Diz que é uma espécie…de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro
Por António Sousa Pereira
Nunca desistir – uma característica do ser barreirense ser
O que é preciso é que, numa nova forma de olhar para a cidade, o “não desistir” esteja mais ligado à ideia do “vamos conseguir”.
Foi inaugurado o órgão de tubos da Igreja de Nª Srª do Rosário. Foi uma cerimónia que reuniu diversas personalidades da vida local.
António João Sardinha foi o motor desta causa cultural que contribuiu para valorizar o património do concelho do Barreiro.
No debate sobre a Quimiparque,pelas ideias expostas, pelas parcerias que estão a ser dinamizadas, pelo empenhamento no projecto, pela vontade e amor ao Barreiro que se sente na “visão” colocada na requalificação do território da Quimiparque, acredito que, para construirmos um novo Barreiro, temos que largar as amarras e partir…para (re)nascer.
É caso para dizer : “Deixem-nos trabalhar!”

Por Jornal Rostos
Dia 3 de Dezembro
Nunca desistir – uma característica do ser barreirense?
A cerimónia do acto inaugural do órgão de tubos na Igreja de Nª Srª do Rosário foi marcada pela frase : “Nunca desistir”.
Foi o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, na sua intervenção, a sublinhar que - “Somos uma terra de gente que não desiste”, acrescentando que esta é “uma característica da nossa identidade, uma terra que não desiste perante as dificuldades”.
Finalizando a sua intervenção com um apelo “aos que amam o concelho do Barreiro” para que “nunca desistam” e “construam a esperança”.
Foi o Padre Rodrigo, na sua homilia, a expressar a ideia de “não desistir”, evocando o sentido divino, que “Deus nunca desiste” de aproximar os homens da sua essência.
Foi António João Sardinha, a referir, no final do concerto, à noite, que o Padre Rodrigo, “nunca desistiu” de atingir o objectivo de renovar o órgão de tubos e dar de novo vida aos seus sons.
Por mero acaso, hoje, quando iniciava estes apontamentos sobre a semana, deparei com um texto, onde o sentido geral, era, esse, do “nunca desistir” como caminho fundamental para que se concretizem os objectivos.
Não sei se é uma característica dos barreirenses essa, referida, de “nunca desistir”, mas, uma coisa é certa, não desistir é uma característica fundamental colocar, no quotidiano, como forma de acção e motor da vontade, seja para quem for, desde que antes de mais, aponte objectivos a atingir e de forma determinada pretenda alcança-los.
Se desistir nunca os irá alcançar. Aliás, é habitual, ouvir dizer que, só é derrotado quem “desiste de lutar”.
Mas, para lutar e não desistir é preciso em primeiro lugar ter objectivos.
São os objectivos que motivam. É uma gestão por objectivos que mobiliza as energias.
É a construção de uma cidade com uma “ideia de cidade” que pode mobilizar os agentes a tornarem-se parceiros e participarem nessa construção.
É a fé que nos motiva a conceptualizar o sentido do divino.
Os objectivos podem ser globais, mas também podem ser parciais.
Mas, na verdade, para que se alcancem objectivos e para que todos se mobilizem e não desistam é necessário unir esforços e vontades. Acreditar.
O que acho é que ao Barreiro, muitas vezes, tem faltado essa energia mobilizadora de objectivos, que una vontades em torno do essencial, de forma que, mais do que aquilo que possa dividir os cidadão e os agentes locais, a cidade se una em torno do essencial – colocando o acessório de lado.
No Barreiro, o sentido do “não desistir” está muito associado à ideia de “resistir”.
O que é preciso é que, numa nova forma de olhar para a cidade, o “não desistir” esteja mais ligado à ideia do “vamos conseguir”.
Foi isso que Emídio Xavier disse aos barreirenses quando conquistou a presidência da Câmara Municipal do Barreiro – “Vamos conseguir!”. Trazendo consigo a ideia de mudança. Uma visão de cidade.
