Diz que é uma espécie…de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro
Por António Sousa Pereira
E, já agora, será que esta discussão só terá uma dimensão à esquerda, é um exclusivo da esquerda?

Por António Sousa Pereira
Dia 14 de Junho
O Desporto e a Cidade
Participei num debate, promovido pela UTIB, que decorreu na Escola Secundária de Casquilhos, tendo como tema : “Barreiro terra de Desporto”.
Foi um debate animado, com veteranos como Carlos “Bóia”, José Augusto, Mike Plowden, Luís Gaspar, e jovens como Frederico Gaspar, Campeão Nacional de Remo e Mauro, Campeão Nacional de Basquetebol.
Um debate que colocou sobre a mesa diversos temas: Desporto na sua dimensão de formação humana; a riqueza dos Veteranos do desporto Barreirense; a importância dos nossos rios; as deficiências do desporto escolar; a falta de equipamentos desportivos nas escolas; a empresa CUF e o desporto; a importância do desporto como promoção da imagem da cidade; o desporto como fenómeno de promoção da coesão social; a importância da formação nos clubes e os Planos de Desenvolvimento Desportivos Municipais; a falta de um Pavilhão para o Basquetebol, com a dimensão que o nível da modalidade exige; o Basquetebol como modalidade de referência na vida desportiva da cidade; a prática desportiva aberta à comunidade como factor de promoção de uma vida saudável; os atletas de alta competição; o clubismo e o amor aos clubes; a cultura operária e o desporto; o papel e a importância do Movimento Associativo na promoção do desporto; nomes que fazem a história desportiva do Barreiro; retomar ou não a promoção dos Jogos Juvenis do Barreiro.
Foram muitos os temas abordados. Em contra relógio.
Mas foi um debate vivo e intenso.
Onde, naturalmente, não faltou a reflexão sobre o papel do Poder Local na promoção do desporto, mas, da autarquia não esteve ninguém e era importante a presença de alguém ligado a esta vertente.
Nota positiva ao debate e às muitas ideias que ficaram em aberto para futuras reflexões, numa cidade, onde, de facto, o desporto envolve milhares de praticantes e movimenta milhares de euros…e onde o DESPORTO FAZ PARTE DAS SUAS VIVÊNCIAS QUOTIDIANAS.
Dia 15 de Junho
A lição de Vítor Ramalho
A Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista promoveu a Universidade de Verão, uma iniciativa que visou a análise de diversos temas de actualidade.
Na abertura, Vítor Ramalho, Presidente da Federação Distrital do Partido Socialista, recordou que, hoje, “estamos longe de um mundo bi-polar”, aquele que existia quando nasceu o PS.
Este é um ponto de partida interessante para pensar, igualmente, o papel, o significado e a importância do PCP, no mundo de hoje ( sem os estigmas da história)… da injecção por trás da orelha. Ou será que só há pessoas livres e bons políticos no PS?
O líder distrital do PS salientou que o PS “tem um papel histórico” que deve desempenhar com “base no seu ideário” e “missão cívica”.
Outro tema que pode permitir pensar o PS pelo PS, nos seus objectivos e filosofia, naquilo que o pode diferenciar do PCP, mas, pensando que o PCP também está na esquerda e age, de alguma forma, no mesmo patamar de intervenção política e na mesma base social de apoio – os desfavorecidos e as classes médias.
“Há uma moda que parece querer opor os partidos aos cidadãos” – referiu Vítor Ramalho, acrescentando ser necessário aos “partidos reforçar a interacção com as comunidades”.
Ora, muito bem, é isto que a militância do PCP, de alguma forma procura fazer, agindo na vida associativa, intervindo, na defesa dos interesses locais. Dando a cara.
Na sua intervenção salientou que o distrito de Setúbal é de esquerda, e que o PS é uma referência da “esquerda tolerante e solidária”.
Outra reflexão, se o distrito é de esquerda e se no distrito o PCP, conquista Câmaras, certamente, é porque as pessoas que votam, acreditam nessa esquerda, dão-lhe a confiança politica.
