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Inferências

Assembleia Municipal do BarreiroPresidente da Câmara desconhece “inquérito” aberto á gestão do pelouro de Amílcar Romano na gestão socialista

No decorrer da reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, Adolfo Lopo, solicitou informações sobre um eventual “inquérito” que teria sido aberto por Emídio Xavier, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, PS, à gestão do pelouro de Amílcar Romano, na gestão da sua responsabilidade.
Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, referiu que - “Nunca tinha ouvido falar antes. Não conheço o inquérito”.

Ana Teresa Xavier, PSD, pediu esclarecimentos sobre as relações entre a Câmara Municipal do Barreiro e a Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.

11 min de leitura
Assembleia Municipal do Barreiro Presidente da Câmara desconhece “inquérito” aberto á gestão do pelouro de Amílcar Romano na gestão socialista

Por Jornal Rostos

No decorrer da reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, ontem, Adolfo Lopo, presidente da Junta de Freguesia do Lavradio, solicitou ao presidente da Câmara Municipal do Barreiro, que lhe fosse fornecido o “inquérito”, que teria sido elaborado, na Câmara Municipal do Barreiro, no decorrer da gestão socialista, sobre a gestão do Pelouro do Vereador Amílcar Romano, que foi referenciado num texto editado por Júlio Freire.
Adolfo Lopo referiu ser importante, conhecer as conclusões do referido “inquérito” porque, na sua opinião – “é demasiado grave manter o vereador em exercício, ainda que sem pelouro”.
Referiu Adolfo Lopo, que de acordo com o divulgado, nos textos publicados na imprensa local, as conclusões do referido “inquérito” – “implicava a exoneração do cargo” do Vereador Amílcar Romano.

“Qual a posição da Câmara?”

Igualmente, sobre esta matéria, a deputada municipal, Ana Teresa Xavier, PSD, salientou que, relativamente aos mesmos textos, referidos pelo presidente da Junta de Freguesia do Lavradio, são colocadas diversas situações sobre o funcionamento e a actual situação da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.
Nesse sentido a deputada do Partido Social Democrata, recordou que a Câmara Municipal do Barreiro, assinou, recentemente, um protocolo de cedência de terreno à Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, pelo que Ana Teresa Xavier, interrogou o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, sobre esta situação, procurando saber – “Qual a posição da Câmara? Como vai analisar esta situação? E que decisões vai tomar em relação à situação da Santa Casa da Misericórdia?”

Não me meto na vida das instituições

O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, sobre as interrogações colocadas referiu que sobre o “inquérito” – “Nunca tinha ouvido falar antes. Não conheço o inquérito”.
Salientou, não ter conhecimento de nada, sobre este assunto - “Nada existe na Câmara”.
Carlos Humberto, acrescentou que, enquanto presidente da Câmara – “não me meto na vida das instituições, nem da Misericórdia, nem de nenhuma”.
Recordou que foi “irmão” da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro – “eu julgava que era irmão, não foi por vontade própria que deixei de ser”.
O presidente da Câmara Municipal do Bareiro, salientou que – “a cedência do terreno está cedido” e, por outro lado, manifestou o seu interesse, no sentido que o projecto que está previsto naquele terreno se concretize.

OS TEXTOS DA POLÉMICA

Sobre o inquérito mandado elaborar por Emídio Xavier e executado por três Técnicos Superiores da Câmara à gestão do seu pelouro de Amílcar Romano, assim como as matérias relativas ao funcionamento da Santa Casa da Misericórdia, estes assuntos, foram espelahdos em artigos editados por Amílcar Romano e Júlio Freire, editados no “Jornal do Barreiro”, cujos conteúdos integrais divulgamos:

SINTO VERGONHA!!
Amílcar Romano

Jornal do Barreiro | 21-04-2008
Carta ao Director

A Santa Casa da Misericórdia do Barreiro representou sempre uma referência no trabalho social para os barreirenses: os mais idosos, os mais carenciados e desprotegidos.

Os valores da solidariedade, da ajuda ao próximo no espírito da Igreja Católica, reflectiram-se sempre na disponibilidade de muitos milhares de barreirenses que cooperaram sempre no apoio a este projecto emblemático que acompanhou esta vila, agora cidade, ao longo dos séculos.

Não é fácil afirmar que hoje é mais importante que no passado, já que uma das grandes virtualidades da santa casa da Misericórdia, foi de reajustar a sua acção às necessidades dos tempos, e em cada momento, gerir os seus recursos em conformidade com as necessidades, eventualmente ir além das suas possibilidades através da benemerência dos mecenas da nossa cidade.

