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Inferências

Conversas no Palácio com João Soares“Qualquer eleito, mesmo que não seja propenso da força política dominante, deve defender os interesses do Barreiro e não do seu partido político”

Dois anos de vereador independente na Câmara Municipal do Barreiro

Ontem realizou-se, no Restaurante Palácio Alfredo da Silva, mais uma “Conversa do Palácio”, desta feita com a participação do vereador independente da Câmara Municipal do Barreiro, João Soares, sob o tema: “A experiência de dois anos como Vereador Independente”. E dessa experiência, que diz ter sido “enriquecedora”, traçou o seguinte comentário: “por ser um vereador independente não sou nem menos responsável, nem menos exigente de que quando era vereador do PS”.

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Conversas no Palácio com João Soares “Qualquer eleito, mesmo que não seja propenso da força política dominante, deve defender os interesses do Barreiro e não do seu partido político”

Por Jornal Rostos

“ (…) Não me sinto nada satisfeito por ter tomado esta decisão mas agora sinto-me bem comigo próprio”

“Posso afirmar e dizê-lo que sou independente, que não estou dependente de nenhuma força política”, começou por afiançar o vereador João Soares no início da conversa e de modo a esclarecer qualquer dúvida acrescentou que a Comissão de Dados do Partido Socialista informa que já não é militante do partido. Uma medida que diz ter tomado por “desencanto, por um lado, e por outro, por uma revolta muito grande que senti relativamente ao projecto que abracei em 92” e fundamenta: “ O PS parecia que se preocupava mais com a crescente da personalização e não tanto com o projecto da terra onde vivemos”. Mas adverte: “não é que esteja orgulhoso que a situação tenha acontecido, não me sinto nada satisfeito por ter tomado esta decisão mas agora sinto-me bem comigo próprio”.

“Qualquer eleito, mesmo que não seja propenso da força política dominante deve defender os interesses do Barreiro e não do seu partido político”

E no seu entender, considera que a política tem de ser vivida “em prol do progresso e da qualidade de vida das populações”. Entendendo que: “Esse é o problema principal, todos temos de estar do mesmo lado, o Barreiro” e, nesse sentido, adianta que os partidos políticos embora possam ter diferentes projectos “têm objectivos comuns”, que é estarem do lado das populações. E comenta: “lá por não estarmos a liderar como força política maioritária, não podemos mudar de opinião quando passamos para a oposição” e acrescenta: “qualquer eleito, mesmo que não seja propenso da força política dominante deve defender os interesses do Barreiro e não do seu partido político”.

“Sozinho e isolado não faço nada, mas agora estão-me a ser dadas as condições para o poder fazer”

Quanto à sua postura enquanto político diz ser: “tento ser o mais correcto nas posições que tomo e responsável nas atitudes que tenho perante as minhas responsabilidades na Câmara”. E apesar de vereador independente, não deixa de considerar importante o apoio de um partido político, tendo por base a ideia: “acredito que a grande força da democracia é através dos partidos políticos” e é imbuído nesse pensamento que refere: “sinto-me um pouco isolado, não tenho um aparelho por detrás de mim que me dê algum suporte de que necessito”, mas ainda assim, remata: “sozinho e isolado não faço nada, mas agora estão-me a ser dadas as condições para o poder fazer”.

“Não há uma boa governação se não houver uma boa oposição”

Assim como entende que a mentalidade das pessoas pode ir mudando, também considera que o mesmo pode acontecer aos partidos políticos e sublinha: “O PS começou a ter uma actividade de desempenho diferente do que tinha sido apanágio neste concelho” e sustenta que até 1991/93 o partido “viveu muito de processos eleitorais”, ao que comenta: “não tinha uma actividade política constante”, o que diz ter mudado desde então: “transformou-se num partido da população, de contacto com as necessidades da população” e considera que a presença do Partido Socialista enquanto executivo na Câmara Municipal foi “bastante bom” para o Barreiro, ao que comentou: “obriga a novos ares” e acrescenta ainda: “Não há uma boa governação se não houver uma boa oposição”.

