Senhor Ministro, os camelos não cabem nos comboios!Por Nuno Banza

Por Jornal Rostos
Grande Mário! É assim que me dirijo sempre a um amigo meu, seu homónimo, porque ele é de facto uma pessoa excepcional. E quando se trata de excepcionalidade, sou sempre de opinião que devemos reconhecer os melhores.
Quando, no meio da confusão que foi esta minha última semana, me relataram as suas declarações, a vontade que tive, foi de gritar logo – Grande Mário! E foi sincera porque, sabe, você é o primeiro que tem a coragem de dizer o que o seu governo pensa da Margem Sul. Infelizmente para os outros seus colegas, falta-lhes a sua determinação, e isso vai mantendo esta ideia meio morna, de que nós até estamos na Área Metropolitana de Lisboa e que até há algum tratamento equitativo por parte do Governo. Pois, mas nós cá sabemos que não é assim. Não me vou alongar muito a relatar o que vai de certeza ser escrito por muita gente que o sabe fazer melhor que eu. Mas não podia deixar de reconhecer a sua coragem. E o que, em consciência, tenho então que fazer – e pode ter a certeza que vou fazê-lo – é aproveitar essa ajuda que me deu, porque não gosto de ser ingrato. E vou ajudá-lo a mostrar que o seu Governo cumpre à letra as suas promessas e tem uma linha de actuação clara, bem definida, certamente naquilo que considera o SIN – Superior Interesse Nacional. E como não podia deixar de ser, começo já por lhe dizer que o tal Metro que veio aqui inaugurar – a única obra pública nova relevante na Margem Sul nos últimos 10 anos – está às moscas, e com certeza que não serão os alunos da FCT/UNL que o vão encher. Mas acho muito bem que não baixe os preços. Afinal o Estado tem de cumprir o deficit.
Sabe que quando pensava na sua referência ao deserto, cedo me lembrei dos simpáticos camelos, aliás como todos – e muito bem, porque são animais muito desenvolvidos e eficientes – um bocadinho como a malta da margem sul. Conseguem trabalhar 8 dias sem beber, e não, beber 8 dias sem trabalhar. Esta foi a primeira ideia que me fez começar a percebê-lo. Mas quando me lembrava do Metro de Superfície às moscas, e levado pela influência da minha veia esquerdista, achei que talvez uma baixa de preço pudesse incentivar o seu uso, lembrei-me da segunda ideia que me faz perceber a sua perspectiva. É que na ilha de Cuba, um sítio onde, tal como na Margem Sul, ainda se mantêm muitos membros da sua ex-família política, os camiões com atrelados que fazem de autocarros chamam-se curiosamente Camelos – ou Camelas, se forem Cor-de-Rosa. Isso não – Jamais! Uma obra daquelas nunca poderia ter essa utilização. Percebo! Grande Mário!
A ajuda que me deu não será em vão, porque me vou permitir dar-lhe um conselho. E note que não vou vendê-lo, como qualquer dos membros da tal equipa de missão que custou os 14 milhões, (o que vale é que não eram assessores de nenhum presidente de câmara), para estudar a Terceira Travessia do Tejo em Lisboa (e vejam que curioso, que até aqui o nome do Barreiro não entrou). Grande Mário, reveja os seus planos para o que quer fazer com o comboio da nova ponte, e faça as contas outra vez para pensar em material circulante adaptado, porque se está à espera que a malta da margem sul ande de comboio para ajudar a pagar a obra, não se esqueça de uma outra ideia fundamental: é que os Camelos não cabem nos comboios!
Nuno Banza