Ou será que as pessoas que votam no PCP, só são de esquerda, quando nas legislativas dão a maioria ao PS? È que de facto, há muitas pessoas que votam PS nas legislativas e PCP nas autárquicas. Porque será?
Vítor Ramalho salientou que os militantes do PS, no distrito de Setúbal, correspondem a 1% da população residente.
Por essa razão, salientou que “se falarmos apenas uns com os outros”, então, “ficamos a falar sozinhos” e, referiu, “não credibilizamos nenhuma alternativa” e apenas “há um simulacro de partido”.
Acrescentou que, nas eleições legislativas o PS vence as eleições nos concelhos do distrito de Setúbal, mas esse resultado eleitoral “não tem correspondência nas eleições autárquicas”, nesse sentido sublinhou que é necessário “corrigir esta situação”, porque tal significa que “algo parece não estar bem entre nós”.
A intervenção de Vítor Ramalho, vai um pouco ao encontro da reflexão daquilo que sempre defini como o “ciclo bipolar”, que ao longo de décadas se registou no Barreiro.
Com a vitória do PS nas autárquicas, cheguei a escrever que tinha chegado ao fim o “ciclo pendular”.
Aliás, o PS tinha a responsabilidade política de consolidar essa vitória.
Não foi isso que aconteceu. E, naturalmente, os eleitores que continuam a dar a maioria ao PS nas legislativas, não devem fazer essas opções, porque são masoquistas. E não deixam de ser de esquerda por essa razão. A verdade é que ser dono do PS não significa ser dono do Barreiro. Houve um líder histórico do PS que percebeu isso, após diversas e sucessivas derrotas.
O facto é que o PS falhou e tem que ser capaz de perceber porque falhou…deixando de acusar os eleitores dos seus erros e incapacidades.
Será que o PS é um “simulacro de partido”?
Será que é pelo facto do PS ficar, demasiado tempo, a falar muito para si mesmo?
Será que está alguma coisa mal no próprio PS? – como refere Vítor Ramalho
Será que o PS quer ser alternativa? Ou limita-se a apostar em ser alternância?
O PS quando venceu no Barreiro, venceu porque se apresentou como alternativa, com ideias inovadoras, com novas propostas de cidadania? Cumpriu?
Ser alternativa é ter propostas alternativas. Ser alternância é, de facto, ficar por dizer que o PCP, não faz nada, nunca fez nada, e que conduziu o Barreiro, ou o distrito, a um beco sem saída. Será mesmo assim ?
Por vezes isto parece o discurso do deserto, dos estigmas, do maniqueísmo. Os bons e os maus.
E os cidadãos do distrito são tão incapazes de olhar à sua volta e ver que isto não ata, nem desata, que o PCP é um mal, e depois, nas legislativas votam PS e nas autárquicas, de novo, voltam a dar a vitória ao PCP. Porque será? Ou é porque não têm alternativa, ou então escolhem o mal menor…
Será que estes eleitores são mesmo “camelos” e gostam é de viver no deserto?
Ou será que pensam : para pior já basta assim!
Uma alternativa à esquerda só é possível com uma melhor esquerda.
O PS para ser alternativa ao PCP, tem que ser de esquerda, melhor esquerda, e não basta passar a vida a dizer que o PCP é “esquerda conservadora”, até porque, o mundo de hoje, não é o mundo onde o PS foi fundado, o PREC já vai longe ( e histórias existem muitas).
O mundo mudou e o PCP também, ou será que a cultura da mudança só chega a alguns iluminados.
Hoje, por vezes, tenho a sensação que o PCP, na vida prática, no quotidiano, está mais aberto à comunidade, ao diálogo com as populações, que o PS, enquanto partido que quer ser de homens livres e solidários.
Em politica, como na vida, não basta parecer de esquerda…é preciso ser!
Dia 16 de Junho
O Bloco de Esquerda e a CUF
Na Tertúlia do Palácio troquei breves opiniões com Mário Durval, sobre a iniciativa que o Bloco de Esquerda vai promover a propósito do centenário da CUF.