Um dos suportes inestimáveis para a sua acção foi, desde sempre, a disponibilidade de Mulheres e Homens bons que, com a sua prestação voluntária reforçavam os princípios e valores de ajuda e amor ao próximo e consolidavam um projecto de cidade.

Esta carta, cuja publicação desde já agradeço, é enquanto irmão que já desempenhou o cargo de Presidente da Mesa da Assembleia, mas também enquanto cidadão do Barreiro.

Acompanhei o sr. Provedor Júlio Freire em momentos muito difíceis para a Santa Casa da Misericórdia com a consciência de estar a defender o projecto e a instituição. Terminei o meu mandato apesar dos sacrifícios pessoais que tal para mim representou. No entanto, o mais importante era cumprir com os compromissos que solenemente tinha assumido.

Posteriormente, acompanhei alguns “projectos” da Santa Casa da Misericórdia, manifestando sempre tal disponibilidade para contribuir não só como cidadão mas também pelas funções que desempenhava enquanto Vereador da CMB. Assisti, nesta altura, a algumas atitudes do Sr. Provedor a que não atribui mais importância do que pequenas diatribes.

Hoje, a situação da Santa Casa da Misericórdia preocupa-me. Não pelo facto de ouvir uma cassete que já tem 10 anos, continuando a repetir os mesmos projectos que não se realizaram no tempo, sempre por culpa de terceiros…

A minha preocupação hoje foi ter sido confrontado com informações de que a Santa Casa da Misericórdia do Barreiro estará em situação de “falência técnica”.

Não queria acreditar! Não quero acreditar! Não quero acreditar nas medidas propostas pelo Sr. Provedor Júlio Freire como forma de remediar todo este quadro. Tenho vergonha!

A Santa Casa da Misericórdia do Barreiro tem acordos com a Segurança Social, os quais se regem pelos mesmos normativos que envolvem outras instituições similares. A Santa Casa recebe as contribuições dos utentes, dos irmãos, de dádivas…

Pelos vistos, a Santa Casa da Misericórdia do Barreiro padece já há alguns anos de uma gestão atabalhoada do Sr. Provedor.

Alimentar projectos que têm dado largas dezenas de milhares de euros de prejuízo, não sendo determinantes para a vida da Misericórdia, e só se justificando como meros instrumentos de afirmação pessoal; associar o nome da Santa Casa a práticas e objectivos laterais, senão mesmo contraditórios com o espírito da ajuda ao próximo resultaria inevitavelmente num descontrolo financeiro e na desmotivação de irmãos que têm, desde sempre, abraçado esta nobre causa.

Hoje, questiono-me porque terá o Sr. Provedor entrado em rotura com muitos irmãos que pertenceram aos órgãos sociais, apenas por manifestarem uma opinião diferente da sua. Hoje, questiono-me se o pedido de demissão do Sr. Provedor não será a alternativa para permitir a recuperação da situação financeira da Santa Casa da Misericórdia para direccionar os seus objectivos e a sua verdadeira vocação e, por outro lado, reforçar os laços de afectividade e alcançar a pacificação entre todos os irmãos.

Amílcar Romano

Resposta à carta enviada pelo Sr. Amílcar Romano.

Ao ler a carta dirigida ao Jornal do Barreiro reflecti profundamente se deveria responder –lhe ou, simplesmente ignorá-la.

Isto porque, conheço mal o Sr. Amílcar, mas já o conheço o suficiente para saber que o que aquele senhor pretende é ter protagonismo. Logo um Jornal é um meio privilegiado para satisfazer o seu ego!

Resolvi então responder a uma carta que, no fundo, foca 3 aspectos:

1. A sua entrada nos Órgãos Sociais da S.C.M.B.

Há que esclarecer que não o convidei para integrar qualquer Órgão Social da Instituição. Aliás, o meu amigo Carlos Pires pode testemunhar que o meu candidato a Presidente da Assembleia Geral era outro. Mas, enfim, depois de grande insistência por parte do Sr. Romano, desfiz o convite dirigido a outra personalidade de grande prestígio na cidade, facto de que me arrependi, porque, passado pouco tempo, apercebi-me facilmente dos intuitos deste senhor. Ganhar protagonismo através de um jornal que lhe proporcionasse e sustentasse a sua ânsia de poder!

2. Afirma depois o Sr. Romano, que acompanhou os projectos apresentados pela Santa Casa. É verdade, acompanhou, mas foi com o intuito de os inviabilizar.

