A(nota) mentosAssembleia Municipal do Barreiro – a estátua Alfredo da Silva
O Barreiro entre o passado e o futuro
Outra posição, fechada às mudanças, que quer manter o Barreiro, tal como está, com aquele espaço no centro da cidade, completamente “inútil”, utilizado para skate e para mero ponto de encontro – “”Eh pá a gente encontra-se junto ao mamarracho”.

Por Jornal Rostos
Ao assistir à reunião da Assembleia Municipal do Barreiro uma das notas que pretendo deixar é que, mais uma vez, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro foi um homem íntegro, pois, ali, olhos nos olhos, defendeu a sua posição.
Defendeu que o importante é revitalizar o centro da cidade, desenvolver um projecto de cidade moderna com espaços públicos que sirvam como “ponto de encontro da cidade”, mas também como ponto de convívio.
A sua honestidade ao defender que a opção de, eventualmente, ser retirada a estátua de Alfredo da silva, tem como objectivo salvaguardar o conjunto arquitectónico, mas, se a opção for por manter a estátua, só por si, que a mesma pode ser enquadrada no programa em desenvolvimento.
O seu olhar para o futuro, sem querer que as memórias da cidade se percam, e, portanto, sugerindo que o “conjunto arquitectónico” seja mantido num espaço digno da cidade, salvaguardando a dignidade do industrial Alfredo da Silva.
Em segundo lugar, de registar a postura positiva do PSD, que defendendo que a estátua Alfredo da Silva deve ficar naquele local, avançou com a proposta de a mesma ser enquadrada no novo estudo urbanístico.
Em terceiro lugar, dirigir um olhar atento para o Bloco de Esquerda que, sem assumir posição, ficando-se no “nim”, lava as mãos como Pilatos e esconde-se na realização de um "inquérito".
Em quarto lugar, registar que o PS, partido que venceu as eleições no Barreiro, trazendo uma proposta inovadora de modernidade, lançando o repto de alargamento do centro da cidade para a Quimiparque, seja , nos dias de hoje, incapaz de verificar que ao longo dos anos, aquele espaço, onde está a estátua Alfredo da Silva, nunca foi mais do que aquilo que António João Sardinha salientou – “um ponto de encontro”.
“Eh pá encontramos na estátua!”! – é isto, apenas isto. O pessoal encontra-se vai para a “night”.
Um ponto de encontro de “manifs”, onde, sempre que se realiza um evento mais “alargado” é preciso fechar a Avenida Alfredo da Silva ao trânsito.
Talvez não tenha sido por mero acaso que as comemorações do 25 de Abril deslocaram para o Parque da Cidade.
Nesta Assembleia existiram, na essência duas posições, uma com visão de futuro, com um olhar no futuro, e não querendo perder as memórias do passado, independentemente das opiniões ideológicas, e, esta postura foi assumida pelo PCP/CDU e pelo presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
Outra posição, fechada às mudanças, que quer manter o Barreiro, tal como está, com aquele espaço no centro da cidade, completamente “inútil”, utilizado para skate e para mero ponto de encontro – “”Eh pá a gente encontra-se junto ao mamarracho”.
Esta a posição do PS que apenas tem objectivos políticos de circunstância e nada tem a ver com a realidade do concelho em transformação, nem com o seu futuro, nem com o seu passado.
Ao escutar a leitura da proposta do PS, ontem, de facto fiquei com as lágrimas nos olhos, por tristeza, porque li o artigo da Pública e, na altura, do qual, “discordei totalmente”, porque aquele artigo não reflecte o Barreiro e dá, apenas, uma visão esquizofrénica da cidade e das suas gentes, uma cidade que parece não ter estratégia.
Não foi este o PS que galvanizou o eleitorado barreirense e o motivou a acreditar numa mudança cultural da cidade.
Ao escutar a leitura da proposta do PS sobre o referendo, pensei, numa frase de Dostoiveski, no seu livro “Os Irmão Karamazov”, onde ele dizia : “Se Deus não existe tudo é permitido”.
E foi o que senti, afinal, na política, quando não existe alternativa, nem estratégia, tudo é permitido.
Uma nota para Pedro Gomes, do PSD, sim, é verdade, teria sido bom que o PS, na altura tivesse avançado com um referendo sobre a construção do FORUM BARREIRO.
Porque, de facto, se tal tivesse sido feito tinha existido um amplo debate sobre o futuro da cidade e a importância do seu centro. Esta discussão hoje, de certeza, não existira.
Uma nota final, considero, que a discussão em torno da Estátua, não tem nada a ver com a estátua de Alfredo da Silva.
Sou dos que defende que o Barreiro deveria chamar, até si, tudo quanto pudesse potenciar em torno da figura de Alfredo da Silva. Porque existe,por investigar, um imenso “capital de cultura” para explorar, de memórias, de valores, de realidades.
No Barreiro deveria ser criado um “Centro de Estudos de Alfredo da Silva e da CUF”.
Mas existe, de facto, uma catarse, por fazer, o quebrar de estigmas, que só o tempo irá sarar.
Acho que a Estátua de Alfredo da Silva deve ficar num lugar digno da cidade.
Acho que a cidade não pode, nem deve ignorar esta memória.
Foi isto que vi o PCP/CDU a defender. O PS defendeu uma visão de passado, saudosista e sem perspectivas de futuro.
Faça-se o referendo mas que seja feita a pergunta : Concorda que a Estátua Alfredo da Silva deve manter-se num local digno da cidade?
Ou então: Concorda que o centro da cidade deve ser revitalizado e que o espaço onde está actualmente a estátua Alfredo da Silva deve ser um ponto de referência do centro da cidade, com vida própria?
Nota final - Carlos Humberto foi o vencedor desta Assembleia Municipal. É um senhor!
António Sousa Pereira













