GALARDÃO “BARREIRO RECONHECIDO” 2008Trabalho
O Operário do Barreiro
Desde o século XV que há notícia do lugar do Barreiro. Até meados do século XIX é uma pequena vila eminentemente piscatória, ainda que já existisse operariado na indústria vidreira e ligado à epopeia dos Descobrimentos. Mas é, em 1861, com a instalação do Terminal da linha de Caminho-de-Ferro Sul e Sueste, que tem o seu primeiro importante elemento impulsionador económico-social.

Por Jornal Rostos
O Barreiro começou a ser um ponto de atracção de populações vindas de todo o Pais, mas sobretudo de terras vizinhas e, essencialmente, a Sul, em busca de melhores condições de vida. Na altura, dominavam as oficinas de caminhos-de-ferro e as fábricas de cortiça.
Outro elemento decisivo para a História local, regional e nacional é a instalação da CUF – Companhia União Fabril no Concelho, cuja primeira fábrica viria a ser inaugurada em 19 de Setembro 1908. Comemora este ano o seu centenário.
A necessidade de mão-de-obra especializada empregou ali centenas de milhares de trabalhadores. Movida pela necessidade, carência, ambição ou sonho, dá-se, então, uma explosão demográfica. E com ela, por arrasto, de mentalidades. De culturas. São afectados, indelevelmente, a economia, o comércio, a cultura, o associativismo, a
construção, a arquitectura, a paisagem e o seu tecido social. Por todo o lado se ouvem sirenes e se pressente o frenesim dos operários.
Nesta altura, como antes, assimilavam-se os deveres e agitavam-se as mentes, conscientes da necessidade do respeito aos direitos dos cidadãos. Uniam-se, assim, esforços para sensibilizar a população no sentido construir de uma sociedade mais justa.
A fundação de uma associação, em 1891, pelos operários corticeiros reflecte, já, esta tradição de consciência colectiva. Paralelamente a actividades reivindicativas, os corticeiros organizam iniciativas de valorização da classe e criam uma importante Cooperativa. Em Setembro de 1910, os corticeiros do Barreiro, secundados por ferroviários, fazem greve. Um mês depois, ao que não será alheia este protesto, dá-se a Implantação da República.
Também o operariado da CUF, a partir de 1919, se movimenta por melhores condições de trabalho e de salários. Numa acção colectiva, operários de várias indústrias unem-se participando nas greves de 1943, que viriam a despertar uma aura de desconfiança entre a Vila e o regime de então, só dissipada com o 25 de Abril.
No Barreiro respira-se cultura operária e solidariedade. Até hoje, esta figura MAIOR tem marcado o imaginário da terra e das suas gentes.
Esta é uma homenagem ao Operário do Barreiro, da CUF, ao corticeiro, ferroviário, àqueles que contribuíram, com a força do seu trabalho, da sua vontade e do amor à terra que os viu nascer ou acolheu, para que o Barreiro seja o que é hoje: uma terra orgulhosa do seu passado, empenhada no presente e esperançada no futuro.
A Câmara Municipal do Barreiro tem, assim, a honra de homenagear o Operário do Barreiro com o Galardão de “Barreiro Reconhecido 2008” na área da “Trabalho”, que, simbolicamente, será entregue a Hélder Madeira, Presidente da Assembleia Municipal.













