também que acham que falar muito em Liberdade…é porque ela está em perigo, ou que qualquer coisa está mal!
Também um beijinho, para aqueles, que já encontraram uma definição para a Liberdade, muito especialmente no Barreiro, onde, parece, há quem lhe atribua um significado especial. Único.
Se calhar até com razão, porque aqui, chorou e sofreu muita gente, nessa luta pelo direito de ser livre ( antes e depois do 25 de Abril).
É que a Liberdade começa no respeito por mim próprio e só no respeito por mim, sou capaz de ter respeito pelo outro...por isso, estou, e estarei sempre nessa luta, foi sempre o meu lado da barricada. Falando de mais. Ou falando de menos. Mas sempre falando e não abdicando de ter opinião.
Separo-me, sempre hei-de separar-me, quando sinto que existe um “eu” que, de forma subtil, quer ser “dono de todos os eus”. Incontestavelmente, senhor do mundo, sem olhar a meios para atingir fins. E respeito, bastante, mesmo muito, aqueles que vivem com sentido de missão ( independentemente de estar, ou não, de acordo com as suas perspectivas de Liberdade).
Estarei sempre, de forma firme, nesse lado da barricada, quando começar a ficar em causa o “eu”, por muito respeito que tenha pelo “nós” ( ora não fosse, ao longo da vida, um homem do associativismo).
Mas, porque estou consciente que o “nós”, nenhum “nós”, nunca, poderá obrigar-me a perder esse direito ao …sagrado, humanamente sagrado!
Por isso estou aqui…sorrindo!

António Sousa Pereira

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