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Inferências

Conversas no Palácio com José Caro Proença“O mar na génese e no futuro do Barreiro”
. Barreiro pólo de saber, pólo do prazer e pólo do fazer

- “O que tenho procurado fazer é que as pessoas conheçam o Barreiro, porque só se ama o que se conhece”.

Dando início ao ciclo de “Conversas no Palácio”, iniciativa promovida pelo jornal Rostos, foi apresentado o tema “O mar na génese e no futuro do Barreiro”.
A palestra exposta por José Caro Proença decorreu ontem, em torno de um café, no Restaurante Palácio Alfredo da Silva.

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Conversas no Palácio com José Caro Proença “O mar na génese e no futuro do Barreiro” . Barreiro pólo de saber, pólo do prazer e pólo do fazer

Por Jornal Rostos

“O Barreiro nasceu do mar e do mar cresceu”, começou por dizer José Caro Proença. Numa espécie de regresso ao passado todos os presentes se deixaram envolver numa estimulante viagem às mais remotas origens da nossa terra. Com o objectivo de comprovar não só a ligação mas a importância do mar ao longo dos milénios até aos dias de hoje os ouvintes atentos caminharam lado a lado com romanos, mouros e navegadores… pelo Barreiro de outros tempos.

Embora os vestígios mais antigos de povoamento nesta região datem de 5 mil anos atrás, a verdadeira actividade veio com a ocupação e administração romana no século I. Apercebendo-se das potencialidades da região e principalmente das frentes marítimas que o rio Tejo e o rio Coina proporcionavam, os romanos aqui se implantaram, criando um importante porto no rio Coina, um autêntico entreposto comercial em contacto, via fluvial, com os centros mineiros do interior alentejano.

Com as invasões bárbaras e a ocupação dos mouros outro importante legado é deixado ao Barreiro: a edificação de engenhos moageiros hidráulicos.

No reinado de D. João II começa o período dos Descobrimentos, sendo que a península de Setúbal sofre um grande desenvolvimento com a criação de várias novas freguesias (a freguesia do Barreiro é constituída a 12 de Fevereiro de 1487 e a carta foral é atribuída por D. Manuel I a 17 de Janeiro de 1521) e a construção de diversos equipamentos. São bons exemplos o Complexo Real de Vale de Zebro constituído por 27 fornos de cozer biscoito, armazéns de trigo, cais de embarque e um moinho de maré de 8 moendas ou Estaleiro Naval da Telha de onde diversas naus saíram rumo a destinos longínquos.
Figuras proeminentes da expansão portuguesa fazem parte da história barreirense como é o caso de Álvaro Velho do Barreiro, autor do manuscrito sobre a viagem de Vasco da Gama à Índia, D. Francisca de Azambuja, esposa do cavaleiro Álvaro Mendes de Vasconcelos perecido na batalha de Alcácer Quibir e neta de João Rodrigues, a primeira autoridade do Barreiro, D. Francisco da Gama, filho do navegador D. Vasco da Gama, entre outros.

Pólo de saber, pólo do prazer e pólo do fazer

Com época contemporânea vêm os caminhos-de-ferro, as fábricas de cortiça, a CUF e um novo Barreiro, uma nova cultura fundida pelas gentes que do Algarve e do Alentejo chegavam. Mas tudo acabou e desse Barreiro contemporâneo já pouco resta senão a esperança de um futuro grande como o passado já foi. José Caro Proença afirma-se saudoso do futuro e para o seu Barreiro gostava de ver “três centralidades descentralizadas”: pólo de saber, pólo do prazer e pólo do fazer.

Desta viagem ao passado, José Caro Proença espera mais pessoas aprendam a amar o Barreiro. “O que tenho procurado fazer é que as pessoas conheçam o Barreiro, porque só se ama o que se conhece”.

A próxima sessão de “Conversas no Palácio” já está marcada para dia 29 deste mês e terá como convidado o vereador independente da Câmara Municipal do Barreiro, João Soares.

Ângela Tavares Belo

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