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Inferências

Diz que é uma espécie…de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro
Por António Sousa Pereira
- Ilustrarte – Barreiro num olhar sobre o mundo

. Vai ser criado “Conselho Estratégico de Acompanhamento do Barreiro Velho”

A reunião da Assembleia Municipal do Barreiro valeu por duas intervenções que deram sentido à noite e, afinal, levaram-nos a pensar que existe Barreiro, para além das guerrilhas partidárias de “meia tijela”, refiro, objectivamente, as intervenções de Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro e Eduardo Cabrita, deputado do Partido Socialista.

Gostei de ver Emídio Xavier na inauguração da Ilustrarte. Senti que a sua presença, ali, não foi para reivindicar – “A Ilustrarte é minha”, mas sim como quem quis dizer – “A Ilustrarte é do Barreiro”.

10 min de leitura
Diz que é uma espécie… de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro Por António Sousa Pereira - Ilustrarte – Barreiro num olhar sobre o mundo

Por Jornal Rostos

Dia 5 de Novembro
Opções Participadas – Alto Seixalinho
. A memória na politica e a politica sem memória

Uma reunião que decorreu no Chinquilho Sempre Fixe, na freguesia do Alto do Seixalinho. Sala bem composta. Ouvidos atentos.
Anunciado que a Rotunda dos Casquilhos poderá ficar concluída em Dezembro ou Janeiro de 2009.
As críticas dos moradores do Bairro Alfredo da Silva que se consideram “marginalizados” e que apelam – “Ao menos façam a limpeza”.
“O orçamento da Câmara não passa pelo Bairro Alfredo da Silva” – referiu Manuel Pereira.
Em resposta às críticas e apelos dos moradores do Bairro Alfredo da Silva, o Presidente da Junta de Freguesia, em vez de justificar as razões e dificuldades, optou por criticar a gestão autárquica no mandato socialista, referindo que os socialistas terão dado “um rebuçado”, no valor de 150 mil euros, com a construção do Polidesportivo no Bairro, mas que esta foi uma obra “que não serve a população”.
No entanto, quando da inauguração do referido polivalente, em Junho de 2005, o autarca considerou que a Comissão de Moradores da Zona 4, tinha, “agora condições para o desenvolvimento das suas actividades.”
E por outro lado, salientou que a “inauguração do polidesportivo marcava uma primeira fase das obras, referindo ser necessário concretizar o Parque Infantil, o arranjo das zonas verdes, melhoramentos importantes para valorizar aquele espaço.”
Certamente, não foi durante a gestão socialista que, de súbito, por milagre, se tornou necessário concretizar o Parque Infantil, o arranjo das zonas verdes, melhoramentos importantes para valorizar aquele espaço.
E, certamente, que aquilo que era útil para a Comissão de Moradores, agora “já não serve a população”.
Percebemos as dificuldades da autarquia em solucionar problemas que, em alguns casos, como este no Bairro Alfredo da Silva, não serão da sua responsabilidade directa, mas, este é, de facto, um problema que se arrasta no tempo, porque há sempre outras prioridades.
O Polivalente inaugurado em 2005 é bonito e, sem dúvida, foi uma valorização do Bairro.
Outra gestão poderia ter tido outra prioridade. Seria uma opção.
Para não dizer que antes da gestão socialista existiram outras gestões.
Porque, perde-se no tempo, aos anos 75, com trabalho voluntário da população, outras memórias de melhoramentos…
Mas, a politica tem estas coisas…e muitas vezes por tácticas pontuais e partidárias, até perde a memória.

Dia 6 de Novembro
Opções Participadas – Barreiro
. Vai ser criado “Conselho Estratégico de Acompanhamento do Barreiro Velho”

