Diz que é uma espécie …de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro
Por António Sousa Pereira

Por Jornal Rostos
Dia 9 de Maio
O símbolo da LIBERDADE
Fechei a minha colaboração nas “Conversas Histórias vividas” sobre o 25 de Abril, numa sessão com várias turmas, no Auditório da Escola Secundária de Casquilhos.
Depois de conversas nas Escolas do 1º Ciclo, de facto, estava expectante, como seria conversar com alunos de 14 aos 17 anos.
Foi um dia que não vou esquecer. Foi emocionante.
De facto a propósito do 25 de Abril, de Liberdade, é possível falar de tudo, da vida, de filosofia, de partidos, de amizade, do sentido da vida.
Gostei dos vossos sorrisos e palavras sinceras que me dirigiram, já cá fora do Auditório, após cerca de duas horas de conversa, que passaram a correr, e, com todos vocês, ali, presentes de forma entusiasmada.
Falando de Abril, de uma revolução que foi violenta e não pacífica como por vezes se diz, falando dos cravos não símbolo de uma revolução, mas como símbolo da LIBERDADE, do respeito pelas diferenças e da DEMOCRACIA.
Obrigado, aos jovens e professores da Escola Secundária de Casquilhos, que me proporcionaram este momento de vida, onde, aprendi convosco a lição, que os jovens são, de facto, a esperança do mundo e, acredito, que todos vós vão passar aos vossos filhos e netos, esse testemunho, de Abril como um ideal de LIBERDADE que deve sempre ser festejado…em FESTA DA LIBERDADE.
Dia 10 de Maio
Ideias estratégicas para o Barreiro
No Restaurante Acordeon, realizou-se um jantar com empresários da construção civil do concelho do Barreiro.
Neste Jantar, Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, colocou perspectivas de acção que considera fundamentais para o futuro do concelho do Barreiro:
1- Construção da cidade com os cidadãos do Barreiro;
2 – Resolver o principal problema do concelho do Barreiro, o crescimento e desenvolvimento económico e superar a situação financeira difícil da autarquia,
3 – Apostar fundamentalmente no território da Quimiparque, de forma a que aquela área do território do concelho possa continuar a ser no século XXI, o que significou para o Barreiro no século XX, e contribuir para ser um factor de diferenciação do Barreiro, na região e no país, com instalação de industrias do conhecimento e novas tecnologias;
4- O desenvolvimento do pólo ferroviário do Barreiro, com a instalação das Oficinas da Alta Velocidade;
5 – A valorização e o alargamento do Centro da Cidade, mantendo o actual mercado e renovando a zona envolvente e alargando o centro até ao novo FORUM Barreiro e campo do Futebol Clube Barreirense;
6 – Uma atenção privilegiada às zonas Ribeirinhas e desenvolvimento do POLIS.
Por fim, sublinhou que a nova ponte deve contemplar as vertentes ferroviária e rodoviária e lançou um apelo – “O Barreiro deve autoorganizar-se em defesa desta reivindicação”.
Na sua opinião o Barreiro deve ser uma zona de centralidade, na Península de Setúbal e dar o seu contributo para que a Área Metropolitana seja um motor do desenvolvimento do país.
Estas, de facto, são ideias estratégicas para o futuro do Barreiro e, sem dúvida, por estes vectores passa o desenvolvimento de um Plano Estratégico que deve ser estruturado e conceptualizado de forma a mobilizar os agentes locais e os cidadãos para a sua concretização.
Dia 11 de Maio
A diminuição de população
Realizou-se uma reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, um dos assuntos que animou o debate, resultou de uma intervenção de António João Sardinha, PS, que apelou para a urgência de se avançar com a revisão do Plano Director Municipal e, por outro lado, sublinhou que a inexistência de politicas de desenvolvimento levaram à desertificação do Barreiro.
O deputado socialista referiu ser fundamental fortalecer o centro da cidade.
O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, salientou que o processo de revisão do Plano Director Municipal não pode ser aprofundado enquanto não estiverem clarificadas algumas situações, nomeadamente, o futuro pólo ferroviário do Barreiro, as características da nova ponte sobre o Tejo e o Plano Estratégico do Porto de Lisboa.
“È preciso ter em consideração as consequências destes factores sobre o Barreiro” – sublinhou o autarca.
