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Inferências

Diz que é uma espécie…de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro
Por António Sousa Pereira

O conceito “Barreiro – Cidade da Participação” não pode, portanto, limitar-se a gerir as opiniões, a intervir no campo da opinião, tem que se afirmar numa dimensão cultural e estratégica, capaz de mobilizar as elites locais, os cidadãos na sua simplicidade, na gestão da plataforma dos consensos e compromissos : a participação não é a venda de uma ideia politica, é a promoção de uma nova cultura de fazer cidade.

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Diz que é uma espécie… de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro Por António Sousa Pereira

Por António Sousa Pereira

Dia 24 de Maio
Participação e Cultura da Participação

Decorreu, no Barreiro, a Conferência final do Projecto “Planeamento Espacial Participado na Europa” onde foi divulgada a ferramenta denominada "Voo virtual sobre o Barreiro", que permite "voar" sobre mapas digitais geo-referenciados, nos quais se pode deixar um comentário, viva voz, de sugestão, critica, sobre o território do concelho do Barreiro.
Esta ferramenta pode constituir um importante instrumento para motivar a participação pública em processos de decisão sobre o desenvolvimento futuro do concelho do Barreiro.

A actual gestão da autarquia, liderada por Carlos Humberto, tem vinda a colocar desde a própria campanha eleitoral e, após a eleição, como linha estratégica da sua acção política, apostar na promoção da participação dos cidadãos.
Têm sido desenvolvidos vários esforços nesse sentido quer a através da promoção das chamadas “Opções Particiapadas”, quer nos “Roteiros das Freguesias”, quer na realização de “Semanas Temáticas”, ou realização descentralizada das reuniões públicas da Câmara Municipal do Barreiro, para além de outras iniciativas pontuais de debate sobre matérias de interesse local ou concelhio.
O que se poderá dizer, nos dias de hoje, é que a “ideia” de participação faz parte e é, sem dúvida, um dado adquirido na vida pública local, mas, até aqui, não há grande novidade porque, na verdade, sempre, ao longo de décadas o concelho do Barreiro, viveu esta “ideia” da participação, com momentos de mais, ou menos, intensidade, quer pela acção do seu intenso movimento associativo, quer por acção “organizada” dos cidadãos.

No decorrer da conferência, verifiquei que o conceito “participação” cruzou todos os trabalhos e era o “motor” dos diferentes projectos, apresentados pelos parceiros europeus.
Entusiasmar as pessoas a participar, criar ferramentas que motivem a participação, centrar a ideia de participação num movimento que seja indutor do conceito de mudança.
Em suma, sublinhava-se como estratégia essencial ser necessário promover “uma educação para a participação” e considerava-se que para participar é necessário que os cidadãos tenham acesso a informação.
A interactividade era sublinhada como indispensável porque promover a participação implica : despertar, conhecer, utilizar instrumentos de participação diferenciados.
Motivar os cidadãos para a participação é um caminho difícil, é desenvolver uma mudança de atitude, uma mudança que é uma verdadeira revolução : nos cidadãos, nos funcionários da administração pública, nos agentes locais, nos políticos.

Há uma longa aprendizagem do “conceito de participação” que passa por todos, que pode motivar a emergência de um novo conceito de cidade e de cidadania.
Promover a “Participação” não é só estar disponível para ouvir os cidadãos.
Promover a “Participação” não é só fazer chegar aos cidadãos a “interpretação” que os poderes instituídos fazem da realidade.
Estas podem ser etapas a percorrer. Mas quando se abre o caminho para a promoção do “Conceito de Participação” está a abrir-se caminho a uma verdadeira “revolução de mentalidades”.
Falar de “participação” na “sociedade do conhecimento” e num concelho como o Barreiro que vive um clima de intensa dinâmica e acção política, com grandes desafios pela frente no futuro próximo, na verdade, tem que implicar a promoção de um “Cultura de Participação”.