“O que não entendo é porque é que os projectos que foram encetados pelo PS deixaram de ser defendidos pelo PS”

Quando questionado com o facto de se ao sair do Partido Socialista, um partido pelo qual foi eleito, abandonou os projectos que eram defendidos, sustentou: “Não vejo projectos nenhuns a decorrer com os quais o PS não se identificasse” e acrescenta: “o que está a ser posto em prática está é a ser feito por pessoas diferentes”, referindo-se fundamentalmente ao Projecto Polis, ao para a Quimiparque e ao da Revitalização do Centro do Barreiro. Mas lança uma interrogação: “O que não entendo é porque é que os projectos que foram encetados pelo PS deixaram de ser defendidos pelo PS”, dúvida que diz também ter contribuído para o desencanto que sentiu pelo partido. Do projecto para o Barreiro de reutilização das zonas ribeirinhas, que está a ser levada a cabo através do Polis, diz ser uma ideia sempre defendida pelo Partido Socialista.

“Optei favoravelmente, porque acredito que esta solução seria a que o PS iria votar se estivesse à frente da Câmara, só não percebo é porque o PS não tomou essa decisão”.

A respeito da construção do novo Mercado 1º de Maio, projecto que a Câmara Municipal do Barreiro acordou com uma empresa da especialidade sob a orientação do arquitecto Juan Busquets, assim como acontece com o Parque de Estacionamento, e perante a interrogação de um dos presentes sobre o projecto do Partido Socialista, enquanto executivo na Câmara, para esta praça, considerou: “como vereador, na altura até estive à margem dos processos, mas o que sempre ouvi foi que a opção da construção do Mercado 1ºde Maio no local onde está seria a sua própria opção, do ex-presidente da Câmara” e adianta que: “a Câmara não tem condições para o fazer por si só”. E sobre esta questão e reforçando a necessidade de uma intervenção nesse local, disse: “A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) só não interveio no mercado, em virtude de saber que a Câmara está num processo de transferência para um mercado novo”. E da sua decisão comentou: “Optei favoravelmente, porque acredito que esta solução seria a que o PS iria votar se estivesse à frente da Câmara, só não percebo é porque o PS não tomou essa decisão”. “Votar com consciência e coerência”, é a postura que diz fazer parte da sua forma de estar na política.

Protecção Civil, para criar respostas para as situações de calamidade e de urgência

Acerca da área da Protecção Civil, pela qual é responsável enquanto vereador, diz fazer parte da sua função sensibilizar o próprio executivo para as questões que envolvem esta matéria, de modo a que estejam sempre preparadas respostas para as situações de calamidade e de urgência. Do que foi feito, nesse sentido, falou na estruturação do Plano Municipal de Emergência, do Plano de Comunicações, o que diz que o Barreiro hoje também já dispõe e acrescenta ainda o trabalho no terreno ao nível da Comissão de Saúde, levada a cabo através de simulacros de modo a testar a capacidade de resposta dos munícipes e das forças de intervenção, e deu como exemplo o simulacro realizado no âmbito das situações de calor.

“Não renego esse percurso extremamente útil para a minha formação enquanto homem e cidadão”.

Vereador independente há dois anos na Câmara Municipal do Barreiro, tendo como pelouros a Protecção Civil, e respondendo pelas áreas do trânsito, mercados e cemitérios, João Soares, de 52 anos, está na Câmara Municipal do Barreiro há cinco anos e refere ter sido “vereador por acaso”, uma vez que diz ter concorrido para presidente da Junta de Freguesia do Alto Seixalinho. Sem esconder que o desencanto com o partido, do qual foi militante, começou a surgir, após a morte do deputado socialista Aires de Carvalho, foca a importância da sua militância no Partido Socialista e não deixa de sublinhar: “não renego esse percurso extremamente útil para a minha formação enquanto homem e cidadão”, referindo: “vim para uma força política porque senti que era necessário o apoio de um conjunto de pessoas para pôr em prática as nossas ideias”.

E para a próxima “Conversa do Palácio”, ainda sem data agendada, o convidado será o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto. Uma iniciativa do jornal “Rostos”, com o apoio do Restaurante Palácio Alfredo da Silva, e que se define como um espaço de debate e de reflexão sobre a vida local.

Andreia Catarina Lopes

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