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Inferências

A(nota)mentosÉ, ou não, o PSD uma força de oposição no Barreiro?
Por António Sousa Pereira

Se continuarem nessa de pensar que o PSD, por ter pelouro não é oposição e que é muleta do PCP/CDU, sem dúvida estão a dar ao PSD a visibilidade que precisa, como força politica activa e que, afinal, marca a diferença com o Bloco Central de Esquerda, pois, na prática, já foi “muleta” do PS e do PCP, o que lhe dá autoridade moral, de quem é independente de uma e de outra força política.

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A(nota)mentos É, ou não, o PSD uma força de oposição no Barreiro? Por António Sousa Pereira

Por Jornal Rostos

Sempre fui defensor que os partidos políticos ao nível local deveriam aceitar pelouros, porque, com essa decisão estão a assumir responsabilidades políticas na acção, podem intervir com a voz de quem trabalha e não se resumem a ser meros “observadores” da coisa pública.
Por exemplo, no Barreiro, mesmo em cenários de maioria absoluta PCP, o PSD sempre assumiu pelouros, e, igualmente, o PS também assumiu pelouros, e, até o defunto PRD assumiu pelouros.
Essa realidade, nunca retirou aos partidos políticos a sua autonomia, nem os descaracterizou como forças de oposição, antes pelo contrário, foram situações que contribuíram para prestigiar os seus vereadores e de forma activa influenciarem políticas de desenvolvimento local.
Posteriormente, com o PCP/CDU em minoria, ou com o PS, em minoria, igualmente, neste caso o PSD, assumiu um protagonismo de força política de charneira e, sempre, com as suas opiniões próprias.

PSD "solidariedade institucional"

Nos dias de hoje, muitas vezes, se escutam de vozes da área socialista afirmando que o vereador Mendes Costa, no exercício das suas funções foi uma verdadeira “força de bloqueio”. Algo que, na verdade, será uma injustiça para o autarca, pois, sempre, escutei, de Emídio Xavier, os melhores elogios e referências à sua positiva solidariedade institucional.
Confundir “solidariedade institucional” de um partido que aceita partilhar gestão, com “co-gestão” ou “partilha de poder” com a força que conquista a presidência da autarquia e tem a maioria, mesmo que relativa, é um erro de avaliação politica, porque quem define as estratégias e quem procura cumprir o seu programa é sempre quem lidera, quem conquistou a presidência - o tal órgão!

Aceitar pelouro não significa deixar de ser oposição

E, por outro lado, considerar que por se aceitar pelouro deixa-se de ser oposição tal é negação da existência e a autonomia da outra força política.
Enquanto força de oposição, mantém as suas opiniões e estratégias, até tem as suas discordâncias, não pode, obviamente querer impor o seu programa, pois, o programa em vigor é aquele que o eleitorado sufragou com a maioria, mesmo que relativa, é, assim que entendo a actual visão do Poder Local, de acordo com legislação em vigor.
Podem existir concepções diferentes e existem. Até admito soluções diferentes. Mas a que está em vigor é esta e tem tido resultados positivos.
O PS aceitou pelouros diversas vezes e nunca foi essa realidade que diminuiu a sua acção politica local enquanto força de oposição.
O PCP aceitou pelouros e foram-lhe, posteriormente retirados porque, não percebeu, ou não quis perceber, que quem tinha ganho a autarquia, com o seu programa tinha sido o PS, não tendo sido capaz de fazer na oposição aquilo que outros antes tinham feito expressar “solidariedade institucional” .
Aceitar pelouros, enquanto força política minoritária dá força moral e política aos partidos políticos que adoptam essa estratégia.
Por essa razão, considero que um dos maiores erros estratégicos do PS, no actual mandato, enquanto força de oposição é não ter aceite pelouros.
Por outro lado, reconheço como positiva a postura politica de João Soares que, tendo sido eleito, aceitou pelouro e, com o seu trabalho e dedicação tem servido o Barreiro e os barreirenses. Se não serve o PS, que afinal continua a ser o seu partido de coração, é porque não está disponível para alinhar nas posturas de ser “oposição pela oposição”.

Ser “oposição pela oposição”

É que nisto de ser “oposição pela oposição”, mesmo que sendo uma decisão política estratégica, ao longo do mandato deveriam sentir-se os efeitos, com tomadas de posição objectivas, de demarcação das diferenças.
Foi, na verdade, o que fez o PCP quando optou por ser “oposição pela oposição”. Criticava. Apresentava documentos de critica e avaliação da gestão.
Não é isto que o PS faz nos dias de hoje. A maior parte das vezes passa a vida a fazer comparações, quando, por vezes, nada há para comparar.
O PS deu continuidade em muitas coisas que herdou do PCP/CDU.
O PCP/CDU deu continuidade a muitas coisas que já vinham do PCP/CDU, passaram pelo PS e agora prosseguiram, ou, também deu continuidade ao que herdou do PS.
É normal. O importante seria demarcar as diferenças, coisa que por vezes é difícil. Pois.

