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Inferências

É NECESSÁRIA UMA ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO PARA O CONCELHO DE MONTIJOPor José Bastos

Os políticos são eleitos pelos munícipes para liderarem as estratégias e não para seguirem tudo aquilo que os técnicos dizem. O nosso concelho será tanto melhor quanto maior for a capacidade politica dos autarcas da maioria que governa a nossa Câmara.
O futuro da nossa comunidade será tanto melhor quanto maior for o envolvimento das populações na definição das políticas para o concelho a curto, médio e longo prazo.

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Por Jornal Rostos

Penso que os montijenses o que querem para a sua Terra é que tenha vida própria, emprego para a maioria, uma classe média forte e uma qualidade de vida de excelência.
Também querem uma estratégia que tenha em conta no novo ciclo económico que já iniciamos com a construção da Ponte Vasco da Gama, as raízes da nossa história colectiva no último século.
Em relação ao novo espaço urbano que cresceu a nascente da cidade já conseguimos avenidas com quatro faixas de rodagem, com placas centrais, praças e passeios largos à semelhança do que fizeram os nossos antepassados na zona antiga. Está tudo bem e só tem merecido elogios.
Mas, do que lhes queria falar hoje, era do crescimento económico e desenvolvimento para criação do emprego para as pessoas que estão a chegar a Montijo e para os residentes.

A nossa história na primeira metade do século XX é um exemplo daquilo em que se pode transformar uma comunidade em desenvolvimento e crescimento. A experiência que temos do que se passou nesses anos, é que a nossa terra era competitiva e empreendedora, soube receber os imigrantes e integrá-los e a nossa sociedade era interclassista pois existiam muitas pequenas e médias empresas e todos viviam aqui, empresários e trabalhadores.
Na década de 1930 a 1940, crescemos em habitantes, tanto em percentagem como em valor absoluto, mais do que na última década, apesar da construção da Ponte Vasco da Gama e da enorme quantidade de edifícios que se construíram. Em 1930 tínhamos 17.688 habitantes e em 1940 25.887, mais 8.189 pessoas, um aumento de 46,3%.

O Montijo tinha uma grande actividade agrícola, industrial e comercial. Uma população empreendedora com grande iniciativa para assumir o risco de investir em pequenas e médias empresas. Normalmente as médias e algumas grandes já tinham sido pequenas.
As pessoas que para aqui vieram para residir e trabalhar, construíram bairros, alugaram casas de meia aba nos páteos que eram construídos nos quintais, viviam em partes de casas, nas casas das malhadas, nos montes agrícolas, mas toda a gente se acomodou e nunca houve bairros de barracas.

Hoje, com a construção da Ponte Vasco da Gama o Montijo está a passar por um novo ciclo histórico de desenvolvimento económico na área dos serviços e do comércio. Chegam aqui hoje muitas pessoas, umas só para residir, mas muitas para residir e trabalhar.
Os imigrantes vivem nalguns páteos que ainda existem, e em partes de casas, nos montes agrícolas e em casas das malhadas.
Os investidores dos grandes empreendimentos não residem na cidade o que faz toda a diferença em relação ao passado em termos de vivência colectiva.
Uma comunidade é mais solidária e menos agressiva se os empresários e os trabalhadores viverem no mesmo local e as empresas forem de pequena e média dimensão.

Existe no Montijo a semente do empreendorismo e da iniciativa dos nossos antepassados, jovens interessados em investir, com ideias inovadoras, mas para isso é necessário que o poder político lhes crie condições para porem em prática as suas ideias.
A estratégia política para um concelho com capacidade empreendedora como é o nosso, passa por criar condições através das regras do PDM que facilitem aqueles que têm pouco dinheiro para iniciar uma actividade empresarial.
O PDM é um instrumento imprescindível para ordenar o território do concelho não pode nunca é servir para dificultar a implantação de um estratégia politica que vise uma boa qualidade de vida e o bem estar das populações.

Só conseguiremos uma comunidade interclassista, se tivermos em conta o que se passou na nossa história colectiva no último século e ultrapassarmos os bloqueios que nos são impostos por técnicos que só criam dificuldades, muitas vezes para venderem facilidades.
As exigências burocráticas para construção ou instalação em edifício já construído de unidades industriais de pequena dimensão são tais que obrigam muitas vezes os jovens investidores a desistir.

Os políticos são eleitos pelos munícipes para liderarem as estratégias e não para seguirem tudo aquilo que os técnicos dizem. O nosso concelho será tanto melhor quanto maior for a capacidade politica dos autarcas da maioria que governa a nossa Câmara.
O futuro da nossa comunidade será tanto melhor quanto maior for o envolvimento das populações na definição das políticas para o concelho a curto, médio e longo prazo.

José Bastos

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