Por outro lado, sobre a diminuição de população, Carlos Humberto, referiu que é um diagnóstico errado quando se afirma que a responsabilidade da perda da população é da Câmara Municipal do Barreiro, e, recordou, que no mandato da gestão socialista o Barreiro continuou a perder população.
António João Sardinha voltou a insistir que o Barreiro foi o único concelho que perdeu população na Península de Setúbal e na sua opinião o PDM “influenciou esta situação”.
José Caetano, PCP, referiu que nos anos 80 o tecido económico foi destruído, com o desmembramento da Quimigal e recordou investimentos que foram realizados pelo Poder Central que se revelaram verdadeiros desastres.
“Quem é o responsável pela destruição das empresas no concelho do Barreiro?” – interrogou o deputado do PCP.
António João Sardinha, voltou a referir a importância de se atrair investimentos para o concelho do Barreiro.
Miguel Amado, PSD, dirigindo-se a António João Sardinha, referiu a sua capacidade de “truncar as ideias dos outros” e de “desdizer as suas próprias ideias”.
E, sublinhou que, sobre a perca de população do concelho do Barreiro cabe ao Partido Socialista, no Governo, contribuir para alterar esta situação, dando como exemplo que a nova ponte deverá ter as vertentes ferroviária e rodoviária.
Um debate interessante este da evolução demográfica do concelho do Barreiro, que podia ser uma matéria com algum interesse para, no âmbito de um Seminário, ser promovida uma reflexão, pela Assembleia Municipal do Barreiro, onde, com honestidade intelectual, se abordasse esta temática e fosse dado um contributo para pensar, em termos de realidade demográfica : O que fomos? O somos? Para onde vamos?
Este seria um tema que iria permitir analisar a evolução do concelho do Barreiro – causas e circunstâncias – e contribuir para uma visão de cidade.
Mas, por vezes, quando se discute este tema no Barreiro, infelizmente, as teses que circulam, não são de análise e perspectiva, visam criar um estigma e encontrar um bode expiatório, um culpado, e, naturalmente, o culpado é o PCP.
Se calhar também é o PCP, certamente, o culpado de no país e na Europa, ter vindo nas últimas décadas a registar-se um envelhecimento e diminuição da pirâmide demográfica.
Dia 12 de Maio
O comunismo da Sociedade Recreativa
Conheci Raimundo Narciso, naquele que foi o primeiro Congresso do PCP, no Porto, onde fui como delegado, e, foi um Congresso que me marcou, porque, naquele espaço de debate reservado a militantes, escutei de forma apaixonada a sua intervenção, as suas criticas e comentários ao modelo de funcionamento do PCP.
Fiquei, na altura, com a sensação que a liberdade de discussão, o respeito pelas diferenças, era, afinal, uma realidade no seio do partido. Regressei desse Congresso com essa convicção.
Raimundo Narciso foi expulso do PCP em 1991, eu, não fui expulso ( porque pedi a demissão), mas abriram-me um processo de expulsão em 8 de Fevereiro de 1998.
Li, hoje, no jornal “Sol” a sua entrevista em que Raimundo Narciso, refere que “Jerónimo Sousa é um homem da fábrica, da Sociedade Recreativa, do bailarico” e acrescenta que hoje, com a actual realidade, falar de comunismo é, de facto, falar de “um comunismo da Sociedade Recreativa”.
Como sou um homem da “sociedade recreativa” e sei que, neste país, infelizmente, são as “sociedades recreativas” que continuam a formar cidadãos, na música, no desporto, com muita carolice e voluntariado, afinal, o que concluo é que as palavras de Raimundo Narciso são um elogio a Jerónimo de Sousa e ao PCP.
Mas, Raimundo Narciso, pretendia, isso sim, era falar dessa coisa “horrorosa”, que “cheira a povão” que tem, afinal, a teimosia de continuar a viver de forma solidária e acreditar que a vida pode ser diferente se cada um contribuir, com os seus actos para transformar o mundo.
A história do comunismo no mundo ainda está por fazer e, certamente, muito ainda terá que ser escrito e revelado.
Nós, em Portugal, vivemos um “esquizofrenia” de por um lado termos que lidar com um PCP que teve uma grande influência cultural em sucessivas gerações, no combate pela liberdade e pela democracia, onde, muitas vezes, os comunistas eram os primeiros, a dar a cara e a organizar as populações.