PSD é um partido de oposição

Uma das teses que por vezes se escuta na vida política local barreirense é que o PSD não é um partido de oposição, fundamentando-se tal opinião no facto daquele partido na autarquia ter assumido pelouro.
O que é isso afinal ? O que é isso de ser oposição na vida politica?
Será estar do contra? Será acusar só por acusar? Será defender as posições do Governo? Será a politica da terra queimada?
O PSD de facto, tendo pelouro, tem sido a força política no Barreiro mais consequente, mais activa, mais critica e que mais se tem demarcado de posições da maioria PCP.
Tem sido, por essa razão, uma oposição. Sim, uma oposição responsável. Age. Critica. Constrói.
O próprio vereador independente João Soares, em posições que, em consciência discorda, não na substância, mas na forma, tem optado pela abstenção.
Penso que isto, sim, é que é ser oposição no Poder Local. Trabalhar. Marcar as diferenças.
E, por outro lado, ao nível do PSD, para além das posições do seu vereador na autarquia, a Comissão Politica da Secção do Barreiro do PSD, em comunicados públicos, tem tomado as suas posições, distanciando-se sempre que necessário das opções que a maioria do executivo decide. Para quem acompanha as reuniões de Câmara tudo isto é óbvio.
De tal forma que, por vezes, situações que são “dinamitadas” devido a interrogações e perguntas do vereador social democrata, depois tornam-se as “grandes armas” de luta política daqueles forças politicas que se consideram oposição “tout court”.

Furar o “establishement “ do Bloco Central de Esquerda

O PSD tem sido um partido que, não fora o seu espaço ideológico ser um pouco “contra natura”, em relação à realidade sócio politica dominante ao nível local, ao longo do tempo, de facto, pela sua acção na autarquia, tem mais força moral que o PS, para se apresentar como alternativa política ao PCP/CDU, porque sempre trabalhou e lutou por ser parte activa no Poder Local.
Mas, na verdade, pelo caminho que as coisas estão a levar, talvez, essa força da oposição, esteja a ganhar um lastro de intervenção social e politica que, nunca se sabe, as voltas que o mundo dá, pois, nunca esqueçam que no Cavaquismo, o PSD chegou a conquistar o segundo lugar na vida política local, nas eleições para as legislativas.
O problema político do PSD não é não ser oposição, pois, na verdade, tem sabido ser, com genica e com estratégia.
O problema politico do PSD, no Barreiro e no distrito de Setúbal, é se, na prática, consegue ter garra e força para furar o “establishement “ do Bloco Central de Esquerda, composto pelo PCP e PS, que influência a vida politica da região.
O PSD refere que pretende nas próximas autárquicas conquistar Câmaras no distrito de Setúbal, o que não seria inédito.
Ao nível de freguesias já alcançou esse objectivo, e, ao nível de freguesias, poderá lutar, com alguma facilidade, por alcançar esse objectivo.
Ao nível de Câmaras não é um cenário impossível até porque, de facto, no distrito, o PSD é a única força política de oposição com expressão eleitoral autárquica que sendo centro direita e até centro esquerda, pode lutar por conquistar espaço politico ao Bloco Central PCP/CDU – PS, numa eventual situação de ruptura do eleitorado com a esquerda e cansaço com a gestão à esquerda.
Esse é o grande desafio do PSD. Como tal, para mais facilmente lá chegar, tem que assumir pelouros, demonstrar capacidade de gestão, ter visibilidade.
A sua luta politica é, na verdade, criar as condições para demonstrar que, tal como noutras cidades, noutras regiões do país, o PSD é, não uma alternância ( como aconteceu no Barreiro entre PS e PCP, e, eventualmente, pode continuar a acontecer, nesta opção marcante do Bloco Central de Esquerda) mas, pelo contrário o PSD, tem que ser capaz de afirmar-se como uma alternativa que pode fazer a diferença da esquerda, mais vermelha, ou mais rosa.

O PSD percebeu que ser oposição é ter acção e não só palavreado

Será disso que alguns sectores do PS têm medo quando querem afirmar que o PSD não é oposição só porque assumiu pelouro na autarquia?
Vamos esperar. Porque, pelo caminho que isto leva, não me admirava nada que, o PSD, nas próximas autárquicas, pelas razões mais diversas, no Distrito de Setúbal, brotasse como uma força política alternativa, registando um forte crescimento, a partir da conquista de franjas do eleitorado ao PS.
O PSD de há muito percebeu que a oposição tem que ser feita com acção e não com palavreado. Se um dia convencer o eleitorado que a esquerda está esgotada, será a alternativa que existe viva e com experiência adquirida pelo trabalho.

