Diz que é uma espécie …de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro
Por António Sousa Pereira
Ao escutar as justificações do Ministro Mário Lino, sobre os fundamentos do “não” ao Aeroporto na Margem Sul.. de imediato pensei, continuar a viver na Margem Sul : “Jamais…jamais”.
Porque como afirmou Mário Lino “na Margem Sul não há cidades, não há gente, não há hospitais, nem hotéis, nem comércio”…por isso, mesmo amigos, agora, já sabem porque a população tem vindo a diminuir.
Todos para fora da Margem Sul já ! Margem Sul, "jamais, jamais…"
Nesta margem "não há gente" mas há campeões...´

Por António Sousa Pereira
Dia 19 de Maio
O Laboratório de Lisboa
As Eleições intercalares em Lisboa estão marcadas para 15 de Julho ( no dia do aniversário de Cavaco Silva) .
As eleições de Lisboa vão ser um verdadeiro balão de ensaio para a vida política nacional, dada a existência de candidaturas independentes que podem de alguma forma influenciar os resultados.
Ainda, deve estar fresca na memória de todos que, nas últimas eleições Presidenciais, pela primeira vez, a esquerda perdeu aquele órgão de soberania devido à dispersão de votos.
Estas eleições, pelos sinais dos tempos, podem ser o ponto de partida para gerar, ou não, uma nova “visão” da importância dos partidos na sociedade portuguesa e até do abrir novos horizontes no futuro.
Já nas eleições, na Ilha da Madeira, surgiram, pela primeira vez eleitos, deputados do PND e do PMT.
Estas eleições vão ser, sem dúvida, um verdadeiro “Laboratório”…um balão de ensaio.
Dia 19 de Maio
Projector – o amor ao teatro
Fui assistir, na SFAL, de novo, ao espectáculo “A Boa Alma de Setsuan”, de Bertolt Brecht, cuja estreia decorreu no AMAC, e, agora, no salão da SFAL, com as necessárias adaptações ao espaço, o Grupo Projector, mais uma vez demonstrou, através desta vontade de fazer itinerância, o seu amor ao teatro, de levar o teatro ao encontro da cidade.
Os parabéns ao Projector... por dar ao Barreiro teatro vivo…ao vivo!
Dia 20 de Maio
Uma cidade com vida
O Galitos lutou até ao últimos segundos pela passagem á meias finais nos play-off da PROLIGA.
Nesta sua participação, pela primeira na prova, alcançou o 4º lugar, uma classificação brilhante, que honrou o esforço e a dedicação dos atletas, dos técnicos e dos dirigentes.
Foi com tristeza que viu, ali, no Pavilhão Municipal Luís de Carvalho, encerrada a sua época que, sem dúvida, merecia ir um pouco mais longe e voltar a dar ao Barreiro a alegria da conquista de mais um título nacional.
Parabéns ao Galitos.
Momentos antes de partir para o Pavilhão Municipal, assisti, no Estádio Alfredo da Silva, à entrega das faixas de Campeões da 1ª Divisão distrital da Associação de Futebol de Setúbal que garantiu o regresso do clube às competições nacionais.
Presentes antigos dirigentes, João Dotti, António Aranha, Eduardo Guerreirinho, Fernando Oliveira,entre outros, e, muitos atletas, como Carló, Castanheira, Bambo, Capitão Mor, que escreveram páginas de ouro do futebol do clube e de Portugal.
Foi uma festa ao rubro, com os campeões seniores, com os campeões juniores, com os campeões das escolas e os campeões do Atletismo.
Um clube a fervilhar. Como alguém dizia : “É bonito ver o clube renascer”!
As duas corporações de Bombeiros estiveram unidas à volta da mesa, confraternizando no âmbito das comemorações do Dia Municipal do Bombeiro (uma iniciativa que guardo no meu coração).
Oliveira Soares, aproveitou para lançar algumas farpas.
Carlos Humberto escutou e referiu que as criticas são sempre importantes, mesmo que sejam um pouco injustas.
Em conclusão, deste “despique” o resultado foi xis – um empate. Ninguém marcou golo.
O problema dos Bombeiros não passa pelas autarquias.
O problema dos Bombeiros passa pela definição do Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros, de resolução difícil, num país sem recursos que, ainda, por muitos anos terá que contar com o voluntariado.
E, a acrescentar, existe o facto de nos dias de hoje, os Bombeiros desempenharem funções na área da Saúde e que, naturalmente, é, também um problema a avaliar no contexto da implementação dos serviços prestados pelo INEM ( cujo pagamentos não serão os que os Bombeiros exigem).
Enfim, de facto “em casa onde não há pão…”
Dia 21 de Maio
A Posse
Foi um dia que começou com a posse. Um discurso sobre a vida real, sobre os problemas e o respeito que deve existir entre quem dirige e que é dirigido.
