Crónica do PalácioProposta de criação de uma “Associação pró Galeria ou Museu do Kira no Barreiro”
“Mas, a questão principal não é discutir o assunto como está a ser feito, com base nos 12 minutos. A questão principal é debater porque é que isto acontece e, esse, é um problema de organização, de modelos de gestão. Isso é que é preciso avaliar.” – comentava outro, no decorrer do almoço de rentrée da Tertúlia do Palácio.

Por Jornal Rostos
Recomeçou, ontem, a habitual Tertúlia do Palácio, um ponto de encontro, às sextas feiras, no Restaurante Palácio Alfredo da Silva, onde há sempre espaço para conversar sobre as “coisas” que fazem o quotidiano da cidade.
Uns mais apaixonados nas suas convicções ou estratégias político-partidárias. Outros mesmo com convicções político-partidárias, mais desapaixonados, das emoções que movem os “conflitos” dessas lutas. Outros sem qualquer ligação político-partidária.
Trocam-se opiniões. Debatem-se ideias. Circulam as habituais bocas.
Comentam-se artigos. Comentam-se as actualidades, assim como quem viaja numa espécie de documentário - “assim vai o mundo”.
Naturalmente que o tema que anima os debates nos dias de hoje esteve sobre a mesa – “os célebres 12 minutos”.
“Têm que ser apuradas responsabilidades! A Assembleia Municipal deve fazer um inquérito” – dizia um.
“Mas, a questão principal não é discutir o assunto como está a ser feito, com base nos 12 minutos. A questão principal é debater porque é que isto acontece e, esse, é um problema de organização, de modelos de gestão. Isso é que é preciso avaliar.” – comentava outro.
“A questão de fundo é um problema de gestão e necessidades e carências de recursos humanos. E nada tem a ver com a qualidade do que existe. São as limitações.” – lá vinha pelo ar outra opinião.
“Há responsabilidades políticas que têm que ser assumidas” – disparava outro.
O tema animou a conversa durante alguns minutos. Naturalmente Lisboa entrou para a conversa. E, também, o Górgias, obviamente, não faltou…nem Freud.
Enfim, foi um começo de um debate que, certamente, promete continuar.
Cá por mim, este tema vai continuar até que “nasça” por aí outro “leit motiv” que volte a “reanimar” as agendas políticas que, como se vai confirmando, funcionam, sem estratégia, mas por impulsos circunstanciais, totalmente reactivas e ao sabor dos ventos, aproveitando as “bolinas” para navegar num rumo que ajuda a manter o barco numa rota, evitando que esteja encostado ao cais.
Para já, ficou de lado o tema do “negócio”…que, certamente, um destes dias vai voltar.
Sobre a política cultural e os valores culturais da cidade
Outro assunto que veio para cima da mesa, este mais interessante, que também mereceu comentários e reflexões, sobre a política cultural e os valores culturais da nossa cidade.
Recordou-se, por exemplo, que Manuel Cabanas, foi graças a Santana Lopes, enquanto Secretário de Estado da Cultura, que recebeu algum apoio que contribuísse para a sua dignidade, com a atribuição de um subsídio vitalício de 100 contos/mensais.
Recordou-se como aos artistas, de diversas áreas, é solicitada a sua colaboração e contributo mas, regra geral de forma “graciosa”. Ignorando-se, ou esquecendo-se que eles também “vivem”. E que, para viver, necessitam do mesmo que todos os outros seres humanos.
Augusto Cabrita foi, entre muitos, um daqueles que deu, tantas vezes, sem nada receber, para além do prazer de estar a contribuir para a valorização do seu Barreiro e Tejo, que tanto os amava.
Veio à baila a velha história da “Cigarra e da Formiga”. Uma que canta no Verão e no Inverno passa fome, porque passou o verão a cantar . Outra que no Verão trabalha e no Inverno tem alimento porque soube amealhar.
