Diz que é uma espécie…de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro
Por António Sousa Pereira
Uma cidade movimentar-se para preservar as suas memórias
Pretende-se, desta forma evitar que a “árvore de Anne Frank” seja abatida.

Por Jornal Rostos
Em notícia, hoje, divulgada no Diário de Noticias, é referido o movimento de opinião que se gerou na cidade de Amesterdão, com a finalidade de ser “salva a árvore” que se situa frente à casa onde, Anne Frank viveu escondida, com a família, durante 25 anos, refugiados da perseguição que os nazis moveram ao judeus.
Do sótão, onde estava escondida, no seu diário, Anne Frank, a jovem judia holandesa, escreve que do seu sótão “mirava” aquela árvore, e, esse era o seu único contacto com a natureza e com a vida exterior.
Agora, devido ao envelhecimento natural, a árvore corre o risco de ser abatida, existindo um conflito, entre aqueles que querem o seu derrube e aqueles que a pretendem preservar, dado o seu valor simbólico, e, porque, de facto aquela é uma árvore com história.
Salve-se a árvore! Salve-se a memória !€
O movimento gerado na cidade de Amesterdão, no sentido de mobilizar esforços, nacionais e internacionais para impedir o corte da árvore e criar condições para que fosse criada uma estrutura que “mantivesse” as condições de segurança.
Pretende-se, desta forma evitar que a “árvore de Anne Frank” seja abatida. Entretanto, já foram recolhidas “sementes” de forma a promover a plantação em viveiro de uma árvore, com a identificação genética da existente de forma a ser garantido, no futuro, a sua preservação, caso se imponha a necessidade de ser substituída, se a morte da árvore impuser que a mesma seja abatida.
Uma cidade movimentar-se para preservar as suas memórias
Li, e reli, hoje, o texto, com emoção, pela manhã, enquanto tomava o meu pequeno almoço no Café-Bar da SFAL, porque, ao mesmo tempo me ocorreram à memória, aqueles dias, em que assisti à peça, no salão da colectividade – “O Diário de Anne Frank” – com uma brilhante encenação do meu amigo Malaquias Lemos, esposo da minha “irmã” Maria Rosa Colaço.
E, ao mesmo tempo pensei, como de facto, é importante, uma cidade movimentar-se, agir, para preservar as suas memórias, os lugares com história, os lugares que devem merecer um olhar especial, porque guardam aquilo que nós fomos, aquilo que nós herdámos.
Sem dúvida, é bem verdade, como um dia disse, Helena Roseta, num colóquio na Escola Álvaro Velho, uma cidade sem memória é uma cidade sem história.
“Aquela torre dava um belo monumento”
E, dou comigo a vaguear pelas ruas do Barreiro e a imaginar locais, onde, a nossa memória colectiva deveria ser preservada.
Neste, instante, ao pensamento ocorre-me um local, ali, no centro de Coina, onde se mantém de pé, aquela torre sineira, o que resta das ruínas da Igreja do Salvador do Mundo, que foi destruída pelo terramoto de 1755.
O que resta é aquela torre sineira. Talvez uma das memórias únicas, na região Metropolitana de Lisboa, dos efeitos directos do terramoto de 1755.
Um dia num passeio pelo Barreiro, parei ali, com Augusto Cabrita, que me dizia, que aquele espaço, olhado por um arquitecto paisagista, deveria merecer uma atenção especial – “”Aquela torre dava um belo monumento”.
Sim, de facto aquele espaço merece ser tratado com dignidade e, deveria, tudo fazer-se para preservar aquela memória, acima de tudo, por ser uma referência a uma realidade sísmica que marcou a história de Lisboa e de Portugal.
Faça-se um estudo. Desenvolva-se um projecto. Para que se fique com uma ideia “estratégia” que aquele monumento será salvo da febre urbanística.
Fica, pois, este registo…e as memórias que guardo do espectáculo “Diário de Anne Frank”, com brilhantes interpretações e uma magnífica encenação do inesquecível Malaquias Lemos e da minha inestimável amiga-irmã Maria Rosa Colaço.
Lembras-te Manuela, das nossas gargalhadas, do chouriço e do pão alentejano. Que saudades?
É assim, a memória, também nos ajuda a manter vivos e com a vontade de continuamos a sonhar.
Barreiro, 24 de Janeiro de 2008













