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Inferências

A(nota)mentosUma «Cultura política» que faz lembrar os tempos do «Cavaquistão»
Por António Sousa Pereira

O ex-Presidente da República, Mário Soares, criticou ontem o primeiro-ministro José Sócrates, por entrar em polémica com os manifestantes que saíram à rua, descontentes com as políticas do Governo.

Quero dizer que, quando escutei as declarações de José Sócrates, sobre a manifestação promovida pela CGTP/IN, pessoalmente, também não gostei e considerei um erro estratégico.

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A(nota)mentos Uma «Cultura política» que faz lembrar os tempos do «Cavaquistão» Por António Sousa Pereira

Por Jornal Rostos

O ex-Presidente da República, Mário Soares, criticou ontem o primeiro-ministro José Sócrates, por entrar em polémica com os manifestantes que saíram à rua, descontentes com as políticas do Governo.
Segundo Mário Soares o primeiro-ministro “faria bem em dialogar e ouvir, em vez de entrar em polémica sobre uma manifestação”.
O antigo Presidente da República e fundador do Partido Socialista, salientando que “não é na rua que há soluções para os problemas” sublinhou que “a manifestação de sexta-feira foi um sinal de grande descontentamento”.
Por outro lado, Mário Soares, refere uma notícia do jornal “Público”, confrontado com a acusação do primeiro-ministro de que a manifestação foi instrumentalizada pelo PCP e Bloco de Esquerda, referiu : “Não vejo vantagem nenhuma que ele diga isso”.

Quero dizer que, quando escutei as declarações de José Sócrates, sobre a manifestação promovida pela CGTP/IN, pessoalmente, também não gostei e considerei um erro estratégico.
Alíás, considero que começa a ser uma “cassete” esse discurso de, sempre que um grupo de manifestantes ( inseridos ou não numa estratégia de acção política-partidária) expressam a sua indignação, de imediato são rotulados de serem objecto de “manipulação de comunistas”.
Isto faz lembrar o que acontecia, antes do 25 de Abril, quem protestava ou se indignava contra o regime – era comunista.

Mas, o mais preocupante é que já não se trata apenas de acusar os manifestantes de serem comunistas ou bloquistas, hoje, já surgem sinais que nos devem fazer reflectir, por exemplo, José Lello, pelo facto de Manuel Alegre ter uma visão própria daquilo que considera deveria ser a estratégia do PS, é acusado de ter “falta de carácter”.

Parece que, nos dias de hoje, começa a existir uma “cultura política” que faz lembrar os tempos do “Cavaquistão”.
Ou se está com o Governo, e, só assim se é socialista. Ou se, se critica o Governo, então, faz-se o jogo dos comunistas, dos bloquistas, ou, então,isso, pelos vistos, demonstra mesmo que se tem «falta de carácter«.
Esta é uma cultura que fecha portas. Esta é uma cultura que coloca a vida politica meramente na “dimensão ideológica”, tornando a actividade politica, com uma “dimensão sectária” e de pura cegueira, dado que se limita a dividir o mundo e as práticas humanas, com base numa visão «maniqueista» - os bons e os maus.
E, pelos vistos, os bons são todos aqueles que estão com o Governo. Os maus são todos os outros.
Por isso, quero sublinhar que concordo com Mário Soares: é preciso diálogo com os sindicatos, com os partidos e com as pessoas.
Porque este país é de todos e tem vida, para além, muito para além das dinâmicas governamentais e do Estado.

Li, um dia uma frase de um político americano, Charles Evans Hughes que registei : “Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres”.
Fica aqui para reflexão…

António Sousa Pereira

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