Foi, nisso que Carlos Humberto acreditou quando partiu para a reconquista da presidência da Câmara Municipal do Barreiro – “Temos condições de ganhar”. Trazendo consigo a ideia que, agora, no Barreiro, nada será como dantes. Estimulando a ideia de “Cidade da Participação”.
É essa vontade de querer conseguir que nos pode motivar a “não desistir”, que deve unir vontades, mobilizar o Barreiro para o século XXI.
No entanto, penso que, há muito por fazer e, não sei, se esta geração, a que eu pertenço e outras que estão geneticamente a ela ligados, serão capazes de dar a volta a esta mentalidade do ser barreirense que liga a ideia do “não desistir” à ideia de “resistir”.
E, digo-vos, isto não é um sentir do partido x ou y, ou da comunidade religiosa x ou y, ou da associação x ou y, é a nossa forma de estar…lutamos, resistindo, porque a “cultura de grupos”, de gente oriunda de muitos lados, se sobrepõe a uma “cultura de cidade”…
Um dia teremos que definitivamente decidir – estrategicamente - que papel quer assumir o Barreiro no século XXI, depois de ter ficado para trás tudo aquilo que significou, para o país, no século XX.
Por isso, vale a pena acreditar que “não desistir” faz parte da nossa identidade…se pensarmos que VAMOS CONSEGUIR!
Dia 4 de Dezembro
Uma Academia de Futebol no Barreiro
Fui visitar a Academia de Futebol do Futebol Clube Barreirense. As obras estão no terreno a todo o vapor.
O Manuel Lopes lá estava a acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos. Uma azáfama.
“Em Janeiro já cá estamos” – afirma o presidente da Direcção do Futebol Clube Barreirense.
E, em comentário, recordava que esta obra já poderia ter arrancado há seis anos atrás. Foi adiada, adiada e, finalmente, encontrou o caminho da sua concretização, porque, a Câmara Municipal do Barreiro deu todo o apoio.
O Manuel Lopes nunca desistiu. Lutou. Não teve a sorte de ter um protocolo assinado há mais tempo.
O António João Sardinha, presidente da Mesa da Assembleia Geral, que deu um contributo decisivo para o órgão de tubos, infelizmente, não conseguiu dar um “empurrão” para que esta obra “desemburrasse”.
Mas, a obra aí está fruto do “não desistir”, fruto de alguém que tinha objectivos e que “resistiu” e nunca desistiu de os concretizar.
Uma Academia que, nesta terra do futebol, que tantos nomes tem dado à modalidade ao nível nacional, sendo, talvez, aquela no país que mais nomes deu aos grandes clubes no século XX, vai, mais uma vez, criar um projecto de características únicas e ser pioneira.
Vai nascer a “Academia de Futebol Cidade do Barreiro”, um projecto estruturante, com objectivos de curto, médio e longo prazo…mais um exemplo que só é derrotado quem “desiste de lutar”.
Dia 5 de Dezembro
Um dia sem registos…talvez o Natal
As luzes iluminam a cidade. É tempo de festa. Começam a ser agendados os tradicionais jantares, almoços, convívios de Natal.
É tempo de fazer um pouco o balanço dos resultados de um ano de trabalho.
Recordo, aquele tempo em subia a Avenida Alfredo da Silva, ou, ali na Rua Miguel Bombarda, se misturava o imenso chilrear de pássaros com aquela voz típica, de um invisual a pedir, que dizia : “È Nataaal! É Nataal…”
A cidade está iluminada. Gosto de ver o depósito do Alto da Paiva, a marcar na distância, com as suas gotas de luz, como quem grita para a cidade.
É Natal. A todos, sem excepção, aqui deixo os votos de Boas Festas e um Feliz Ano Novo.
Dia 6 de Dezembro
ETAR de Coina – um sinal de um Distrito em mudança
Foram preocupações ambientais da população que estiveram na origem da promoção do Debate sobre a “Estação Elevatória de Coina”.
