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Inferências

Diz que é uma espécie…de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro
Por António Sousa Pereira

A ideia que fiquei, desta primeira sessão das “Opções Participadas”, no Lavradio, é que, na verdade, existiu uma disfunção entre o discurso macro do Presidente da Câmara Municipal do Barreiro e as “inquietações” dos munícipes ao nível micro – ao nível da resolução de problemas do quotidiano.
Nota-se que existe um “deficit de debate da cidade” do “projecto de cidade” e, na verdade, quando assim é, naturalmente, é mais fácil discutir o “buraco da minha porta”.

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Diz que é uma espécie… de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro Por António Sousa Pereira

Por Jornal Rostos

Dia 15 de Outubro
“Opções Participadas” no Lavradio

No Lavradio teve início um novo ciclo de “Opções Participadas”.
Um novo ciclo que, à partida, não parece trazer nada de novo em relação ao primeiro ciclo, mantendo essa dimensão de um modelo de gestão que aposta no contacto com as populações, definida como “uma gestão de proximidade.”
Será que os cidadãos estão a aderir ao modelo? Ou será que é uma espécie de “presta contas”?

“Já viste na tua casa?”

No Lavradio um residente na Urbanização dos Fidalguinhos apresentou um conjunto de fotografias relacionadas com as mais diversas situações que registou no seu Bairro – lixo, buracos nos passeios, passadeiras por pintar…
Falou das suas razões e inquietações. Dos ratos e baratas, problemas de saúde pública.
Uma voz, exaltada, entre os presentes, que pareceu estar incomodada, comentou : “Já viste na tua casa!?”.
Esta intervenção inoportuna, levou o Presidente da Junta de Freguesia a comentar e lamentar que o munícipe fosse interrompido de apresentar as suas razões.
E fez muito bem porque esta iniciativa são “Opções Participadas” e não “Opções Controladas”.
Certamente, este, um morador recente na freguesia do Lavradio, pois a Urbanização dos Fidalguinhos remonta aos anos 90, porque…

“Vivo no Lavradio há 50 anos…”

De facto, após esta intervenção, registou-se uma curiosidade nesta reunião, os munícipes que intervieram, seguidamente, na sua maioria, começaram as suas palavras referindo : “Vivo no Lavradio há 50 anos…” ou, “Sou cidadão do Lavradio há 37 anos…”, etc.”
Esta afirmação pode parecer, à partida, como algo banal, mas, por outro lado, pode ter um sentido, de quem assume, com essa afirmação de “temporalidade de cidadania”, o direito de expressar a sua opinião, “com conhecimento de causa”.
Este discurso é “um indicador” do “estado de espírito” dos cidadãos, porque eles partem dessa realidade “vivencial de anos” para, então, comentarem, essencialmente o estado de “degradação” de alguns espaços públicos, querendo com essa referência recordar que – “não é uma situação de hoje”… tem anos. Dá que pensar…

“Vocês estão a descartar-se”

Outra nota foi a existência de algumas intervenções, embora ao nível pontual – um ou dois casos - à margem e interrompendo as intervenções que eram efectuadas pelos membros da mesa, expressando algum crescimento de “criticismo” e “desrespeito” pelos autarcas.
Sendo algo individual, não deixa de “espelhar” uma postura irreverente e um distanciamento entre o discurso dos “políticos” e o sentir do “cidadão comum”, no seu espaço do quotidiano.
“Vocês estão a descartar-se” – foi um dos comentários, a propósito de aspectos relacionados com a poluição.

