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Inferências

Diz que é uma espécie…de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro
Por António Sousa Pereira
Mais do que “saber ter” o importante é “saber ser”

João Soares, esclareceu e demonstrou com documentos que, a seu pedido, se encontra desvinculado do Partido Socialista.
No entanto, sublinhou que não é por essa razão que deixou de “ser socialista” e considera que a melhor forma de lutar pelas suas ideias e por aquilo que, como socialista defende para o Barreiro, é ter assumido pelouro e estar a trabalhar pelo desenvolvimento do Barreiro.

Gostei de ver a bandeira da SIRB “Os Penicheiros” sobre a sua urna, de Artur David, mas, digo-vos, gostava que a bandeira da cidade do Barreiro, que ele sempre serviu, tivesse sido colocada lado a lado…

Nas memórias do território do Lavradio, foram retiradas, de há muito, as suas relações com as memórias dos “Fornos do Vale de Zebro”, de Palhais e da sua importância histórica na região.

13 min de leitura
Diz que é uma espécie… de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro Por António Sousa Pereira Mais do que “saber ter” o importante é “saber ser”

Por Jornal Rostos

Dia 26 de Novembro
Arsenal do Alfeite está perante uma encruzilhada

No Rotary Clube do Barreiro esteve em reflexão o Arsenal do Alfeite, sendo possível perceber que, na verdade, aquela importante estrutura industrial, durante décadas viveu, evoluiu e desenvolveu-se no contexto da nossa realidade geo-estratégica.
Nos dias de hoje, o Arsenal do Alfeite está perante uma encruzilhada.
É evidente que a Marinha Portuguesa, na sua realidade actual e futura não tem dimensão para dar trabalho a uma unidade industrial com mais de 1300 trabalhadores.
Nesse sentido, parece óbvio, que é urgente definir estratégias que contribuam para preservar, desenvolver e manter esta unidade industrial, porque o país não pode perder as suas potencialidades tecnológicas.
Por um lado, é necessário potenciar e valorizar o saber acumulado de diversas gerações, por outro lado, é necessário formar as novas gerações.
A lição a retirar desta conversa, no Rotary Clube do Barreiro, é que o adiar de soluções e indefinições, só arrastam no tempo a definição de caminhos rumo ao futuro.
A ideia que fiquei, pelo exposto, é que o Arsenal do Alfeite tem pernas para andar, tem valiosos recursos humanos e espaços tecnológicos, únicos, que podem ser colocados ao serviço da Marinha e do país.
A ideia que fiquei é que as discussões arrastam-se e os investimentos agendados continuam por concretizar.
A ideia que fiquei é que existem condições para que o Arsenal do Alfeite seja colocado na rota da prestação de serviços, para unidades da Marinha da Europa, alargando a sua dimensão e potencialidades.
Mas, a ideia que fiquei é que está tudo em “linha de espera”, naquela nossa eterna característica de adiar os problemas em vez de encontrar soluções…até um dia!

Dia 27 de Novembro
Mais do que “saber ter” o importante é “saber ser”

A nossa vida não é estanque. Não somos uma coisa aqui e outra coisa ali. Por vezes, pode parecer, mas nem tudo o que parece é…como nem tudo o que luz é ouro.
Uma das coisas mais importante para fazermos na vida é sabermos ser, mais do que saber ter, o importante é saber ser. É difícil mas é possível.
Uma cidade faz-se nas diferenças. Uma cidade faz-se no contraditório. Uma cidade faz-se sempre, como diria Hegel, num combate entre o “velho” e o “novo”, que conduz a “outra coisa”, e, assim, sucessivamente, transportando a marca do progresso.
Foi este o caminho feito por outros antes de nós, é este o caminho que nós estamos a fazer.
Só que hoje, o ritmo e a velocidade dos acontecimentos exigem outras dinâmicas.
Talvez, o importante, o essencial, mais que o acessório, é sabermos que nos mantemos de pé, de cabeça erguida e que, acima de tudo, continua a valer mais, muito mais, o ser… ao ter!
Nem toda a gente compreende isso, porque, afinal, há os que pensam que toda a gente tem um preço.
É por isso que, acreditem, admiro todos aqueles que lutam por ideias, vivem por ideias, trabalham por projectos ( até posso discordar dos seus pontos de vista) mas admiro-os e respeito, porque lutam por valores, lutam por ser…com um sentido de missão.
Foi a lição que aprendi no dia de hoje…coisas de “Mula Velha”.