De acordo com o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, vai ser constituído um “Conselho Estratégico de Acompanhamento do Barreiro Velho” que visa envolver os mais diversos agentes, desde colectividades a escolas, proprietários e autarquias, no sentido de todos apontarem soluções que perspectivem a resolução dos complexos e diversificados problemas que afectam aquele território do concelho do Barreiro.
O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro sublinhou a criação deste “Conselho Estratégico de Acompanhamento do Barreiro Velho” no âmbito do que considera ser necessário dinamizar – “uma visão integrada dos problemas e a procura de caminhos” – que, referiu, deve contar – “com o contributo de todos”.
O autarca salientou que o IMI – Imposto Municipal sobre Imóveis vai sofrer reduções para os proprietários que recuperem os seus edifícios no Barreiro Velho e no Bairro das Palmeiras.
Estas notas surgiram a propósito da intervenção do cidadão António Caboz Gonçalves que, frontalmente, voltou a colocar, em plenas “Opções Participadas” – um espaço que se deseja de vivência de cidadania – as suas propostas sobre o Mercado da Rua do Marquês”.
Tendo o Presidente da Câmara, Carlos Humberto, referido que “todos os contributos para encontrar uma solução para o Barreiro Velho” serão considerados na “procura de caminhos”.
Por seu lado, Joaquim Matias, referiu que está em marcha a elaboração de um “Plano do Barreiro Velho” que em breve vai ser colocado à discussão na Câmara, tendo por base a reflexão que os problemas do Barreiro Velho, são “problemas urbanísticos, culturais e sociais”.
Nesse sentido anunciou a criação de um FORUM DE DISCUSSÃO DO BARREIRI VELHO.
Esperemos a divulgação do esboço do “Plano” e esperemos a criação do “Fórum de Discussão”, com a consciência que os problemas do Barreiro Velho vão levar décadas a solucionar mas, também, com a certeza que quanto mais se for adiando a procura de soluções, mais difícil será descobrir o caminho e percorrer esse caminho.
É tempo de pôr fim ao adiar…com base na concepção : “o tempo resolveu, o tempo resolve…ou o tempo há-de resolver”.

Dia 7 de Novembro
O que é ser comunista hoje

A propósito do 90º aniversário da Revolução Russa, o jornal “Público” editou um trabalho, com amplo destaque, tendo como tema : O que é ser comunista hoje?
Por vezes, parece que ao colocarem este tipo de pergunta está a ser equacionado que ser comunista hoje, será algo diferente de ser comunista ontem.
A pergunta poderá ser colocada a outras dimensões : O que é ser Católico hoje? Ou o que é ser Socialista hoje? Ou o que é ser social democrata hoje?
O homem é ser racional. É isso que o distingue.
As concepções ideológicas têm génese. Há uma arqueologia das ideias.
As ideias têm a sua construção no tempo e no espaço.
Quantas vezes em nome de ideias nobres o homem cometeu os mais hediondos crimes? Em nome de Deus e da razão!
Os fundamentalismos não existem de hoje.
Não penso, nem nunca pensei, que o comunismo tem os dias contados.
Não penso nem nunca pensei que as ideias comunistas são um erro histórico.
Erros? Cometeram-se em nome de muitas “fés”!
Mas é uma boa reflexão, essa, de pensar o que é ser comunista hoje.
Pois, acima de tudo é integrar um “movimento de pensamento e reflexão mundial”, muitas vezes pragmático, com visões diferentes, de acordo com as perspectivas históricas locais e influências históricas.
Muitos erros continuarão a ser cometidos no futuro, em nome do comunismo. Como serão cometidos em nome de Alá, ou de Deus.
Há uma distância entre as ideias, o que se diz e o que se faz…e na politica então!
Acima de tudo, no ser ou não ser, isto ou aquilo, o importante seria que a ética – fundamentalmente a ética – existisse de forma viva, no modo de ser e estar : comunista, socialista, social democrata, democrata cristão, católico…porque é tempo de humanizar a humanidade.

Dia 8 de Novembro
A lição de José Caro Proença

Foi agendada pelo jornal “Rostos” a primeira “Conversa do Palácio” que teve como protagonista José Caro Proença.
Digo-vos que esperava uma conversa cansativa e monótona.
José Caro Proença falou durante 145 minutos, para uma mesa de 13 pessoas.
O que é de admirar, para além das ideias expostas, sobre o tema :“O mar na génese e no futuro do Barreiro” – foi a lucidez, de um homem a caminhar para os 90 anos, que ainda pergunta : “Digam-me que posso eu fazer para ajudar o Barreiro a transformar-se”.
Uma reflexão sobre a evolução do território e a sua “utilização” no contexto da Área Metropolitana de Lisboa e o seu significado nas politicas de desenvolvimento do país, ao longo da história.
O Barreiro sempre na linha da frente – na época dos descobrimentos, na implantação da rede ferroviária, na industrialização…e com futuro!
Parabéns Proença. Gostei de o ouvir e …afinal não foi uma “seca”.