E, depois, tivemos o PREC, que a todos, das mesmas gerações, também nos marcou, para além de termos vivido, esse período da queda do muro de Berlim e o fim da guerra fria.
O que reconheço é que o mundo mudou. As ideias dos homens são fruto das suas vivências históricas.
E, sem dúvida, o pensamento marxista ( na sua diversidade) é uma realidade que não acabou, pelo facto de ter ruído o “modelo soviético”.
O PCP, pelas suas raízes, pela sua ligação às populações, é reconhecido, ser uma das referências e não sofreu a hecatombe que aconteceu em Itália, na França, ou, por outras paisagens.
Não perceber isso é não perceber o país em que vivemos.
As palavras de Raimundo Narciso, fizeram lembrar aquelas palavras de um jornalista do Diário de Noticias que veio ao Barreiro, a propósito do centenário da CUF, e referiu que esta cidade era uma cidade marcada pela “esquizofrenia”.
Razão de tal definição, o facto de existir, lado a lado, a Estátua a Alfredo da Silva e o Parque Catarina Eufémia.
É que, de facto, esse pessoal que vive na “sociedade recreativa” é, também, na verdade, “louco” e “esquizofrénico”, porque teima, num mundo marcado pelo salve-se quem puder, a pensar e viver todos os dias com uma cultura de solidariedade.
Mas, já agora, dizer, que não é só o Barreiro que é esquizofrénico, eu acho que vivemos, num país marcado pela esquizofrenia.
Por exemplo, como é possível, um país que durante 40 anos lutou pela liberdade, combateu uma ditadura, que caiu de forma violenta, pela força das armas, agora, em pleno, 2007, quando são passados 33 anos do 25 de Abril, este país, elegeu Salazar, o símbolo máximo da ditadura, como o melhor português de sempre.
Só pode ser um país esquizofrénico!!???
E esquizofrénico é algo, que marca, tudo e todos, que vivem com estigmas, com ódios e ressentimentos…nisso, sem dúvida, Nietzche tinha razão.
Ao menos que haja neste país alguém que respeite e tenha na sua consciência, um sentimento valorativo da “Sociedade Recreativa”…essa coisa horrorosa que mantém, a um euro por quotização mensal, espaços de liberdade e de cultura.
Oh Raimundo Narciso, nem pareces um homem que viveu o cooperativismo, se confundes o associativismo e a “sociedade recreativa” com o PCP.
E se calhar, nem leste bem o que Álvaro Cunhal escreveu sobre esta dinâmica social, ou mesmo Bento de Jesus Caraça.
Vai ler…e deixa de lado esses pensamentos esquizofrénicos.
Olha que eu também não sou do PCP…mas que os militantes do PCP dão o corpo pelo associativismo, isso, sei, é verdade…
Dia 13 de Maio
Uma presença de proximidade
Fui até Covas de Coina. Lá estava o Juvenal Silvestre na sua habitual actividade, junto das populações e, ao seu lado, Regina Janeiro, Vereadora do Pelouro do Desporto da Câmara Municipal do Barreiro, que esteve acompanhada de Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
O Grupo Desportivo e Recreativo e Covas de Coina, em plena AUGI, está vivo, activo e sonha ser o motor recreativo, desportivo e cultural daquela zona, aguardando que a reconversão do Bairro proporcione um espaço condigno para as suas futuras instalações.
O espaço esteve animado com mais uma prova de atletismo que levou à zona rural do concelho animação, com o apoio da Junta de Freguesia de Coina e da Câmara Municipal do Barreiro.
Um concelho que se agita, move-se, não se conforma e, ao mesmo tempo que sonha com a nova ponte, com o futuro pólo ferroviário, ou com a reconversão da Quimiparque, não esquece, e está presente no pulsar e sentir das suas gentes.
É talvez, por isso que muitas vezes se fala no “concelho cidade”, com diferentes pólos de vida e cidadania, um “concelho polinuclear” e Coina, sem dúvida, é um desse pólos, onde a gestão de proximidade se espelha nas dinâmicas de Juvenal Silvestre e na forma de estar com os cidadãos de Regina Janeiro e Carlos Humberto.
Só ama uma cidade quem vive o seu pulsar quotidiano e, de facto, o Barreiro, não começa e acaba no seu centro…
Afinal, a cultura da “sociedade recreativa” contribui para dar vida à cidade…bailaricos e humanismo!
António Sousa Pereira