Dia 28 de Novembro
Este foi um dia de festa com a família a alargar

A Rita comemorou o seu aniversário. Estivemos todos em festa a comemorar.
Às vezes, quando olho para a minha vida, para os dias vividos, para os sentimentos que marcaram o tempo percorrido, uma das principais coisas que emerge, senão mesmo a principal, é a minha família – a Lurdes e os meus filhos.
Recordo que, em certos momentos, senão existisse este laço familiar, este lugar de encontro comigo e com todos eles, teria perdido referências.
Recordo como era importante ter um lugar onde me encontrar, naqueles dias (alguns anos) que a vida, por vezes, era marcada por vazio. Resisti. Os meus filhos e a família foram uma âncora nos meus dias de silêncio.
Recordo, como se fosse hoje, o dia que a minha Rita nasceu, a alegria que senti, a forma como desci a escada a correr para anunciar aos avós, que era uma menina, a seguir ao meu Miguel, e, naquele tempo, ainda a Marta estava para chegar, uma década depois.
Recordo que, nesse mesmo dia a coloquei como associada do Sporting Clube Lavradiense, no mesmo dia em que foi inaugurado o renovado Salão de Festas.
O tempo passou, a Rita cresceu.
Este foi um dia de festa, com a família a alargar…e um sentimento interior que, afinal, vale a pena viver e que, sem dúvida, a vida tem um sentido belo e sublime, que nós devemos ser capazes de legar aos nossos filhos – a dignidade!

Dia 29 de Novembro
João Soares está desvinculado do Partido Socialista

Realizou-se mais uma “Conversa do Palácio” tendo como convidado o João Soares, vereador independente da Câmara Municipal do Barreiro.
A propósito do facto de divulgarmos que a conversa era com o Vereador Independente João Soares, foram estabelecidos alguns contactos, referindo que era errado divulgar que a conversa era com “um vereador independente” porque, sublinhavam que João Soares continuava a ser “militante” do Partido Socialista, com as quotas em dia.
Por essa razão, a conversa começou, precisamente, com esta matéria, de forma que, o autarca, esclarecesse a sua situação.
João Soares, esclareceu e demonstrou com documentos que, a seu pedido, se encontra desvinculado do Partido Socialista.
No entanto, sublinhou que não é por essa razão que deixou de “ser socialista” e considera que a melhor forma de lutar pelas suas ideias e por aquilo que, como socialista defende para o Barreiro, é ter assumido pelouro e estar a trabalhar pelo desenvolvimento do Barreiro.
Recordou que, não percebe, como, actualmente, o Partido Socialista se afirma contra certas situações quando, no poder, lutou por essas realidades.
Sublinhou que, acima das posturas partidárias devem estar os interesses da cidade e dos barreirenses.
Expressou os seus sentimentos de quem lutou para que o PS deixasse de ser um “partido sazonal” e que se afirmasse como um partido com um projecto para a cidade.
Foi uma conversa que permitiu um diálogo vivo e interessante com o autarca e com o homem João Soares.
Uma noite agradável que juntou cerca de duas dezenas de pessoas à volta da mesa para conversar e dialogar sobre a cidade, pessoas oriundas do PCP, PS, PSD ou sem partido, mas, que estavam ali, com essa vontade única de, com frontalidade, olhos nos olhos, conversar e respeitarem-se como pessoas que vivem na mesma cidade e que sonham o melhor para a cidade.
Fica o registo e o agradecimento ao João Soares pela sua disponibilidade de dar a cara…com verticalidade!
Mas, já agora, apesar de ter pedido a sua demissão, certamente que, em qualquer momento que João Soares poderá regressar ao seu PS, naturalmente, que, ali, terá as portas abertas. Ninguém o mandou embora, foi ele que se afastou…ou como quem diz, “suspendeu” a sua actividade num partido que, como ele disse, alguns, pretendiam impor coisas contra a sua vontade e de muitos que lutaram por um PS vivo e activo na vida da cidade…com pelouros!
Pois, e, afinal, recordou que com a gestão comunista (os tais “maus” que tudo fazem mal) tem sido motivado a participar e a debater situações dos seus pelouros, alguns que também, assumiu na gestão socialista e, que, na altura, existiram coisas que chegaram a passar-lhe ao lado…apesar de ter essas mesmas responsabilidades.
Fica o registo!