O Bloco de Esquerda é o primeiro partido a ter uma iniciativa politica no âmbito das comemorações deste centenário.
Até ao momento o que se conhece é de carácter institucional, promovido pela autarquia, pela Quimiparque e pelo Grupo CUF.
O BE ao avançar com uma iniciativa no âmbito partidário está a colocar aos partidos a obrigatoriedade de falarem sobre esta temática. E abre um rubrica na agenda politica local.
Não se trata, naturalmente, de partidarizar o debate, mas trata-se de colocar o debate, para além do plano institucional, no plano do debate ideológico, na importância que os partidos políticos, como referência ideológica, devem dar a esta temática..
O BE, desta forma, chama a si a “missão politica” de aprofundar ou promover o debate, da importância da CUF, na cultura da cidade, na identidade da cidade.
Mas será que a importância da cultura gerada pela CUF, na identidade barreirense, se esgota à esquerda? Ou só pode ser analisada, apenas, de forma positiva, ou pela negativa, pela esquerda?
O BE ganha pontos com esta iniciativa e, sem dúvida, está de parabéns porque motiva os políticos para uma reflexão sobre este centenário, alarga o debate e as comemorações para uma dimensão para além da institucional, abrindo-a a iniciativas da sociedade civil.
Será que os partidos de esquerda vão deixar, apenas, nas mãos do BE a intervenção, no plano político, do debate sobre a CUF e a sua importância na cultura da cidade?
E, já agora, será que esta discussão só terá uma dimensão à esquerda, é um exclusivo da esquerda?
Para já, o BE abriu esta frente de reflexão e, mais uma vez, demonstrou que é um partido que quer agir por si e que afinal, não vai ao colo nem do PS, nem do PCP.
Dia 17 de Junho
Os artistas da Cidade
Francisco Moura vai expor na Galeria Municipal lá Para Novembro. Estive, hoje, na casa dele, numa amigável sardinhada e numa animada conversa. Falámos de tudo um pouco, da cultura da cidade, das expectativas, das ilusões.
Os artistas plásticos do Barreiro são diversos. Quando falo com eles encontro sempre sonhos e sugestões para embelezar a cidade. Projectos. Uns realizáveis com poucas verbas. Outros enfim, mais complicados.
Mas eles sonham, Sonham porque gostam do Barreiro.
Seria curioso promover um jantar, uma sardinhada, com os artistas plásticos do Barreiro. Trocar opiniões. Ouvir sugestões. Que contributos podem dar para animar a cidade?
Porque não fazer, com objectivos – e não para criar mamarrachos - Simpósios de Escultura? Ou promover Jornadas de Arte no âmbito do Dia da Cidade ou nas Festas do Barreiro ( às vezes tenho saudades daquelas Primaveras de Artes Plásticas, que decorriam no 31 de Janeiro).
A ideia que fiquei desta sardinhada com o Francisco Moura, outras vezes com o Kira, ou com outros, é que os artistas plásticos, para além da sua individualidade criadora, podiam assumir projectos de animação cultural da vida da cidade.
Fomos tomar café, passamos junto ao depósito de água da Vila Chã : “Já viste o que era fazer aqui uma exposição de escultura, por aí acima, com diversas colaborações, levando as pessoas a visitar este espaço de abastecimento de água, e, por outro lado, aproveitavam parta ver a paisagem e olhar o Barreiro numa visão diferente.” Pois? São ideias?
E, as ideias, do pensar ao realizar está o fazer ( ou, mais não seja, estudar a possibilidade de fazer).
Um coisa é certa, o Barreiro tem muitos criativos que podem ajudar a pensar a cidade, a construir a cidade, esta cidade uma “janela de muitas oportunidades”.
Pois, mas a “Cultura Administrativa”, por vezes, é muito castradora, porque reduz a vida ao foi sempre assim, é sempre assim, não há recursos…e não conta com o voluntariado, nem com paixão criadora dos cidadãos, porque isso, de facto, só é possível descobrir …numa sardinhada e na vida da cidade.













