Assembleia Municipal do BarreiroEntre os “fait divers” e a discussão da “paternidade” da Quimiparque
Enfim, são as malhas que o PC tece…
Esta discussão da “paternidade” do Projecto Quimiparque tem a sua piada e não ajuda nada a encontrar caminhos.
Cá por mim, que não percebo nada disto, aconselho, se quiserem encontrar os “progenitores” do cenário, actualmente existente, de debate sobre o futuro território da Quimiparque, então, recuem no tempo e podem entregar essa paternidade a dois pais : Sardinha Pereira e Luis Tavares.

Por Jornal Rostos
Assembleia Municipal do Barreiro
COMENTÁRIOS
– 9 de Novembro
Sobre a última reunião da Assembleia Municipal do Barreiro aqui ficam alguns comentários.
1. Sobre a criação de uma Comissão de Acompanhamento
Não se percebe qual o perigo que vinha para o mundo se fosse aprovada a criação de uma Comissão de Acompanhamento, no âmbito da Assembleia Municipal do Barreiro, para gerar um espaço de reflexão sobre o projecto Quimiparque.
Aliás, dando continuidade ao exemplo seguido em relação ao Centro da Cidade.
Já agora dizer, que esta Comissão criada sobre para acompanhamento do Centro da Cidade pode e deve, discutir no seu seio, o projecto Quimiparque, dado que na discussão do centro é óbvio que vai estar em análise a sua expansão e articulação com o território da Quimiparque.
Portanto, o PS, PSD e BE, se quiserem fazer discussão politica sobre a Quimiparque, podem iniciar desde no âmbito da Comissão do Centro da Cidade, trocando as voltas à cegueira politica do PCP/CDU.
O argumento político que o PCP/CDU deveria ter usado para criticar a proposta apresentada, poderia ter tido como base o critério apontado para a sua composição, dado que a força politica com maioria absoluta na AMB, passava a estar em minoria na referida Comissão (a proposta referia como composição – Presidente da AMB e um representante de cada força politica). Isso era politicamente injusto.
Se a Comissão de Planeamento da AMB não funciona e deverá funcionar, não é argumento para rejeitar a criação desta nova Comissão, quando se aceitou a criação da Comissão para o Centro da Cidade.
Mas, já agora, ninguém referiu e seria interessante saber – Quantas reuniões já fez a Comissão de Acompanhamento do Centro da Cidade? E se já reuniu que reflexões efectuou sobre a articulação do Centro da Cidade com a Quimiparque?
Enfim, a Comissão não foi aprovada, não se percebe porque razões…enfim, são as malhas que o PC tece.
Se esta Comissão tivesse sido aprovada o mais certo é que seria mais uma Comissão. Ponto Final.
Assim, a oposição vai ficar a contestar que o PCP/CDU não quer o abrir o debate do projecto Quimiparque às restantes forças políticas.
Enfim, lá vamos para mais uns episódios da política do “fait divers”…
2 . A paternidade do Projecto Quimiparque
Esta discussão da “paternidade” do Projecto Quimiparque tem a sua piada e não ajuda nada a encontrar caminhos.
Cá por mim, que não percebo nada disto, aconselho, se quiserem encontrar os “progenitores” do cenário, actualmente existente, de debate sobre o futuro território da Quimiparque, então, recuem no tempo e podem entregar essa paternidade a dois pais : Sardinha Pereira e Luis Tavares.
Foram eles que, contra ventos e marés abriram caminho para que este território possa estar hoje em discussão, a ser valorizado e colocado ao serviço do Barreiro, quando arrancaram com a ideia de implementação do Parque Empresarial Quimiparque.
Fiquemos por aqui…mas, eu, ainda guardo na memória a BARRIND 89. Coisas.
E, já agora, gostava de lembrar a importância do processo da ETRI no despoletar do debate sobre um novo futuro para o território, com base no especificado no PDM.
Aproveitem e vejam o que define o PDM para o território do Quimiparque.
E ainda, gostava de lembrar, o contributo do projecto de Manuel Salgado, encomendado por Pedro Canário ( embora de costas voltadas para a Quimiparque), para as soluções que actualmente estão adoptadas.
O Masterplan é uma resposta, pela positiva ao projecto do Arquitecto Manuel Salgado.
E, já agora, no âmbito desta discussão, aconselhava uma leitura da Resolução do Conselho de Ministros n.o 68/2002 .
Aliás, esta Resolução tornou-se o “fio condutor” do debate que o Partido Socialista introduziu no concelho do Barreiro, sobre a necessidade de ser definida uma “visão estratégica” para o concelho e para a cidade. Este é mérito PS.
O PS teve este mérito e esse era um capital político que deveria valorizar que foi, o trazer para a opinião pública, numa acção pioneira, a promoção de um debate estratégico sobre o futuro do concelho.
Isto sim valia a pena valorizar, a discussão que promoveu sobre - “Barreiro 2020”, com o PROTAML como pano de fundo.
Este trunfo nunca será retirado na história autárquica do Barreiro ao Partido Socialista,
Quanto à paternidade do projecto Quimiparque, não precisa, nem devia preocupar-se, porque não é o pai, nem sequer é “pai proveta”.
