InferênciasQuem vai «capitalizar» os votos de João Soares?
Por António Sousa Pereira
João Soares, é, nos tempos de hoje, um pouco, uma referência para aqueles que podem ser considerados os politicamente “desalinhados”, que existem dentro do PS, do PCP, do PSD, ou mesmo fora destes partidos, mas que, “vivem” dentro das suas esferas de simpatizantes.
Os “desalinhados” são, de alguma forma, uma expressão residual, de uma cultura de esquerda que marca a vida local barreirense, de resistência, de liberdade, de cidadania, que cruza as vidas partidárias e as memórias dos dias.

Por Jornal Rostos
Um dos temas que vai animar a reflexão sobre as próximas eleições autárquicas será em torno da procura de uma resposta à pergunta : Quem vai «capitalizar» os votos de João Soares?
Alguns poderão ter a opinião que João Soares não tem nenhum partido a dar-lhe apoio, portanto, neste caso, em nada irá contar no processo eleitoral autárquico.
Só que, num processo eleitoral autárquico ( muitos ainda não aprenderam esta lição histórica) contam os partidos e também contam as pessoas que na comunidade apoiam os partidos, assim como as pessoas que integram as diferentes listas de candidatos e cada cidadão nas suas relações de vizinhança e proximidade.
Por essa razão, sempre se verificou que pessoas com opções políticas partidárias, em eleições legislativas ou Europeias, depois nas autárquicas votam em forças políticas diferentes, aconteceu quer na vitória dos socialistas, quer na vitória dos comunistas, e, naturalmente, vai continuar a acontecer...
Os politicamente “desalinhados”
Mas, afinal, que tem de tão importante o Vereador Independente João Soares?
É muito simples. Em primeiro ligar, João Soares é o único socialista que tendo perdido as últimas eleições autárquicas, foi simultaneamente vencedor, porque aceitou pelouro e trabalhou para a comunidade, pois, sem dúvida, foi para isso que os eleitores votaram.
João Soares soube superar o erro político e estratégico do PS de não querer aceitar pelouros.
Em segundo lugar, João Soares é nos tempos de hoje, um pouco, uma referência para aqueles que podem ser considerados os politicamente “desalinhados”, que existem dentro do PS, do PCP, do PSD, ou mesmo fora destes partidos, mas que, “vivem” dentro das suas esferas de simpatizantes e vivem o pulsar da vida politica local.
Os politicamente “desalinhados” são os homens e mulheres que gostam de intervir na vida da comunidade, são actores na vida social, mas, por experiência de vida, ficaram cansados dos pseudo jogos de poder que marcam os quotidianos partidários. Onde, por vezes, infelizmente, a ambição se sobrepõe aos ideais, aos valores e princípios éticos e políticos.
Os politicamente “desalinhados” são, muitas vezes, homens e mulheres que são referência na vida das comunidades, não por conversa, mas por actos que realizaram, sendo para muitos cidadãos, verdadeiros exemplos de vida, no associativismo, nas escolas, nas empresas, na vida social, desportiva e cultural.
Mas estes politicamente “desalinhados” são homens e mulheres com opções políticas. Não são neutros. Alguns até são filiados em partidos políticos, mas aos quais, por razões éticas e morais, localmente, não se sentem ligados, nem parte integrante dos seus «modus vivendi», por razões de ordem pessoal, moral ou politica, e, acima de tudo por terem um verdadeiro «sentido humanista» da vida.
Os “desalinhados” localmente, quer queiram, quer não queiram os «estrados maiores» partidários, ao nível local, acabam, sem dúvida, por influenciar bastante, com as suas opiniões e actos as opções do eleitorado ao nível autárquico.
Para tal, basta reflectir sobre as memórias e nem é preciso ir muito longe...
Expressão residual de uma cultura de esquerda
Os “desalinhados” são, de alguma forma, uma expressão residual, de uma cultura de esquerda que marca a vida local barreirense, de resistência, de liberdade, de cidadania, que se cruza nas vidas partidárias e nas suas memórias dos dias.
São pessoas que recusam ser neutras, mas, também, que nunca abdicaram do direito de ser «culturalmente livres».
Esta realidade que marca a dimensão cultural de esquerda do Barreiro, transmite aquele sentimento que, leva a sentir orgulho de ser do Barreiro e afirmar o Barreiro com uma dimensão cultural de esquerda – uma esquerda que ama a Liberdade.
Quantas vezes já escutei, no Barreiro, pessoas ligadas a partidos de direita, ou ditos de direita, afirmar com orgulho : “O meu avô foi do PCP, era um homem que eu muito admirava. Ele nunca vergava ”.
É esta cultura de “antes quebrar que torcer” que faz a cultura dos “desalinhados”, porque não vivem nos jogos, mas sentem, quotidianamente, que são pessoas activas e que dão, deram, e querem continuar dar a sua acção pelo Barreiro, dando mais, muito mais, que muitos «papagaios das sacristias politicas», autênticos fazedores de “maledicência” e cuja única acção humana que se lhes conhece, na luta de ideias é viverem a cultivar a “difamação de carácter».
O Vereador Independente João Soares é um exemplo do que é ser «desalinhado». Um homem que agiu por consciência politica correcta, situação que conduziu à sua «excomunhão» pelos sempre existentes «inquisidores de serviço», que, como sabemos, houve, há e haverá em todas as épocas, prontos a gritar : “Expulsem-no!”.