Na verdade, uma “cultura de participação” implica que todos possamos dar o nosso contributo no tipo de cidade que queremos construir e sentirmos que somos, também, actores da mudança.
O conceito “Barreiro - Cidade da Participação” transporta dentro de si uma “pequena revolução”, que pode, e deve, ser capaz de superar os estigmas, perspectivar uma nova dimensão da cidadania, onde os partidos têm o seu papel, mas onde o papel central se coloca nos cidadãos.
Todo os cidadão tem direito a ter, ou não o seu partido, mas, aqui e agora, os partidos não podem, continuar a pensar que são eles e os seus militantes (mais ou menos em nome de jogos e estratégias partidárias) que são o motor das vida de um cidade. Esse tempo já foi ( há quem não tenha percebido isso e continue a viver com uma cultura do PREC, quer no PS, quer no PCP, partidos que têm uma grande responsabilidade na forma de fazer politica no concelho do Barreiro).

A ideia central que fiquei, no acompanhamento que fiz dos trabalhos desta Conferência, é que o futuro, no Barreiro, em Portugal e na Europa, exige que a “participação” seja assumida com uma “dimensão cultural”, capaz de mobilizar os indivíduos, os grupos, não se limitando a ser uma acção politica que aposta na “gestão do imediato”, mas afirmando-se como uma referência da “gestão de longo prazo”.
Em conclusão “Barreiro – Cidade da Participação” tem que ser um dado essencial que pode e deve marcar uma característica diferenciadora da nossa cidade, na sua relação com o passado, a vivência do presente e a construção do futuro.
Aliás, foi esta a proposta que o PS apresentou aos eleitores e não cumpriu integralmente, apenas abriu caminho, de tal forma que o PCP percebeu essa nova realidade, e, por essa razão, o PCP mudou, apostando numa estratégia inovadora e na promoção de uma “gestão de proximidade”.
O conceito “Barreiro – Cidade da Participação” não pode, portanto, limitar-se a gerir as opiniões, a intervir no campo da opinião, tem que se afirmar numa dimensão cultural e estratégica, capaz de mobilizar as elites locais, os cidadãos na sua simplicidade, na gestão da plataforma dos consensos e compromissos : a participação não é a venda de uma ideia politica, é a promoção de uma nova cultura de fazer cidade.

A linha que separa a “ideia de participação” do “conceito de participação” é, talvez, epistemológica – na primeira as pessoas apenas dão opinião e os políticos decidem; na segunda os cidadãos sentem retorno dos seus contributos e sabem que estão a contribuir para a construção da cidade, os políticos decidem com os cidadãos; ou seja a primeira é pró-activa, a segunda é inter-activa.
A mudança cultural que se exige no conceito “Barreiro – Cidade da Participação” é que se aprofunde a participação, se alargue a massa critica de participantes, que a participação não seja apenas “diálogo- colaboração” mas seja, de facto “diálogo de co-laboração”.
A ferramenta apresentada pelo Barreiro nesta Conferência pode ser um instrumento a potenciar na promoção de uma participação mais inter-activa, na discussão do “centro da cidade”, do futuro da Quimiparque, no desenvolvimento do Plano Municipal do Ambiente ou do Plano Director Municipal.
Enfim, a “participação” mais que ser uma “arma” de guerrilha político partidária deve ser um conceito inovador de construção do Barreiro do século XXI e da modernidade, porque “participação” não é apenas um direito, é um dever da cidadania.

Dia 25 de Maio
Tertúlia do Palácio

Num ambiente que, desta vez, foi marcado por muitas ausências, a conversa incidiu sobre as vivências partidárias, as formas de fazer politica, as diferenças que podem marcar as intervenções partidárias na vida da cidade.
As atitudes de pessoas ou entidades que deviam ser exemplares, ou pelo menos, não fazer aquilo que criticam, ou criticaram, antes ou depois do 25 de Abril e que, afinal, agora 33 anos após essa data libertadora, utilizam formas de agir e estar que, na verdade, em nada correspondem aos ideias que apregoam.
Depois admiram-se que surjam “rosetas” que “arrastam” consigo o sonho de dar uma vassourada na vida politica partidária e trazer para a vida politica uma dimensão ética que abra as portas à esperança.
Claro que o pessoal divertiu-se com a “estória” do deserto…naturalmente!