Talvez o medo que se gerou, perante o enorme buraco que se abria na frente dos olhos, ignorando-se por falta de informação o que, ali, iria nascer, tão perto do rio Coina e numa zona que se desejava destinada à população.
Feitas as apresentações, sublinhadas as características urbanas do equipamento a construir, assim como o seu enquadramento paisagístico, para além de a sua entrada em funcionamento contribuir para que as águas residuais, hoje, lançadas no Coina sem qualquer tratamento, possam, lá para 2009 ser lançadas em condições tais que “podem ser reutilizáveis”.
Feitos esclarecimentos. Ficou somente a critica que a sessão poderia ter sido realizada antes do arranque da obra.
Em suma, a SIMARSUL, a Câmara Municipal do Barreiro e a Junta de Freguesia de Coina, apresentaram-se perante a população para esclarecer dúvidas, para dar a resposta a um compromisso assumido de ser promovido este debate.
Uma forma muito positiva de estabelecer laços de diálogo com as comunidades.
Mas, esta sessão serviu, para além da abordagem do problema local, digamos, que permitiu conhecer a realidade do sistema de esgotos na Península de Setúbal, onde apenas 25% dos esgotos, actualmente estão sujeitos a tratamento.
Prevendo-se que para o ano 2010 cerca de 90 a 95% dos esgotos já estejam a ser tratados.
Pode dizer-se que está em marcha uma maratona de obras por todo o distrito, com largos milhões de investimentos em todos os concelhos, de forma que a “Rede de autoestradas” dos nossos esgotos possam estar concluídas no ano 2010.
Sem dúvida, que a ETAR de Coina, é um desses sinais que, em termos de saneamento básico, estamos num distrito em mudança.
Se mais sessões destas fossem realizadas, e, como foi referido vão realizar-se, evitar-se-iam especulações sobre obras que estão no terreno e permitia-se uma maior motivação das populações para um conhecimento dos importantes investimentos que estão a ser efectuados na melhoria da qualidade de vida, mas, também, para se preparar para os “custos” que, um dia, vão ter que assumir porque, todos sabemos, mais tarde ou mais cedo, vão ter que contribuir para os investimentos, agora, em marcha no terreno.
Dia 7 de Dezembro
Feira das Capacidades – um projecto de referência
A II Feira das Capacidades que decorreu na Moita, promovida pela Câmara Municipal da Moita, é, sem dúvida um acontecimento de relevo, de importância regional e nacional.
Não parece ser daquelas iniciativas que sejam promovidas com a intenção de promover “shwou”, mas tem por base uma dinâmica especifica da vida local que tem vindo a afirmar-se de uma forma estruturante e visando objectivos de uma relevante importância social.
Foi este sentimento que encontrei, quer ao nível de responsáveis políticos locais, mas também em responsáveis políticos nacionais pela área da reabilitação.
Na altura comentei que, este projecto – Feira das Capacidades – tem no concelho da Moita criadas um conjunto de condições objectivas que podem contribuir para potenciar o concelho como uma referência e um modelo a nível nacional, na promoção de políticas de solidariedade social.
Penso que, pelas actividades realizadas, pelo saber acumulado, pelas instituições envolvidas, pelos projectos em curso, está na hora de, o concelho da Moita promover uma iniciativa – Seminário - que faça a avaliação do caminho percorrido e que aponte estratégias ambiciosas, a longo prazo, de forma a se afirmar com o referência em matéria de defesa dos cidadãos com “deficiência”, quer ao nível regional, quer ao nível nacional.
Estão criadas todas as condições para isso…é como ter nas mão uma “pedra” que, afinal, é um verdadeiro “diamante”…
Dia 8 de Dezembro
Quimiparque - um novo Barreiro tem que largar as amarras e partir…para (re)nascer
No debate sobre o território da Quimiparque estiveram presentes vários discursos, que sendo diferenciados, todos eles fazem parte da mesma visão : apontar novos rumos para o Barreiro.