Dia 30 de Novembro
Pensar as razões que levam os trabalhadores a lutar

Foi de dia de “Greve na Função Pública”. Os autocarros pararam no Barreiro. Nas autarquias a adesão à greve terá rondado mais de 95%. No Hospital do Barreiro os enfermeiros pararam na ordem dos 93 %
A Greve foi sentida. Registou-se a habitual guerra dos números.
É verdade que a reforma do Estado tem que ser feita. É verdade que este país tem que deixar de ter o seu suporte de vida no Estado.
É verdade que existe uma pesada herança do papel do Estado e de todo o seu aparelho na sociedade portuguesa.
Mas, é errado querer reformar fazendo dos “funcionários públicos” o bode expiatório da inexistência de politicas estratégicas de desenvolvimento.
Um país que se deixa, pouco a pouco, desindustrializar e transformar numa toucada de serviços.
Um país que não promove o mérito, mas promove a cultura da partidarite.
A Greve da Função Pública tem que ser lida como um sinal de pessoas que estão a expressar a sua indignação por serem, afinal, os acusados de serem os causadores de todos os “déficit’s”.
Neste dia, junto aos Paços do Concelho, alguns trabalhadores marcaram presença durante todo o dia, expressando a sua vontade de querer trabalhar. É um direito legítimo.
Mas, de facto, foram muitos os que aderiram à greve pela greve.
Esta Greve, contrariamente ao que aconteceu com a chamada “Greve Geral” foi para além de meras estratégias politico-partidárias.
E, demonstra que, quando uma greve vai de encontro ao sentir dos trabalhadores, eles, de facto, são os primeiros a estar na linha da frente.
Mais que a guerra dos números, neste distrito ( para não falar do país) com “o coração à esquerda” é preciso pensar as razões que levam os trabalhadores a lutar…

