Crónica do PalácioVai nascer o “Movimento dos Alfredinhos”
Mas, foi acrescentado, é, igualmente um meio de corporizar a concepção mitológica de José Caro Proença, que defende que o Barreiro nasceu no mar. Logo, se o Barreiro nasceu no mar, o nosso criador – o Alfredo – deve ser colocado nas margens do Tejo.

Por Jornal Rostos
O pessoal juntou-se como é habitual, à sexta-feira, para o almoço da Tertúlia do Palácio. Um ponto de encontro para falar, sorrir e comentar a vida da cidade.
A conversa esteve mesmo muito animada. Os nove convivas que desta vez apareceram viveram uma refeição, verdadeiramente , “iconeclástica”.
O tema, empolgante, obviamente, a Estátua Alfredo da Silva.
Sim, é verdade, também entrou para a conversa uma profunda reflexão sobre a Igreja-Taberna da Telha.
Houve mesmo quem sugerisse que fosse lançada uma campanha tendo como lema : “Taberneiros de todo o mundo, uni-vos”.
Claro, em defesa da capela dos “descobrimentos” – degradada e sem qualquer sentido de obra epocal – mas cujo altar está destinado, há muitos anos, às pipas de vinho e, como tal, deve ser um orgulho de todos os taberneiros. Isto é coisa rara que deve ser preservada, em nome da cultura da cidade.
Sim, foi referido, ali, a pinga é abençoada pelos céus. O Proença não gostou da brincadeira. Mas, enfim, aguentou-se à pedalada do pessoal.
Mas, sublinhe-se o pessoal, concorda que o local seja referenciado com um “memorial”, assinalando a existência da referida capela.
Mas, a conversa animou mais, muito mais, quando o pessoal decidiu criar o “Movimento dos Alfredinhos”.
O Proença desta gostou. Até porque, recentemente, expressou a sua indignação por se afirmar por aí, aos quatro ventos, que foi o Alfredo que nos criou.
A primeira acção que o “Movimento dos Alfredinhos” vai desenvolver, foi decidido, é fazer um abaixo assinado – um inquérito, dizia o Mário Durval – para que a Estátua de Alfredo, seja colocada junto à ponta do Mexilhoeiro.
“Seria a nossa estátua da Liberdade” – comentou alguém.
Logo, de imediato, o Kira disse que no quadro que vai pintar, para dar uma visão do enquadramento da estátua, naquele espaço, colocaria o Alfredo de punho erguido e em vez de uma tocha teria uma chaminé da CUF.
O Kira prontificou-se a nunca mais pintar Moinhos de Alburrica. Vai criar tudo tendo como inspiração o “Alfredinho”.
A ideia de colocar a estátua do Alfredo, no Mexilhoeiro, foi dito, insere-se numa estratégia, de afirmação do Barreiro, perante Lisboa – frente ao Terreiro do Paço – e com a ideia- força de dinamizar o conceito de “cidade de duas margens”.
Mas, foi acrescentado, é, igualmente um meio de corporizar a concepção mitológica de José Caro Proença, que defende que o Barreiro nasceu no mar. Logo, se o Barreiro nasceu no mar, o nosso criador – o Alfredo – deve ser colocado nas margens do Tejo.
O Nuno Banza não gostou da ideia porque, ali, no Mexilhoeiro, são as gaivotas - os ratos do ar – que vão sobrevoar a estátua do Alfredo, enquanto, no lugar “mítico de referência da night”, são os pombos que esvoaçam e dão outro sentido “ecológico” ao espaço.
Mas, o Nuno, grande defensor do “Movimento dos Alfredinhos” ficou de arrancar com a produção de t-shirts, onde, deverá ser inscrita a frase : “Alfredo amigo, o povo está contigo”!
Entretanto, para fazer fundos para o “Movimento dos Alfredinhos” foi decidido mandar fazer porta chaves, com a estátua em miniatura, que, diga-se, a longo prazo poderá tornar-se um elemento de projecção da imagem do concelho. Um ícone.
Assim, pouco a pouco, iríamos transformando o Barreiro numa cidade cosmopolita, tal como, quando o pessoal vai a Bruxelas, foi dito, compra aqueles porta chaves do “menino a fazer xixi ”, aqui o pessoal passava a comprar o porta chaves do “alfredinho”.