Dia 9 de Novembro
Assembleia Municipal do Barreiro – uma emissão especial do “Canal Memória”

A reunião da Assembleia Municipal do Barreiro tendo como único ponto da ordem de trabalhos a análise do processo de requalificação e Reordenamento do território da Quimiparque, foi mais um “fait divers” da vida politica local.
A reunião valeu por duas intervenções que deram sentido à noite e, afinal, levaram-nos a pensar que existe Barreiro, para além das guerrilhas partidárias de “meia tijela”, refiro, objectivamente, as intervenções de Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro e Eduardo Cabrita, deputado do Partido Socialista.
Quem se deslocou à reunião da Assembleia Municipal do Barreiro com a ideia que poderia assistir a um primeiro debate político – que fosse meramente político - sobre a estratégia e perspectivas para o território da Quimiparque, certamente saiu desiludido.
Retirando a intervenção inicial do Presidente da Câmara Municipal do Barreiro que deu ao debate uma dimensão institucional, enquadrando o debate e a sua reflexão numa visão de desenvolvimento estratégico e de afirmação do concelho do Barreiro na Área Metropolitana de Lisboa, deixando claro que, mais que discutir o passado – se o Barreiro foi ou não mal tratado – o importante será gerar parcerias que perspectivassem o futuro do Barreiro.
Por outro lado, a intervenção de Eduardo Cabrita, deputado do Partido Socialista, sublinhando que o Barreiro está numa encruzilhada – ou continua o caminho do declínio que tem vindo a marcar as últimas décadas, com a perda da sua importância e competitividade económica, ou então retoma o seu papel de centralidade, rasgando o caminho para o século XXI.
Estas foram as duas intervenções que deram um sinal positivo ao debate da Assembleia Municipal do Barreiro porque, o restante, no essencial, fez na verdade, acima de tudo, pensar que estávamos a assistir a uma sessão do “Canal Memória”.
O PS teima nesse discurso que, não faz sentido nenhum, colocado da forma que é colocado, sobre o “direito à paternidade” do projecto Quimiparque. E nisto, certamente, falta-lhe memória.
A CDU por outro lado, igualmente, procura assumir o protagonismo do projecto. Também tem falta de memória.
Enfim, uma sessão verdadeiramente marcada pelo “replay”, pelas evocações, pelo colocar em bicos de pés – eu sou melhor que tu – um autêntico “Canal Memória”.
O futuro ficou por discutir…
Uma nota final – Saudar o regresso de Hélder Madeira que, após um período de convalescença, retomou as suas funções na condução dos trabalhos.

Dia 10 de Novembro
Ilustrarte – um olhar sobre o mundo

Gostei de ver Emídio Xavier na inauguração da Ilustrarte. Gostei pelo simbolismo da sua presença.
Porque o importante das ideias e projectos não reside em quem os lançou, mas sim no contributo para o desenvolvimento da vida local.
Senti que a sua presença, ali, não foi para reivindicar – “A Ilustrarte é minha”, mas sim como quem quis dizer – “A Ilustrarte é do Barreiro”.
Gostei de Carlos Humberto a recordar, com emoção, que, naquele dia, se fosse vivo, Álvaro Cunhal, um importante ilustrador, comemoraria o seu 94º aniversário.
A Ilustrarte é um exemplo vivo dos caminhos que o Barreiro precisa percorrer, na sua afirmação como cidade cultural, com projectos de referência para a Área Metropolitana de Lisboa.
Uma cidade aberta à criatividade e ao mundo…

Dia 11 Novembro
Ponte Beato – Montijo

Em noticia divulgada no jornal “Público” a empresa responsável pelo projecto da rede de Alta Velocidade, afirma que a proposta da CIP causaria mais demolições que a Ponte Barreiro-Chelas.
Refere ainda que para a Ponte Barreiro-Chelas já está estudada a localização dos pilares, tarefa que foi fácil, porque desde os anos 80 que existe “um corredor reservado para terceira travessia do Tejo”.
Esperemos que estes dados ajudem a que sejam tomadas opções que contribuam para “desencravar” o Barreiro, e “criar um subúrbio de qualidade”, como há dias referia, no seu Editorial, José Manuel Fernandes, Director do jornal “Público”.
Uma notícia, afinal, que abriu a porta à esperança e pensarmos que, certamente, a Ponte Barreiro- Chelas pode vir a tornar-se uma realidade.

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