Houve quem sublinhasse que o Barreiro, no âmbito do desenvolvimento do projecto Quimiparque pode vir a tornar-se uma referência da “cooperação entre o sector público e privado” e entre “o sector público-público”.
A ideia que fiquei é que está tudo em aberto. Existe uma “visão” global para um território que, pouco a pouco, terá que ser equacionada no contributo que pode dar para a definição de uma “ideia de cidade”, para a “personalidade da cidade”.
Enquanto do lado da mesa se projectava “ideias”, procurava-se estimular uma “visão” de cidade, do lado da plateia, continuavam alguns discursos que (já cheiram a ranço) sobre a “paternidade”.
Um dia no Barreiro saberemos quem nasceu primeiro se foi o ovo ou galinha.
Uma sessão que valeu a pena porque, afinal, veio confirmar que estão criadas algumas condições para “largar amarras” e começar partir para a “requalificação de um território, fazendo a “ruptura com o passado”, utilizando o seu património para criar uma cidade.
Esperemos que este caminho seja percorrido e que, daqui a dois anos, eventualmente, fruto das eleições autárquicas..não volte tudo à estaca zero.
Sem dúvida que o importante será “não desistir” e todos sermos capazes de acima dos interesses e jogos de poder, sermos capazes de colocar em primeiro lugar o Barreiro.
Pelas ideias expostas, pelas parcerias que estão a ser dinamizadas, pelo empenhamento no projecto, pela vontade e amor ao Barreiro que se sente na “visão” colocada na requalificação do território da Quimiparque, acredito que, para construirmos um novo Barreiro, temos que largar as amarras e partir…para (re)nascer.
É caso para dizer : “Deixem-nos trabalhar!” Porque, afinal, quem não apresenta ideias alternativas e se limita a “fait divers” não ajuda à resolução do problema, torna-se, isso sim, parte do problema.
Dia 9 de Dezembro
Sons renovados no Barreiro
Foi inaugurado o órgão de tubos da Igreja de Nª Srª do Rosário. Foi uma cerimónia que reuniu diversas personalidades da vida local.
O arranjo do órgão de tubos foi possível porque foram reunidas várias vontades. O Padre Rodrigo que sonhou. O António João Sardinha que protagonizou e estabeleceu pontes. O executivo liderado por Emídio Xavier que protocolou. O executivo liderado por Carlos Humberto que se empenhou e pagou ( ou vai pagar). Falo dos só dos protagonistas locais.
Mas, penso que, o principal protagonista foi António João Sardinha. Faça-se justiça.
Foi uma Igreja cheia de gente que viveu a cerimónia da bênção do novo órgão.
Foi uma Igreja cheia que assistiu ao concerto inaugural.
É caso para dizer : “Temos órgão” . E, o fumo branco das chaminés do Barreiro anunciam, que novos sons estão a ser escutados na Igreja Nª Srº do Rosário.
Gostei da cerimónia. Gostei do Concerto ( pena é que o Padre José Manuel tivesse “impedido” os aplausos, no final de cada peça, criando um clima frio ao longo de todo o concerto, para depois no final transformar a Igreja num palco, com aplausos a torto e a direito, para todos e mais alguns…).
Não gostei da exposição que se encontrava à entrada da Igreja. Não é que a história não tenha que ser contada.
Mas a história quando é contada deve incluir as causas remotas, as causas próximas e os efeitos. A exposição vai às origens e esquece a actualidade.
É um fragmento. Não inclui o contributo do actual executivo municipal.
Afinal, quem se diz que costuma contar a história excluindo, são os tais…que aqui foram excluídos, naquela exposição à entrada da Igreja.
Pode ter sido um acaso…mas nisto, quando, tantos rostos marcaram presença no acto, é caso para dizer que a exposição é gato escondido com rabo de fora.
Afinal, na Igreja também se faz politica…baixinho, mas faz-se!
Termino, com um saudação a António João Sardinha que foi o motor desta causa cultural que contribuiu para valorizar o património do concelho do Barreiro.
António Sousa Pereira