É afinal, essa aposta na cidadania, que cada um pense pela sua cabeça, que seja cidadão de corpo inteiro e dê o seu contributo para transformar a cidade.
Fica essa nota : “Não acreditem em tudo o que vem nos jornais. Nem têm que acreditar naquilo que vos estou a dizer…pensem pelas vossas próprias cabeças”.
Vamos nessa!
Dia 22 de Maio
O livro de Salazar
Chegou-me às mãos o livro – “Como se ergue um Estado”, de António de Oliveira Salazar, com Prefácio do meu amigo António José Ferreira.
Sei que ali, para as bandas, a Escola Secundária de Santo André, o assunto gerou polémica.
Uma coisa discordo do Tó Zé, quando ele afirma que optou por “enveredar pelo pensamento de direita, visto que aquele que é tido como sendo de esquerda já está suficientemente analisado”. É que, de facto o pensamento de esquerda, ainda está muito por estudar e investigar e, muito mais ainda, com a queda do “modelo de leste” ou com a emergência mundial do “modelo da China”..
Não tive tempo para ler o texto, por dentro do texto, mas na leitura em diagonal que fiz do texto de Salazar, nas conjecturas que ele tece, sobre o”estado da nação”, para justificar as suas ideias e valores, de imediato ocorreu-me, aquela lição de história, dada por Fernando Rosas, quando do lançamento do livro, na SFAL, sobre os combatentes do Lavradio, na Guerra Mundial.
Fernando Rosas falou das causas remotas que abriram caminho ao Salazarismo, causas aliás que Salazar ignorou em absoluto no seu texto, meramente gerado como “propaganda” do regime.
É que Salazar só fala das consequências, nunca refere as causas e fala do mal do mundo, essa coisa tenebrosa que foi o comunismo ( cuja avaliação ainda está muito por fazer, porque desse “modelo” de pensamento nasceram outros “modelos” pensamentos…).
Salazar fala nas consequências que destruíram a família e os valores da família, que ele próprio destruiu: o discurso de Salazar cheira a mofo, a hipocrisia.
Oh Tó Zé, mas o salazarismo, não foi ele um sistema destruidor da família, que criou no seio da família denunciantes, que gerou um sistema de “quem não está por mim está contra mim”, que nos obrigou a viver no silêncio…
Enfim, e já agora, aquela referência a Fidel Castro, a despropósito, fazem lembrar aquelas moções da Assembleia Municipal…fala-se de tudo isso, mas esquecem, por exemplo Salvador Allende ( que, que eu saiba não era comunista).
Pois é, o pensamento da direita está por estudar, e o da esquerda também…porque ambos nascem na mesma realidade : o movimento da história e da luta do homem pela liberdade.
E Salazar, foi para nós a causa de um atraso que vai levar décadas a recuperar…até conseguirmos deixar de pensar a preto e branco, e sermos capazes de viver com todas as cores que floriram em Abril ( e se quiseres em Novembro), mas nunca com o salazarismo ( por muito boas que sejam as razões).
Mas, concordo contigo, é preciso conhecer mais o pensamento de Salazar, para melhor sermos capazes de viver a democracia.
Acho bem que tenhas avançado com a edição desta obra, só que, pelo que te conheço, devias ter sido mais incisivo e desperto no teu Prefácio (fiquei com a ideia que estavas com receio de ferir aqueles que gostam do salazarismo).
Dia 23 de Maio
Morar na Margem Sul – “Jamais…jamais!!”
Ao escutar as justificações do Ministro Mário Lino, sobre os fundamentos do “não” ao Aeroporto na Margem Sul.. de imediato pensei, continuar a viver na Margem Sul : “Jamais…jamais”.
“Na Margem Sul não há cidades, não há gente, não há hospitais, nem hotéis nem comércio” – afirmou Mário Lino.
Tendo acrescentado que “seria necessário deslocar milhões de pessoas” para essa zona para justificar a construção do novo aeroporto.
Afinal, agora já sei, porque o Barreiro tem perdido população, porque aqui, não “há Hospital”, “nem comércio”…nem Hotel, nem “há gente”, porque devemos todos nós ser “uns bichos”.
Pronto, mas como este Ministro, segundo as suas próprias palavras, é “Engenheiro, inscrito na ordem”, ele sabe o que diz..e quem sabe o que diz não pode ser contrariado.
Que leva este Senhor Ministro a falar desta forma da Margem Sul ?
Que leva o Senhor Ministro querer-nos convencer que isto aqui é um deserto?
Oh senhor Ministro, se de facto a Margem Sul é isso que o senhor diz, então, construa nesta margem o Aeroporto de forma a criar um equipamento âncora que contribua para que esta margem seja um factor estruturante e que influencie pela positiva a área Metropolitana de Lisboa…no futuro.
Pelos vistos, o senhor, até acha mal que venham viver para esta margem “milhões de pessoas”…num país com uma população de dez milhões?!
Pronto basta…entendi!