O Lavradio e o Tejo

O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, na sua intervenção, apresentou aspectos globais do Plano da Quimiparque, dadas as influências desse plano na área da freguesia do Lavradio.
Poucos foram os que se preocuparam com as “ideias macro” apresentadas pelo autarca, tendo o conjunto das intervenções dos munícipes sido direccionadas para aspectos do quotidiano, das vivências do dia a dia, problemas no espaço urbano.
No entanto, foi colocado, por mim, enquanto cidadão residente no Lavradio – do tempo que ia passear até à muralha junto ao Tejo, porque não existia FISIPE, nem LBC Tanquipor, nem EDP - o problema de, no projecto apresentado, verificar-se a continuidade do “isolamento” do Lavradio na sua relação com o Rio Tejo.
O Presidente da Câmara, Carlos Humberto, considerou que esta é uma matéria que deve merecer reflexão e estudar-se no futuro desenvolvimento do projecto.
Sim, já agora, nós também poderíamos, eventualmente, ser contemplados com uma pequena área de lazer de acesso ao Tejo e com uma zona de restauração (bastava um Restaurante, ao estilo do Rosairinho), donde pudéssemos desfrutar o nosso rio.

Reabilitação Urbana do Lavradio

Nesta sessão, coloquei a preocupação de ser iniciado um processo de “requalificação urbana do Lavradio”, de ser estudado o tecido urbano tendo em vista a criação de zonas pedonais, tendo em vista a melhoria da qualidade de vida urbana.
Sei que não é um processo fácil, mas, considero que está na hora de se iniciar a reflexão sobre esta matéria, de forma a evitar-se que, no futuro, a situação possa tornar-se mais preocupante. Tenho vindo a colocar esta preocupação desde a gestão socialista. Porque vivo nesta localidade e gostava que, no futuro, este espaço urbano não se transformasse num “guetto”.
O Vereador Joaquim Matias referiu que a “reabilitação urbana não é apenas uma questão de arquitectura e de obras, é uma questão social, de hábitos de vida e de sociedade”.
E referiu, igualmente, que “há espaços públicos” e “espaços privados”, o que origina uma “conjunção de problemas”.
Por outro lado, sublinhou que está em estudo um projecto de “reabilitação urbana” que irá decorrer nas freguesias do Lavradio e Alto do Seixalinho.
Sendo de facto uma temática complexa, que não será resolvida num mandato ou, certamente, nem em dois mandatos, este é um assunto que deve merecer uma atenção especial na planificação do concelho.
Não basta resolver o problema do centro da cidade, é preciso dar uma atenção a outras zonas, porque somos um concelho polinuclear, há mesmo que diga, e, é assim que é definido no PDM – somos um “concelho cidade”.
E, de facto, concordando que esta é uma temática que não se limita a arquitectura e obras, é uma questão social, torna-se necessário abrir o debate, promover a discussão com os agentes locais e com os cidadãos.

Há um deficit de discussão da ideia de cidade

A ideia que fiquei, desta primeira sessão das “Opções Participadas”, no Lavradio, é que, na verdade, existiu uma disfunção entre o discurso macro do Presidente da Câmara Municipal do Barreiro e as “inquietações” dos munícipes ao nível micro – ao nível da resolução de problemas do quotidiano.
Nota-se que existe um “deficit de debate da cidade” do “projecto de cidade” e, na verdade, quando assim é, naturalmente, é mais fácil discutir o “buraco da minha porta”.
O Presidente da Câmara salientou que as ideias que apresentou, sobre a Quimiparque e o centro do Barreiro, são um “projecto para 15 ou 20 anos”. Recordei, então, a frase de Emídio Xavier : “Um projecto para uma ou duas gerações”.
Afinal, é esta a discussão que urge desenvolver – a ideia nova de cidade.
Que somos? Para onde queremos ir?
Já agora, fica a pergunta, em torno da futura discussão do PDM - a “cidade” é, ou não, o concelho?

Conceptualização do “conceito de cidade”

Naturalmente, não será ao nível deste modelo de “Opções Participadas” que esse debate será concretizado, devendo ser realizadas iniciativas próprias, com uma dimensão estratégica. Ou seja a apresentar ideias e discutir com agentes locais e com os cidadãos.
As “Opções Participadas” estão ao nível da “táctica”, nos caminhos, podem criar lastro para o debate, mas é preciso abrir o debate a outros níveis, na dimensão da “estratégia”, com os olhos postos no futuro, na requalificação e reabilitação das freguesias, na conceptualização do “conceito de cidade”.

António Sousa Pereira

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