Carta ao DirectorRuído Nocturno: O péssimo exemplo da Autarquia
Por Jornal Rostos
Perante a estupefacção e a indignação dos moradores, foi dito pelos funcionários que procediam a essa tarefa que eram “ordens superiores do Serviço de Higiene e Limpeza” e que eles próprios tinham questionado a oportunidade de fazer tais trabalhos a tais horas, mas, tinham obtido uma resposta imperativa da parte dos responsáveis dos Serviços.
Pergunta-se, se até os aeroportos têm, neste momento, as aterragens e descolagens condicionadas durante a noite por motivos de ruído, porque será que a Câmara Municipal do Barreiro se dispensa de cumprir regulamentos e insiste em práticas deste género, que violam os direitos dos munícipes, nomeadamente o direito ao sossego e à tranquilidade? Trata-se de pessoas que, na sua grande maioria, sairão de madrugada para o trabalho e não poderão dizer às secretárias, que estão “em reunião” ou “saíram em serviço”. De mais a mais, esta zona da Biblioteca Municipal é “castigada” sistematicamente por desmandos a que parece ninguém responsável querer ver e muito menos pôr cobro: São os “raves” nocturnos dos veículos tunning com as colunas em altos berros, são as gritarias, discussões que muitas vezes acabam em confronto físico entre grupos de indivíduos, mormente ao fim-de-semana, que já vêm inebriados de eflúvios vários da zona velha do Barreiro, perante, muitas vezes a relutância e a displicência das autoridades policiais quando contactadas; são os jogos de futebol em pleno átrio da Biblioteca Municipal, sem que a sua direcção, funcionários e elementos da segurança pareçam preocupar-se pela integridade física dos utentes, pela barulheira circunstante, já para não falar dos vidros nos prédios vizinhos sistematicamente partidos, ameaçando o património e integridade física dos moradores e dos transeuntes e ainda as “tertúlias” nocturnas, não raramente protagonizadas por elementos com responsabilidades públicas no Concelho que, no fim das reuniões, decidem prolongar as conversas, certamente interessantes, não fora o facto de ocorrerem junto às janelas de pessoas que naturalmente precisam de descansar; corroborando o já velho ditado que “bem prega Frei Tomás”.
Perante tudo isto, podemos perguntar, quem zela pelos direitos dos cidadãos? É que parece haver uma correlação negativa entre as proclamações oficiais dos vários níveis de poder, das Autarquias ao Governo, e aquilo que realmente é feito, em suma, o cidadão parece estar votado a ser deixado a si próprio e pergunta-se, com que legitimidade?
Normalmente estas coisas não costumam acabar bem!
P.S.: Exemplo de descoordenação e falta de intervenção recente em acontecimentos que podiam ter sido mais graves: Nos recentes vendavais nocturnos, o contentor PET que se encontra na esquina da Rua da Bandeira, voou literalmente, propulsionado pelos garrafões de água vazios e destapados que as pessoas depositam, sem espalmar, nesse tipo de contentores. Serviram assim de balão para que uma estrutura pesada voasse como voou, ficando no meio do cruzamento, ameaçando viaturas estacionadas e outras que transitassem e inadvertidamente, pudessem chocar com o “mono”. Por mim alertada a PSP (que é de Segurança Pública) remeteu o assunto para os bombeiros, que disse que contactaria, perante a não alteração da situação, eu próprio contactei os bombeiros, que disseram não ter recebido chamada alguma. Inteirados por mim do que se passava, que estava um contentor PET no meio da via pública e dezenas de garrafões de água vazios a voar, a operadora respondeu-me displicentemente “que não era tarefa dos bombeiros andar a apanhar garrafões”, ao que eu respondi que o maior problema não eram os garrafões, mas sim o contentor. A menina disse então ir telefonar para a Câmara, que seria a quem competia tal tarefa. Passadas horas, aí pelas 3h30 da manhã, apareceram duas camionetas do lixo: uma vinha para o recolher e com a respectiva equipa, a outra só trazia o condutor. Perante a minha interpelação dizendo “fui eu que telefonei”, os condutores disseram “não ter recebido telefonema algum”, e o condutor que vinha sozinho disse-me que “de sua própria iniciativa, sem ter tido instruções de ninguém, se tinha metido numa camioneta do lixo e andado pelo Concelho, verificando os estragos” (quedas de árvores, deslocação de contentores, etc.). O contentor foi desviado por dois homens e duas mulheres, não para o sítio onde estava no passeio, mas para um canto da estrada, uma vez que é muito pesado. Esteve lá dois dias.
Palavras para quê?
António José Ferreira













