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Inferências

Carta ao DirectorInformar que não vou estar presente nesse debate e explicar as razões da minha ausência

“A conversa de bar original, que eu encarei como laser, formalizou-se e tornou-se séria, a contar para um qualquer campeonato das distritais. De facto, a tertúlia informal que combinámos transformou-se num evento político local.

Se em conversas informais sobre temas interessante estou sempre disposto a participar; em "eventos políticos", a minha participação é muito mais ponderada.”

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Por Jornal Rostos

Exmo Sr. Director

Foi divulgado no vosso jornal, um debate a acontecer no dia 2 de Junho, no convento da Verderena, no qual eu participaria.
Serve esta comunicação para informar que não vou estar presente nesse debate e explicar as razões da minha ausência.

Há coisa de três semanas, o Pedro Estadão, num encontro por acaso e numa conversa informal pergunta-me se estou disposto a participar numa tertúlia com alguns amigos seus, de várias tendências politicas para conversarmos sobre desporto e cultura.
Porque pratiquei desporto como federado durante mais de dez anos, porque trabalho em produção cultural e acima de tudo porque gosto de uma boa discussão a ideia pareceu-me interessante.

Respondi ao Pedro Estadão que estava disposto a participar nessa tertúlia, a ter lugar num café ou num bar do Barreiro, onde, à volta de uns copos, um grupo de pessoas, de uma forma descontraída conversaria.
A ideia original, e que ficou perfeitamente claro é que seria uma conversa inconsequente à volta de temas culturais e desportivos.

Uma conversa ao estilo de um jogo de futebol entre "solteiros contra casados". Uma horita de disputa intelectual salutar, um "a correr contra a barriga" que acabaria invariavelmente ao balcão com uma imperial e um pires de tremoços.
"De repente, não mais que de repente" esta conversa em tom de tertúlia informal, resvala para um debate com regras, num espaço institucional e com visibilidade na comunicação social local.
O jogo "solteiros contra casados", de um momento para outro, passa a estar sujeito às normas da FIFA, está federado e cada um leva a camisola do seu clube vestida.

A conversa de bar original, que eu encarei como laser, formalizou-se e tornou-se séria, a contar para um qualquer campeonato das distritais. De facto, a tertúlia informal que combinámos transformou-se num evento político local.
Se em conversas informais sobre temas interessante estou sempre disposto a participar; em "eventos políticos", a minha participação é muito mais ponderada.

Sou um militante de base do PCP, não tenho aspirações a ser mais que isto. Por ser comunista, levo a minha militância politica muito a sério: a minha agenda politica é ditada pelos interesses colectivos do meu Partido que estou convicto são os interesses do povo português.
Os PCP neste momento está empenhado em dinamizar a luta dos trabalhadores contra as politicas de direita deste governo. Está agendada uma Greve Geral para dia 30.

O meu esforço pessoal inscreve-se no esforço colectivo do meu Partido, no sentido de reforçar a unidade entre os trabalhadores e apelar à participação nesta Greve Geral.
Neste momento a luta contra a situação laboral dos portugueses, imposta pelo Engenheiro Sócrates é para mim muito mais importante do que a inovação tecnológica na alta-competição desportiva ou uso de "farinhas para crescer" nos corredores de velocidade norte-americanos.

Devo ainda dizer que antes de escrever esta comunicação, tive oportunidade de falar com o Pedro Estadão e de lhe explicar as minhas razões.

Atentamente
Helder Miguel Menor

" Produzir e promover Cultura, é contribuir para transformar o mundo"

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