Diz que é uma espécie…de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro
Por António Sousa Pereira
Gostava de ter escutado os nossos politicos, dos diversos quadrantes a expressarem o seu orgulho e a transmitirem esse orgulho aos cidadãos do Barreiro, por, neste ano de 2008, o Barreiro ter sido escolhido, pela ANMP, como palco para apresentação de um projecto de futuro de “cidadania activa”.
Mas, não, foi o silêncio, de todos, incapazes, por uma ou outra razão de sentirem orgulho de sermos uma cidade exemplo para o país.

Por Jornal Rostos
Barreiro – o palco da apresentação do projecto “Cidadania Activa”
A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) apresentou, no Barreiro, o projecto “Cidadania Activa”.
Um projecto, segundo foi referido, que tem como fundamento ‘combater’ o crescente afastamento dos cidadãos de uma participação activa na vida política e social.
Um projecto cuja apresentação, feita nas proximidades das comemorações do 25 de Abril, certamente, teve um significado politico.
Foi salientado, na paresentação, que esta apresentação do projecto “Cidadania Activa” era - “uma forma de os Municípios assinalarem, este ano, os valores da Democracia e de celebrarem, uma vez, mais a Liberdade”.
A pergunta que, deve ser colocada na circunstância é esta : “Foi escolhido o Barreiro, como cidade anfitriã, para apresentação deste porjecto, mpor mero acaso ?”
É o próprio Fernando Ruas, presidente da ANMP que responde, recordando, na cerimónia que o Barreiro é - “uma terra de luta e de lutas em favor da emancipação e da dignificação da pessoas humana”.
Na verdade, o Barreiro, é uma cidade, onde a vida social e politica, é vivida de uma forma activa, mas, simultaneamente, é uma cidade, onde, por essas razões, muitas vezes, nos limites, a cidadania se confunde com opções ideológicas e partidárias.
O projecto apresentado pela ANMP, foi sublinhado, visa – “continuar a abrir as instituições democráticas do Poder Local à participação efectiva das nossas comunidades”, porque, considera-se que o exercício eleitoral de quatro em quatro anos “não esgota o dever das responsabilidades cívicas”.
Penso que esta é uma realidade, de há muito sentida e vivida pelos barreirenses, nas suas vivências associativas, na sua forma de viver o pulsar da cidade.
A actual gestão autárquica tem desenvolvido um estratégia que visa estimular a participação dos cidadãos, o envolvimento no debate de projectos, procurando, tal como é referido no projecto da ANMP, promover uma “Cidadania Activa” , proporcionando as necessárias condições para que exista “uma cidadania mais informada, mais responsável, com um papel crescente no influenciar dos processos de tomada de decisão”.
O Barreiro está de parabéns ao ter sido a cidade escolhida para a apresentação do projecto “Cidadania Activa” pela ANMP.
Este gesto é, afinal, uma homenagem a todos os que nesta terra lutaram pela liberdade e pela conquista da democracia.
Este gesto é, igualmente, um acto solidário com a actual gestão autárquica municipal que tem apostado no diálogo, no debate dos mais variados temas da vida local, na criação de instrumentos - Comissões, Observatórios – que contribuam para o enriquecimento de debates e aprofundamento da democracia.
No Barreiro estão a ser criadas, pouco a pouco, condições para que sejam superados os estigmas que marcaram algumas gerações. Uma herança do antes do 25 de Abril, do pensar a preto e branco, ou do PREC, a pensar a branco e preto.
Mas, não tenho dúvidas, ainda há um longo caminho a percorrer. E, neste caminhar, todos não seremos demais para que a do “cultura de grupo”, na verdade, seja superada, de facto, por uma “cultura de cidadania activa”.
Os desafios do século XXI exigem de todos os barreirenses que sejam capazes de discutir ideias, afirmar diferenças, manter combates politicos, tudo isto enriquece a democracia.
Há coisas que já não colam, a provocação fácil, a ofensa pessoal, os estigmas do comer criancinhas, o reescrever a história, o dividir o mundo nos maus e nos bons.
Gostava de ter escutado os nossos politicos, dos diversos quadrantes a expressarem o seu orgulho e a transmitirem esse orgulho aos cidadãos do Barreiro, por, neste ano de 2008, o Barreiro ter sido escolhido, pela ANMP, como palco para apresentação de um projecto de futuro de “cidadania activa”.
Mas, não, foi o silêncio, de todos, incapazes, por uma ou outra razão de sentirem orgulho de sermos uma cidade exemplo para o país.
Uns calaram, talvez, porque Fernando Ruas, é PSD, e evitaram, até ao limite, dar protagonismo ao projecto.
Outros calaram, talvez, porque Carlos Humberto, é PCP, e evitaram, falar do assunto, porque isso seria contrariar a “cassete” anti-participação.
Enfim, somos uma cidade que vive a politica de forma intensa, mas, ainda há, sem dúvida, um longo caminho a percorrer...nesta cultura de viver com o respeito pelas diferenças.
As Memórias dos presos politicos
De acordo com noticia editada no jornal “Público” de domingo, dia 27 de Abril, ex-presos politicos voltaram á sede da PIDE, no Porto. Comçamos a ler e, verificamos que dois presos politicos citados são Staline de Jesus Rodrigues, da Moita, e, Álvaro Monteiro, do Barreiro.
Ambos, relataram as suas vivências perante uma assistência de cerca de cem pessoas.
Staline Rodrigues, recorda os momentos que viveu naquele espaço há quatro décadas. Ali foi submetido à tortura do sono, entre 4 e 22 de Maio – “Eu deitava pus pelos olhos e pelos ouvidos” – recordou Staline Rodrigues, emocionando os presentes.
E nas suas palavras referiu – “Não esqueçam que a PIDE existiu, Salazar existiu, a tortura existiu”.
Alvaro Monteiro, recordou que, foi naquela prisão que teve conhecimento do nascimento da sua filha.
Fica o registo. Para que a memória não esqueça...neste reencontro com as memórias.