Dia 26 de Maio
Barreiro – o Bairro das Palmeiras da AML

O Grupo Desportivo Operário “Os Vermelhos” comemorou o seu aniversário. Admiro a acção do Inácio, Presidente da Direcção e sua equipa, na vontade de reconstrução de um clube que faz parte das memórias do associativismo no concelho do Barreiro.
O Bairro das Palmeiras de facto é um problema no concelho do Barreiro, mas, o que pessoalmente acho é que, se não forem desbravados novos caminhos, o Barreiro, neste século XXI podem transformar-se num grande “Bairro das Palmeiras” da Área Metropolitana de Lisboa.
Todos os que amam o Barreiro, se de facto o amam, mais que as suas ambições pessoais e protagonismos, bandeiras que se utilizam ( ao velho estilo do PREC), devemos apostar ( mantendo as nossas diferenças, ideológicas e culturais) teremos que apostar num “compromisso de cidadania” para que o Barreiro arranque para o futuro.
Sei que a luta política é uma luta pelo poder. Sei que a luta politica exige que existam estratégias de confronto.
Mas, gostava que essa estratégia de conflitualidade fosse com objectividade, com a capacidade de demonstrar que a politica tem ética e não apenas “poder pelo poder”.
O PCP/CDU, hoje no poder no Barreiro, está a demonstrar ( mesmo que seja ainda numa forma iniciática) que quer ser diferente, que quer construir uma cidade onde todos possam viver ( penso que já vai longe o tempo em que alguns queriam construir uma cidade de comunistas para comunistas).
Mas, também sei que esta “cultura” ainda não está definitivamente enterrada.
E, por vezes, o que parece é que, na cidade, há pessoas, nos tempos de hoje, que afinal querem excluir, agora, os comunistas, uma percentagem significativa dom eleitorado barreirense, de viverem nesta cidade.
O problema do Grupo Desportivo Operário “Os Vermelhos” não é de exclusiva competência da Câmara Municipal do Barreiro. Nem será com atitudes anti-autarquia, ou fazendo da autarquia o bode expiatório, que o problema se resolve ou terá solução.
O projecto dos Corpos Sociais do Grupo Desportivo Operário “Os Vermelhos” merece todo o apoio, toda a colaboração e, acima de tudo, é ao Poder Central, em programas como o PIDDAC ou outros que deve garantir, com urgência a viabilidade da conclusão.
Fazer do Bairro das Palmeiras ou do Grupo Desportivo Operário uma arma de arremesso para guerrilhas politico-partidárias é, afinal, usar uma estratégia idêntica ao que o PCP/CDU, muitas vezes utiliza, quando das discussões do PIDDAC.
Força Inácio! Força equipa do Operário! Mas, acima de tudo com essa vontade de fazer e viver associativismo.
Não acredito nas palavras de Mário Lino que a margem sul, é, ou está condenada a ser um “deserto”, sem gente, sem escolas, sem hospitais, sem cidades…
Por isso, acredito que são precisos muitos Inácios, mas não são necessários aqueles que utilizam as paixões dos Inácios, a dedicação dos Inácios, para fomentar estigmas e chegar ao poder pelo poder (porque a experiência diz, na prática, nada de bom vão trazer para o Barreiro, antes pelo contrário…).
E, como o PREC já vai longe, continuar a funcionar com essa forma de estar na vida não ajuda à mudança.
Talvez, por isso é que penso, por vezes, naquela canção : “P’ra pior já basta assim…!”
Porque, na verdade, quem quer ser diferente deve na prática demonstrar que não usa as mesmas armas...que deixaram tantas cicatrizes.
Mas será que não perceberam ainda que, no Barreiro, já nada será como dantes?!
Ou acham, mesmo, que os barreirenses são “camelos da margem sul” e quando votam não sabem o que fazem ou pelo que estão a optar?!

O minuto 87

Nota final – O meu Sporting deu-me a alegria ( com muito sofrimento) e conquistou a Taça de Portugal.
Afinal, fica a lição que, até aos últimos minutos, aos últimos instantes, com garra e trabalho, objectivos…é sempre possível a vitória.
Parabéns Leões!

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