Como bem nos lembramos, infelizmente pela negativa, o senhor Romano foi, há 6 anos atrás, o Vereador responsável pela Área Social, pelouro por onde passavam todas as solicitações e projectos que apresentávamos à Câmara. E o que fez o Sr. Vereador? Retirou o passe dos Transporte Colectivos do Barreiro aos trabalhadores do Apoio Domiciliário; boicotou todos os pedidos, endereçados à Câmara no sentido de assumir as suas responsabilidades enquanto parceira no Centro de Acolhimento a crianças abandonadas e mães solteiras e mal tratadas, pois, tal como foi referido na última Assembleia Geral, esta valência acumulou nos nove anos do seu funcionamento, cerca de um milhão de euros de prejuízo, suportado exclusivamente pela Santa Casa; nunca se disponibilizou para resolver os problemas com o autocarro da Instituição, boicotou a possibilidade da Misericórdia lançar o Projecto de Hospital de Cuidados Continuados. Enfim, a panóplia de assuntos a que nunca deu resposta revela bem o sentido de solidariedade desta “individualidade”

As reclamações, no entanto, não são só nossas, o que se passou com os Reguilas, o Paivense, o Sporting Lavradiense, o Fabril e muitos outros, revela bem a sua incapacidade para gerir o que quer que seja!

3. Debruçou-se depois o Sr. Amílcar sobre a Gestão da Misericórdia no ano de 2007.

Devo dizer -lhe que a Senhora que lhe transmitiu o desenrolar da Assembleia, não foi nada rigorosa (isto para não dizer que mentiu com “quantos dentes tem na boca”, pois penso ter transmitido claramente a situação actual na Instituição, disse, inclusivamente, que neste últimos anos a Santa Casa tem tido o apoio de irmãos que a têm beneficiado com importantes doações, o que, como é evidente, a torna perfeitamente solvente.

Quando assumi funções na Santa Casa o seu Património era parco. Hoje, graças à acção da Provedoria, temos um Património, que se pode considerar valioso. É verdade que temos dívidas a fornecedores. No entanto, elas são resolúveis a curto prazo, basta para isso alienar uma pequena parte desse Património. Lembro-lhe, também, que ao longo destes últimos anos suportámos défices avultados com o Apoio a Carenciados, os quais, contabilizados, ultrapassaram os 6 mil euros; simultaneamente, suportámos uma dívida, hoje totalmente paga, de mais de 500 mil Euros.

Por isso Sr. Romano, vergonha sinto eu! Como foi possível ter sido Vereador da Câmara Municipal do Barreiro? Sabe, toda a população do Barreiro conhece o resultado do inquérito mandado elaborar por Emídio Xavier e executado por três Técnicos Superiores da Câmara à gestão do seu pelouro. Se a edilidade tivesse levado este inquérito, ou inspecção até ás últimas consequências, o Sr., certamente, teria sido de imediato exonerado do cargo. E que dizer daquela reunião da Comissão Politica do P.S. em que um dos membros da C.P. o acusou com todas as letras, perante mais de 50 pessoas, de ter ficado com o dinheiro do célebre porco? Aí sim, fiquei com vergonha!

Um último apontamento. Tenho por hábito facultar o meu número de telefone, pois enquanto Provedor entendo que me compete estar aberto e acessível para poder facilmente dar respostas às mais variadas solicitações daqueles que mais precisam. Agora fazer uso dele para enviar mensagens ordinárias, que só por respeito para com os leitores do J.B. não as transcrevo, é, de facto, uma cobardia inqualificável!

Acções como esta só as vivi antes do 25 de Abril. Pensava eu que perseguições desta índole já tinham terminado… pelos vistos não! No entanto, devo dizer que já accionei os mecanismos necessários junto da PJ para identificar o telemóvel, cujo número é: 351934768835.

Definitivamente Sr. Amílcar, deixe-se de garotices! Só lamento que, ao olhar para algumas das pessoas que o acompanham, veja que são honestas, e que nada têm a ver com o seu comportamento.

Por aqui me fico, tenho muito mais que fazer que o aturar!

Por mim este assunto fica encerrado.

Júlio Freire

DIREITO DE RESPOSTA DE AMÍLCAR ROMANO

Nota do Director – Foi recebido na nossa redacção um texto, em parte semelhante ao editado, esta semana no jornal “Maregem Sul”.
No entanto, o texto enviado para “Rostos”, como resposta a Júlio Freire, tem um conteúdo muito diferente, do editado na “Margem Sul”. Nesse sentido, consideramos que, se, de facto, tal, é uma resposta ao Jornal do Barreiro, deve ser aquele jornal a editar.

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