O Kira também sugeriu que fosse feito um “alfredinho” do estilo daqueles do Santo António de Lisboa, que se puxa um cordel.
Alguém, disse, penso que foi o Carlos Correia, que poderia ser um “bonequito” estilo da Ilha da Madeira.
Enfim, o pessoal estava todo entusiasmado com a criação do “Movimento dos Alfredinhos”.
O Carlos Correia referiu que aquele fado do “Alfredo quando tu cantas” devia ser o hino do Movimento.
O pessoal concordou, até, porque é um fado cantado à desgarrada com o Fernando Farinha, um barreirense, para quem não sabe.
Logo, um má língua disse, que isso da desgarrada parece o que aconteceu na Assembleia, o velho e o novo, em disputa. O Velho seria o PS. O novo o PCP.
Logo, o Nuno Banza discordou, sempre do contra : “Não, isso é melhor ficar pela história, do velho, o rapaz e o burro”.
Ah, é verdade, também foi sugerido que fossem produzidas “bolinhas anti stress”. Seriam denominadas as “bolinhas d Alfredo”.
O Proença sentia-se satisfeito. Porque afinal este Movimento era um verdadeiro reconhecimento do criador, que fez a obra.
O Mário Durval, logo, comentou que um criador faz sempre uma boa obra. E, não percebemos porquê sorria, repetindo – “a obra…obra”.
O Proença, aproveitou para esclarecer que o Largo das Obras, tem esta designação, porque o Alfredo, dali, comentou : “Esta é a minha obra”.
E, por essa razão, discordou que a estátua do Alfredo fosse para o Mexilhoeiro, expressando a sua opinião que devia ficar no “largo da obra”. O Durval concordou. Mas exigiu um inquérito.
O Miguel, médico, recém chegado ao Barreiro, dizia : “Aqui faz-se, rapidamente, um curso intensivo sobre a história do Barreiro”.
O Figueiredo ainda falou do Bico da Passadeira, por ser mais perto do “Xangai” – vulgo Baixa da Banheira – que como todos sabemos também foi uma criação do Alfredo.
O “Movimento dos Alfredinhos” foi ganhando forma e objectivos.
Foi referido que este “movimento” será supra partidário dado que estavam, na sua criação, presentes pessoas do BE; PCP; PS, PSD e sem partido.
Diga-se, quase todos licenciados ou com frequência universitária, não muito velhos, sendo portanto, pessoas cuja opinião pode servir para ter uma ideia - um pulsar de opinião – sobre a memória, os ícones da memória. Uma senhora que estava na mesa comentou : “Vejam como falam”. Porque o Nuno não se calava com os ícones.
Alguém lhe disse que, ícones, com fartura, encontrava na Festa do Avante.
Mas, na conversa, o Proença, com uma grande memória, até disse que, com a colocação da estátua, na época, lhe retiraram a “pista de bicicletas”. Portanto, conclui-se, há memória da cidade.
Diga-se, foi sublinhado que a criação do “Movimento dos Alfredinhos” acima de tudo visa criar uma corrente de opinião que contribua para fazer a catarse dos fantasmas e da esquizofrenia.
O Nuno discordou – “Esquizofrenia não, comportamento bipolar!”.
OK. Disse alguém – “É isso o pensar a preto branco”
Claro que não faltou a frase: “Freud explica isso”.
Para lançar o Movimento o pessoal vai montar umas bancas nas ruas da cidade, para divulgar os objectivos e, também, visando angariar fundos, serão vendidos porta chaves “o alfredinho”, uma gravação do fado “Alfredo quando tu cantas/ Já não tens a voz de outrora/Mas quando cantas ainda cantas/ junto aos fadistas de agora”.
O Carlos que demonstrou ter boa voz cantando o “Adamo” vai gravar o CD, dando a sua própria voz.
Foi um almoço de loucos. Gargalhadas não faltaram. E faltaram alguns que costumam animar a festa.
Mas, para a semana há mais…o “Movimento dos Alfredinhos” é irreversível – todos pelo criador e pela sua obra!
“Mas vocês esqueceram-se dos ferroviários” – dizia o Durval, acrescentando – “Foi por existir Caminhos de Ferro que o Alfredo veio para aqui…”
Pronto, para a semana é esse o tema – “Os Alfredinhos perante a consciência ferroviária”.
Um abraço.
SP