E, aqui, recorda-se a tal pergunta de Raul Solnado – “Que seria da vida se não houvessem cigarras para dar um sentido à criatividade, à imaginação e ao sentido lúdico dos dias?”
Rotulando a história da “Cigarra e da Formiga” de reaccionária.
Falou-se de política cultural. E, houve logo, quem apontasse as pistolas e disparando rumo a culpados. É fácil, fica tudo solucionado.
Só que a história, nos tempos de hoje, já não pode ser contada com uma só versão : mesmo que uma tenha 27 anos e outra tenha 4 anos. Há a realidade. Existem os factos.
E isto da política cultural merecia, sem dúvida, um grande debate, num concelho, onde: não há pão, todos ralham e…quem tem razão?!
Criação de uma “Associação pró Galeria do Kira no Barreiro”
Vem tudo isto a propósito, da proposta de Carlos Alberto Correia, nesta rentrée da Tertúlia do Palácio.
Carlos Alberto Correia sugeriu a criação de uma “Associação pró Galeria ou Museu do Kira no Barreiro”.
“O Kira quer sair do Barreiro” – disse.
“Sim, parece que lhe fizeram uma proposta tentadora para ir para Espanha” – foi comentado.
“Não queremos que o Kira saia do Barreiro. O Kira é um valor cultural para a nossa cidade” – foi referido.
A ideia está no ar. Vai ser apreciada. Vai ser elaborada, desenvolvida e dinamizada.
O objectivo é criar condições para a promoção e valorização da obra do Kira e dar um contributo para que ele se fixe no Barreiro e continue a dar um importante contributo para a nossa criatividade, para a nossa identidade cultural.
“O Kira se vivesse noutro país era um nome de referência mundial. Ele é um senhor, é um criador único. A sua obra é ímpar na sua harmonia e cor ” – foi comentado.
“E tantas ideias bonitas que ele tem, que podiam contribuir para criar e inovar os espaços públicos da cidade. Uma delas de uma beleza espectacular para o Parque da Cidade.” – recordo.
Um dia disse-lhe – “Kira, tu podias ser o Gaudi do Barreiro”.
A proposta foi apresentada a Emídio Xavier.
E, penso que, também já foi apresentada a Carlos Humberto.
Nem sei, se nestas candidaturas de fundos comunitários, ao nível cultural, seria, ou não viável apresentar uma candidatura.
Seria um projecto muito interessante e seria uma forma de atrair visitantes da Área Metropolitana de Lisboa a um Parque com obras de arte ( e, já agora, acrescento que poderia estender-se à zona do POLIS).
Um dia Jorge Fagundes, madeirense, diz que encontrou o madeirense Berardo, e, que este lhe perguntou : “Como está o Kira no Barreiro? Já morreu. ?”
E terá acrescentado que se tal tivesse acontecido queria comprar muitas obras de Kira.
É isto o nosso país. Já foi assim com o desgraçado do Luís Camões.
Mas, voltando ao tema. A ideia está lançada. Nós queremos criar um movimento que contribua para a dinamização de um projecto cultural que valorize a obra do Kira e que afirme – “Nós não queremos que te transformes num José Saramago e vás viver para Espanha. Queremos que continues a ser uma referência no Barreiro”.
Recordas Kira, aquele texto que escreveu Maria Rosa Colaço, quando navegava, no Tejo, num cacilheiro : “Ao fundo, gaivotas famintas, recortam-se nos ácidos sulfurosos do céu do Barreiro onde o Kira pinta…”
E vais continuar a pintar. Nós não vamos desistir.
Vamos criar uma “Galeria Kira”, que tu até podes gerir, e, pelos teus conhecimentos e saber, dar um importante contributo para colocar o Barreiro como uma referência cultural na região.
Foi assim, para recomeçar a rentrée da Tertúlia do Palácio…sexta-feira lá estaremos de novo. Se apoia esta ideia, já agora, apareça. Não precisa ser convidado. Basta aparecer.
António Sousa Pereira