E quanto ao PCP/CDU querer a paternidade, basta recordar como lhe faltou garra e gana para discutir uma ideia estratégica de cidade no período pós desindustrialização, assim como, a discussão inglória e sem perspectivas que foi travada com e pelos “elefantes brancos” da Quimigal.
Foi preciso a ETRI para despoletar uma discussão que estava adiada e vinha anunciada desde PROT- AML, no ano de 1992, e já estava em “emergência” no PDM, no conceito – “concelho cidade” .
O PS teve esse mérito de colocar na agenda da cidade a discussão de uma “ideia de cidade polinuclear” e não soube aproveitar esse capital, enquanto liderou os destinos do concelho, e continua, nos dias de hoje, a discutir o acessório – “O Quem foi? – quando devia discutir-se – “O Como fazer?” e apresentar alternativas.
O PCP/CDU percebeu esta realidade, sabe, hoje, claramente, que lhe faltou, ao longo de décadas, discussão estratégica e hoje, aponta o debate de ideais, a discussão de estratégia.
Aliás, faça-se justiça, no Programa Eleitoral do candidato Carlos Maurício, sublinhe-se, já se sentiam esses sinais de uma nova visão de cidade – “A Cidade Verde - que tinha a sua conceptualização com base no Plano Municipal do Ambiente, em emergência, com base num Protocolo com a Universidade Nova.
Esta foi uma herança que o PS, em boa hora recebeu, e soube dinamizar, no contexto de uma nova forma de discutir a cidade.
Hoje, muitas vezes confunde-se “visão estratégica” com “estratégia”, ou “visões sectoriais” com a “visão global”.
Mas discute-se futuro, ou procura-se discutir futuro.
O PCP/CDU só perde na discussão com o PS, nos dias de hoje, quando desce ao nível do PS, ou seja, ao debate das “paternidades”, ou quando sectariamente, quer culpar o PS de todos os males, e parece que esquece que foi responsável pela gestão do concelho em todo o tempo restante, para além da gestão socialista.
Por todas estas razões é que considero que a reunião da AMB foi um filme do “CANAL MEMÒRIA”…com muitas cenas esquecidas, dependendo do realizador e dos objectivos “propagandísticos”.
Não gostei do nível do debate, marcado por politiquice partidária de meia tijela que não ajuda o Barreiro a encontrar caminhos.
Esta reunião da Assembleia, não fora a intervenção inteligente de Eduardo Cabrita ( até ao ponto de querer politicamente dar a entender que há dois PCP, o que para um partido como o PCP é bombástico), sublinho se não fosse esta intervenção e, também, a postura institucional e intervenção do Presidente da Câmara, Carlos Humberto, tinha sido um debate vazio de conversas de esquina, da minha boneca é melhor que a tua ( como diria Mário Durval, e, diga-se, o Bloco de Esquerda não teve inteligência para o dizer, porque, na AMB, parece que está preso nas mãos do PS).
2. Sobre os juízos de valor
Fernanda Moreno, PS, numa breve intervenção alertou para algumas posturas da bancada do PCP/CDU que, muitas vezes, utilizam figuras de estilo a lançar sobre os “outros” juízos de valor.
Só que este não é um problema só da bancada do PCP/CDU, também da bancada do PS, existem esse tipo de comentários e juízos de valor.
De um lado os “bons” do outro lado “os maus”.
Gostei da intervenção de Fernanda Moreno, simples e concisa.
Depois, veio Eduardo Cabrita, falar do sectarismo do PCP/CDU. Foi o caldo entornado.
Depois Carlos Humberto, com o Programa Eleitoral do PCP/CDU.
Em suma, nestas coisas de sectarismo, as duas forças politicas do “bloco central do Barreiro”, muitas vezes estão uma para a outra…num constante dilema de “quem não está por mim está contra mim”, ou “os melhores do mundo somos nós”, porque foi esta, a “cultura de cidade” que forjou o século XX.
Será que estamos a tempo de libertar os fantasmas e partir para a construção de uma cidade onde se discutam ideias, confronto de diferenças e seja posto ponto final aos “ódios de estimação”.
Não foi por isto que esta CIDADE DA LIBERDADE lutou!?
3. A politica partidária acima da cidade
O Deputado João Pintassilgo, PS e o Deputado Rui Ferrugem, PCP/CDU, marcaram esta reunião da Assembleia Municipal com exemplos vivos do que é conduzir uma discussão apenas com a finalidade de “justificar” razões partidárias.
È quase, de facto, caso para dizer : o Rui Ferrugem está para o João Pintassilgo, no PS, como o João Pintassilgo está para o Rui Ferrugem, no PC. Estão empatados.
Politicamente, quer um, quer outro, cumpriram o seu papel, com voz forte, agitação. Foram dois verdadeiros gladiadores. Argumentos mais argumentos, procurando provar – Quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha!
Certamente, foram essas as estratégias definidas pelos “estados maiores” dos respectivos partidos, defender e valorizar o próprio umbigo.
Cumpriram bem. É assim, a politica exige...
Mas, pena é que, a discussão sobre a Quimiparque, seja feita a este nível.
Mas, assim, discutindo o futuro da cidade, neste patamar o Barreiro pouco tem a ganhar.
Os vossos partidos podem estar satisfeitos com as vossas prestações, por isso…durmam descansados.
António Sousa Pereira