Dia 1 de Dezembro
Sobre as memórias do território do Lavradio

Em Alhos Vedros foi lançado o livro “Subsídios para a História de Alhos Vedros”, do Padre Carlos Póvoa Alves, uma obra que foi reeditada e melhorada no seu conteúdo e na sua apresentação.
Como referiu o Padre Carlos, a sua edição é isso, apenas isso, um contributo, um subsídio para dar a a conhecer as raízes da comunidade.
Uma obra que contém as “Informações Paroquiais de Alhos Vedros e Moita” e onde está inserido, um extracto do Foral do Barreiro, de 1521, onde se refere que “fazemos do dito lugar do Barreiro, Vila e queremos que daqui a diante se chame Vila Nova do Barreiro e a tiramos e a desmembramos do termo da dita Vila de Alhos Vedros”.
Nesta publicação é editado, igualmente, o questionário de 1758, cujos originais se encontram na Torre do Tombo, onde se sublinha que Telha e Palhais ( Fornos de Vale de Zebro) pertenciam a Alhos Vedros e que se “anexaram ao termo do Lavradio”.
Um destes dias em conversa com o pessoal de Palhais, porque esta informação tinha sido um dia veiculada, eu comentava que Palhais teria integrado o território do Lavradio. Comentou-se que não e que não existia essa informação.
Pois, aqui fica, este registo. A comprovar dessa veracidade, basta consultar a obra do Padre Carlos Póvoa Alves.
Até os “Fornos de Vale de Zebro”, que o José Caro Proença reivindica como parte da “génese” do Barreiro, foram pertença do território de Alhos Vedros e posteriormente pertença do território do Lavradio, só muito mais tarde integraram o território do Barreiro.
Significa que, nas memórias do território do Lavradio, foram retiradas, de há muito, as suas relações com as memórias dos “Fornos do Vale de Zebro”, de Palhais e da sua importância histórica na região.
Seria, pois, esta, uma matéria interessante para os investigadores de história analisarem e, talvez, uma perspectiva de trabalho que a autarquia lavradiense deveria estimular, criando um Prémio Anual de Investigação Histórica sobre aquilo que outrora foi o “território do Lavradio”.
Porque, afinal, de certeza, verbas não faltam!

Dia 2 de Dezembro
“Eu não mudei, fui, vivi e morri, sempre como um Penicheiro”

Faleceu Artur David, ex-vereador da Câmara Municipal do Barreiro, com quem partilhei algumas actividades ao nível profissional; colaborador do Jornal do Barreiro, que me acompanhou enquanto Chefe de Redacção e enquanto Director; dirigente da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, dirigente associativo, um barreirense que sempre procurou servir a sua terra natal.
Partilhei com Artur David muitas cumplicidades, muitas angústias, muitas mágoas que lhe marcaram o coração.
Recordo, um dia, quando ele era Vereador, comentei, como cidadão, que o Tanque de Aprendizagem de Natação, onde os meus filhos apreenderam a nadar, estava fechado há alguns anos.
Decidiu investigar o que se passava e sendo ele um técnico na área de tubagens, tomou as medidas necessárias e poucos meses depois, de novo, o Tanque retomou a sua normal actividade.
Artur David era assim: pensava, programava e fazia, por vezes, passando por cima de burocracias e regras, porque para ele o importante era que a autarquia prestasse os melhores serviços à população e aos agentes locais.
E, por esta forma de ser e agir, resolveu, na altura, diversas situações que se arrastavam no tempo.
Era um homem de arregaçar as mangas e do fazer. Mas era, também, um homem de convicções e de ideais. O PCP era ( ou foi, desconheço) o seu partido.
Mas, acima de tudo, para ele o importante era servir a comunidade e melhorar o seu Barreiro, que amava porque o conhecia, das suas memórias de infância do Largo de Santa Cruz.
Sobre a sua urna foi colocada a bandeira da SIRB “Os Penicheiros”, uma colectividade a que ele dedicou muito da sua vida, de associativista e de esperantista e lutador contra o regime fascista.
Como conheci, muito de perto, Artur David, sei que a bandeira da SIRB “Os Penicheiros”, na sua urna, tinha, certamente, um simbolismo muito forte, enquanto cidadão do Barreiro.
Acredito que o simbolismo era, acima de tudo, salientar que, na sua vida, foi sempre um homem de cidadania de valores, com ética.
Talvez, como a querer dizer-nos do outro lado : “Eu parto com os mesmos ideais com vivi e cresci – um associativista, um cidadão, um Penicheiro!”
E, com o seu sorriso, sublinhar, que os que cá ficam pensem o que quiserem pensar : “Eu não mudei. Fui, vivi e morri, sempre como um Penicheiro”.
Gostei de ver a bandeira da SIRB “Os Penicheiros” sobre a sua urna, mas, digo-vos, gostava que a bandeira da cidade do Barreiro, que ele sempre serviu, tivesse sido colocada lado a lado…

António Sousa Pereira

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