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Inferências

Diz que é uma espécie…de BLOGUE DE NOTAS do BarreiroOs cartazes permitiam efectuar uma avaliação “histórica” das Festas do Barreiro

Era interessante efectuar-se uma recolha de cartazes, das Festas do Barreiro, desde antes do 25 de Abril, até aos dias de hoje, e, uma “viagem” no tempo, por este elemento gráfico, sem dúvida, seria um bom elemento para gerar uma reflexão sobre a “crise de identidade” das nossas Festas e efectuar uma avaliação histórica.

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Diz que é uma espécie…de BLOGUE DE NOTAS do Barreiro Os cartazes permitiam efectuar uma avaliação “histórica” das Festas do Barreiro

Por Jornal Rostos

Uma recente troca de opiniões sobre o cartaz das Festas do Barreiro, levou-me, naturalmente, a olhar para o referido cartaz com alguma atenção.
E, antes de demais, fiz um percurso, por alguns resíduos da minha memória, desbravando cartazes e cartazes, das Festas da Cidade, das Festas do Barreiro, das Festas do Barreiro em Honra de Nª Srª do Rosário, das Festas da Cidade – Barrind.
Encontrei cartazes bonitos, nascidos de Concursos, onde participaram diversos criativos, e, por mais que uma vez, os vencedores foram aristas plásticos de outras paragens, nomeadamente da margem norte.
Também, recordei cartazes, que foram produto de criativos do Barreiro, a quem a autarquia “encomendava” a respectiva concepção gráfica, incluindo a criação de logotipos ( no caso da BARRIND).

Os cartazes permitiam uma avaliação histórica

Esta variedade de cartazes que ocorrem à memória e alguns, tenho-os presentes em folhetos-programas arquivados nos meus montes de papéis-memórias, só por si, permitiam efecctuar um estudo sobre os percursos, ao longo dos anos, percorridos por este evento chamado “Festas do Barreiro”.
Era interessante efectuar-se uma recolha de cartazes, desde antes do 25 de Abril, até aos dias de hoje, e, uma “viagem” no tempo, por este elemento gráfico, sem dúvida, seria um bom elemento para gerar uma reflexão sobre a “crise de identidade” das nossas Festas e efectuar uma avaliação histórica.
Na verdade, os seus conteúdos plásticos proporcionam, uma avaliação da diversidade de elementos que, ao longo dos anos são colocados, certamente, aos criativos para que “inventem” um cartaz que responda com “eficiência” – atraindo a atenção, divulgando a sua mensagem central.

Cartaz tem harmonia gráfica

Mas, voltando ao cartaz das Festas do Barreiro 2008. Um olhar atento permite concluir que o mesmo obedece a todas as regras de concepção de um cartaz.
A sua mensagem central é bem perceptível. Tem força e simplicidade,evitando “ruídos” de comunicação.
O cartaz tem harmonia gráfica. E as suas cores são fortes e apelativas, projectando a mensagem com dinâmica.
Na base do cartaz, em “sépia” uma fotografia da CUF, recortada com um perfil das fábricas da antiga zona têxtil, donde nasce uma chaminé, que vem da antiguidade, e se transforma ( de forma estilizada), numa nova chaminé, aquelas marcadas a “vermelho e branco” que, afinal, são a imagem que todos nós sentimos quando nos aproximamos do Barreiro, ou quando olhamos o Barreiro de outros pontos da região, nomeadamente de Lisboa.
Essa “nova chaminé”, que de forma simples nos conduz da fotografia do passado – como sendo uma passadeira que abre o caminho para o presente – conduz-nos visualmente para a mensagem – Barreiro – Festas, e, simultânemaente, a preto, coloca o tema das Festas – “Centenário da CUF”.
Esta, como mensagem central do cartaz tem as cores vermelha e preto, que, são as cores do concelho do Barreiro.
No cartaz, nota-se que existiu a preocupação de criar um equilibrio gráfico, entre o passado, que funciona como rodapé e a mensagem da actualidade, colocada dentro do espaço do seu “centro óptico”.
É um cartaz marcado pela simplicidade gráfica. Não é um cartaz “salada russa”. Tem leitura. Conduz de forma rápida e eficaz para a sua mensagem principal e central – FESTAS DO BARREIRO.
A utilização das cores laranja, nas datas, permite sentir uma relação de acção entre o “sépia” do passado e o Barreiro em festa no presente, evocando as memórias do centenário da CUF.
O cartaz, na minha modesta opinião, que não sou criativo gráfico, nem artista plástico, responde técnicamente, áquilo que é essencial num cartaz- ter uma mensagem limitada, concentrada, abreviada e com força de penetração para quem “passa” e olha”, tendo que descodificar em segundos a mensagem.
Um cartaz não é um painel, nem um quadro artístico.
Um cartaz procura ser um elemento gráfico que com base no tema, que visa divulgar, deve ser directo e conter os elementos gráficos que permitam que exista um compromisso entre a mensagem e os elementos visuais.
Tudo isto está presente neste cartaz. Por esta razões não percebi as polémicas que foram geradas em seu redor.

Ausência da vertente religiosa

Mas, já agora, um comentário, por exemplo, nos cartazes, produzidos durante a gestão socialista, com este “modelo- estruturante” de Festas do Barreiro (já agora dizer, que entretanto, na gestão PCP/CDU, foi ampliado e enriquecido, por exemplo com os Espaços Juventude, os Espaços Criança e a Feira do Livro), dizia que, no decorrer da gestão socialista, nos cartazes das “Festas do Barreiro – MEI” nunca faltou, nos cartazes, igualmente, o elemento da componente religiosa das Festas.
Ou referenciado, no cartaz – “Festas em Honra de Nª Srª do Rosário", ou colocando um elemento visual estabelecendo a “ponte” entre as Festas do Barreiro e essa sua dimensão histórica.
Esse elemento falta neste cartaz. Esse elemento deveria estar presente no cartaz. Era simples, bastava só, nem que fosse em “linha de água” inserir uma imagem da Nª Srª do Rosário ou da Igreja de Nª Srª do Rosário.
O Cartaz mantinha a sua simplicidade e brancura, a sua temática central não era afectada, e, obviamente, não perdia essa mensagem de referenciar o evento religioso que está indelevelmente ligado às Festas do Barreiro.

António Sousa Pereira

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