PSD marca a vida politica local

O PSD, não se preocupa em fazer comparações, acima de tudo tem uma postura de quem se orgulha da sua postura política ao longo dos anos na Câmara Municipal do Barreiro. Influenciando decisões. Protagonizando, com razão, politicas em contraponto com opções do PCP/CDU.
Por isso, é caso para dizer que se cuide o PS, com o PSD, quer enquanto oposição, quer enquanto força alternativa.
Aliás, quer o PS, quer o PCP, tiveram na oposição feita pelo PSD lições políticas. O PSD tem sido uma força política que influencia e contribui para as decisões e opções do eleitorado, marcando a vida política local, no Barreiro e em diversos concelhos da região.
Uma coisa foi eleitoralmente visível, mesmo com o PSD, com pelouro, Pedro Canário perdeu a maioria, por influência da acção política do PSD, e, igualmente, Emídio Xavier, certamente não deve estar esquecido da oposição do PSD, com pelouro. Não na gestão e na governabilidade da Câmara, mas na sua oposição na vida política local.
É que, sem dúvida, para ser oposição não basta parecer, dizer que se é oposição, é preciso ser e saber ser, coisa que, na verdade, hoje como ontem, o PSD faz com estratégia e saber.

PS devia pedir desculpa a João Soares

Na sua capacidade de influência com mais destreza, neste mandato, o PSD, foi, na verdade, estancado pela acção do Vereador Independente João Soares, a quem, sem dúvida, o PS deveria pedir desculpa, pois, sozinho, travou os ímpetos de afirmação do PSD como única força de charneira.
João Soares percebeu e soube agir como uma oposição construtiva e activa. Travando o PSD, coisa que o PS não percebeu, nem está a perceber, não sabendo aproveitar este capital político.
Por todas estas razões considero que o PSD é, nos tempos de hoje, no Barreiro, a verdadeira força política de oposição ao PCP/CDU.
A vida política local prova-o e demonstra-o.
O PS está mais preocupado em demonstrar que, quando geriu, foi o melhor do mundo, em vez de se preocupar em demonstrar as diferenças e potenciar politicas alternativas.
De tal forma que se apresenta uma moção de censura, num espaço temporal inadequado, porque, talvez, o receio seria que a apresentação de uma moção de censura, não teria cabimento após a conclusão das obras da Avenida Alfredo da Silva ou inauguração do novo Mercado 1º de Maio.
Se o PS tem medo das obras do mandato do PCP/CDU, então já perdeu as próximas eleições. É que uma cidade não é só obra. O PCP perdeu as eleições num mandato marcado por muitas obras. Sim é verdade, num tempo em que o PS era virgem de acção de poder e que se apresentou ao eleitorado como uma alternativa de cidadania.

Há mais cidade para além das obras

Uma cidade é um projecto, com obras e com cidadania, com estratégia e com visão de futuro.
O Bloco de Esquerda vai a reboque do PS, e tenta demarcar-se do PCP, sem soluções alternativas. Funciona como uma oposição pequenina, de 2ª Divisão, conseguindo, por vezes, ganhar pontos ao PS.
Tudo isto para concluir se continuarem nessa de pensar que o PSD, por ter pelouro não é oposição e que é muleta do PCP/CDU, sem dúvida estão a dar ao PSD a visibilidade que precisa, como força politica activa e que, afinal, marca a diferença com o Bloco Central de Esquerda, pois, na prática, já foi “muleta” do PS e do PCP, o que lhe dá autoridade moral, de quem é independente de uma e de outra força política.
Quando é que a esquerda, ou as esquerdas, se convencem que o “papão do PPD” já passou a história e que o PSD é um partido que hoje é oposição e amanhã vai voltar, inevitavelmente, a ser governo, e, também, neste país, gere mais autarquias que o PS e PCP, sendo o distrito de Setúbal, uma excepção por razões históricas. Talvez, até ver, perante os desafios que este "laboratório da politica" vai colocar à esquerda nos próximos tempos e as clarificações que o futuro vai exigir a um distrito que vai transformar-se em região âncora da AML e do país.
Ao PSD, aqui e agora, resta-lhe convencer o eleitorado e afirmar-se como alternativa, para ganhar autoridade política e isso faz-se trabalhando e com acção.
Pelo caminho que vamos trilhando, no mundo de hoje, certamente, é, tudo uma questão de tempo...porque, sem dúvida, há mais fazer cidade para além das obras e politiquices de "sacristia".

António Sousa Pereira

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