A(nota)mentosPonte Barreiro – Chelas : PONTE LUÍS DE CAMÕES, porque não?
Da minha parte, como também gosto de dar sugestões aqui lanço a sugestão que a PONTE BARREIRO- CHELAS seja designada por PONTE LUÍS DE CAMÕES.

Por Jornal Rostos
Já escutei diversas sugestões de atribuição de nomes à nova ponte Barreiro- Chelas. Há quem sugira Ponte Alfredo da Silva. Há quem sugira ponte Álvaro Cunhal. Já escutei a sugestão Ponte Barreiro.
A nova ponte Barreiro-Chelas insere-se numa estratégia nacional que visa no essencial potenciar a criação de uma MEGA REGIÃO, alargando Lisboa para margem sul e dando-lhe uma dimensão de escala europeia e mundial.
A nova Ponte Barreiro-Chelas insere-se no potenciar a plataforma Atlântica – portos de Lisboa, Setúbal e Sines - que Portugal deve ter capacidade de desenvolver no âmbito do seu papel geo-estratégico europeu e mundial.
A segunda travessia, honrou Vasco da Gama, o descobridor. A terceira travessia deve honrar, Luís de Camões, o poeta que, com a sua obra “Os Lusíadas”, fez, com este canto épico, a apologia histórica de uma epopeia que, segundo refere Hegel, na sua “História da Razão”, abriu o caminho à modernidade da humanidade.
O Tejo é, sempre foi, um rio que inspirou poetas. Seria, igualmente, uma justa homenagem a este país de poetas e ao seu rio.
Recordando Fernando Pessoa :
“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo é não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.”
É esta memória de país colonizador que, numa epopeia memorável, espalhou a língua portuguesa pelos cantos do mundo e abriu as portas à globalização.
É esta memória de país de emigrantes que se espalhou por muitas comunidades no mundo.
É este país-nação com uma identidade étnica e histórica que deve, pois, orgulhar-se da sua cultura, e o seu papel de dimensão universal.
Se a nova PONTE BARREIRO-CHELAS abre janelas para novas oportunidades, para o arranque de projectos que abrem caminho à construção do século XXI, sejamos capazes de assumir, a nossa memória, e, atribuindo o nome de PONTE LUIS CAMÕES, prestemos uma homenagem à nossa cultura, à nossa língua, aos nossos poetas, e, com justiça, “limpemos”, com coragem, na verdade, a imagem e clichés gerados durante quarenta anos, que Luís Camões seria a expressão de uma “ideologia fascista”.
Como escreveu Eduardo Lourenço – “À imagem ideal e «imortal» da pátria portuguesa, Camões, estará para sempre, o sempre da nossa perenidade histórica e linguistica, ligado”
Que as Tágides recebam em festa, neste século XXI, a justa homenagem a Portugal, à língua portuguesa e aos portugueses, com a designação de PONTE LUIS DE CAMÕES, à nova travessia Barreiro-Chelas.
António Sousa Pereira













