Uma pedra redondaBom Dia, Eduardo!
São estas as nossas companhias silenciosas. Os nossos escritores. Os nossos poetas. Uma procura por dentro das palavras, uma cumplicidade de silêncio, com quem partilhamos a nossa interioridade.

Por Jornal Rostos
Eduardo Prado Coelho era uma companhia diária que eu desejava. Gostava.
Chegou a notícia do seu falecimento e um sensação de vazio se abriu num canto dos meus pensamentos.
Eduardo Prado Coelho era uma companhia que abria os dias, despertando-nos para sermos capazes de encontrar em todos os acontecimentos: num almoço, numa viagem de carro, num contacto com serviços do Estado, em todas as coisas e loisas que fazem o nosso quotidiano, um “sentido”, os seus valores e acima de tudo, ele, era um dedo que apontava a nossa consciência como quem nos dizia de forma permanente – a vida sem valores não tem sentido.
Era este encontro diário. Este pensar a vida por dentro. Este gostar do sabor dos dias. Este olhar para a vida com ideias. Podíamos concordar ou discordar. Mas as ideias tinham um sentido…e a vida com a ausência futura de Eduardo Prado Coelho vai ficar um pouco mais vazia.
Como ele próprio escrevia : “Tornamo-nos amigos de pessoas que não conhecemos porque um dia descobrimos um livro delas”.
Eu tinha Eduardo Prado Coelho como um amigo, com quem começava os meus dias, silenciosamente, por dentro das palavras, a pensar a vida e os acontecimentos que fazem a vida…o sentido dos dias.
Nunca falei com ele mais do que uma “Boa Tarde!” ou um “Bom Dia”, naquela troca de cumplicidade e olhares que, por vezes, se estabelece com um professor, que se cruza connosco nos corredores da Faculdade de Letras.
Aqui fica, pois, esta nota… “Bom Dia, Eduardo!”
António Sousa Pereira