E não pensem que esta realidade tem um exclusivo. Por experiência de vida, sei que não, sei que não…
João Soares importância moral e politica acima dos vereadores socialista
O Vereador independente da Câmara Municipal do Barreiro, que optou por trabalhar pela comunidade, por muito que isso doa aos seus ex-camaradas socialistas, acabou por ganhar um estatuto moral e politico, acima, muito acima, da importância moral e politica dos vereadores socialista
O Vereador independente da Câmara Municipal do Barreiro, pelo trabalho realizado no executivo municipal tem, sem dúvida, um «capital político» acumulado, que supera moral e politicamente, o capital político do Partido Socialista em termos autárquicos.
Aliás, não é por mero acaso que, muitas vezes, em reuniões públicas de Câmara, naqueles pontos antes da ordem do dia, os autarcas socialistas disparam por todo o lado, com tiros par o ar, tiros para os pés, e, de repente, reparam que estão a criticar áreas de trabalho da competência do Vereador João Soares.
Então, metem prego ao fundo e comentam: Não estamos a criticar o Vereador João Soares, estamos a criticar o que não foi feito anteriormente…
Os vereadores socialistas têm medo do Vereador João Soares, como o Diabo da Cruz.
Postos, politicamente, perante a comunidade, lado a lado, num prato da balança, os vereadores socialistas, pelo trabalho realizado, no actual mandato, mesmo aquele dito de eventual oposição, não tenho dúvidas que João Soares derrotava exponencialmente os socialistas.
O vereador João Soares foi mais oposição, no mandato, ao PCP/CDU, que o PS no seu todo, quer ao nível da vereação, quer ao nível da acção política local.
Porque, de facto, hoje, dada a sua acção politica surge, perante as autárquicas a pergunta : Que fazer ao capital político acumulado pelo Vereador João Soares? Porque este é um capital com peso político, com trabalho no terreno.
Mas, por outro lado, pouca gente está preocupada com o capital político dos vereadores socialistas, porque todo ele se resume a uma mera gestão de trunfos, para a vida interna dos próprios socialistas, na luta de galos, pelos lugares nas próximas listas autárquicas.
Quem poderá capitalizar o «capital político» de João Soares?
Coloca-se, portanto, a pergunta : Mas, afinal, quem poderá capitalizar os resultados acumulados pelo «capital político» de João Soares?
Não podemos esquecer que este é um «capital político» de esquerda, num concelho que sente à esquerda e vive à esquerda.
O Bloco de Esquerda dificilmente será capaz de atrair a si João Soares, porque, de facto tal só seria possível num cenário de proporcionar ao Vereador Independente uma posição de candidato à presidência da Câmara. Este, obviamente, é um cenário improvável.
Nesta situação o BE capitalizava a acção de João Soares, mas, simultaneamente, sacrificava o seu maior trunfo, talvez com a mesma dimensão política de João Soares, ou seja, o Joker do BE, chamado Mário Durval.
O PCP/CDU, dificilmente consegue atrair a si João Soares, até porque, João Soares, apesar de ter pedido demissão do PS, continua com convicção a afirmar-se socialista.
O PSD ( que no Barreiro também pensa e vive à esquerda) esse nunca iria atrair João Soares, até porque foi um partido que viveu, todo o mandato, a gerir a conflitualidade da «charneira politica», um espaço que foi politicamente diminuído ao PSD, pela presença activa na vereação, do independente socialista.
O PS, esse sim, poderá querer atrair João Soares, principalmente Amílcar Romano, porque ganhava um aliado para conquistar espaço político ao nível da vereação e, simultaneamente, reforçava a sua dimensão na estrutura interna socialista, onde, João Soares, continua a ter o seu “task force”, mesmo estando por fora da acção partidária.
No entanto, este regresso de João Soares ao PS iria, igualmente, causar um «tsunami» que, em nada iria beneficiar, as tentativas da actual liderança socialista de “pacificar” em torno de si um Partido Socialista que vive com uma «cultura federativa».
Uma «cultura federativa» que acima de tudo existe para limitar as conflitualidades e visa unir os desavindos, portanto, esta é uma cultura onde os «desalinhados» não têm espaço, porque não estão “federados”.
Logo João Soares seria um elemento de perturbação e, de forma alguma, iria ajudar a reduzir as tensões de guerra das “federações locais».
Os “desalinhados” estão cansados de «violências ideológicas
Em conclusão : o capital político do Vereador João Soares vai contar nas próximas eleições autárquicas.
Quem o conseguirá atrair ao seu espaço político é algo que iremos ver no futuro.
É importante, não esquecer que em torno do «capital politico» de João Soares, está uma «cultura do fazer» e do amor ao Barreiro.
Esta dimensão moral e politica vai, naturalmente, muito para além das dimensões político-partidárias e, sem dúvida, é nessa dimensão que deve ser pensada, quer em relação ao vereador independente João Soares, quer a muitos outros “desalinhados”que por ai andam, trabalham e vivem, com a cultura do “fazer cidade”, porque estão cansados de «violências ideológicas» , de «perfeccionistas de ocasião», e, acima de tudo, ao nível local, colocam o prazer de querer e gostar de viver no Barreiro e construir um Barreiro melhor, com lideranças moral e politicamente sóbrias.
Talvez, por essa razão, muitos «desalinhados» votam PS, ou PSD, nas Europeias e nas Legislativas e depois votam PCP/CDU nas autárquicas.
Talvez por essa razão o «capital politico» do vereador independente João Soares tenha uma força, politica e moral, que vai para além, muito para além, de um estar individual, mas é o espelho de um sentir de muitos barreirenses que ao longo dos anos teve, na prática, a expressão eleitoral no tal «Ciclo Pendular».
Muitos ainda não aprenderam, que ser dono de um partido, não significa ser dono de uma cidade, mais a mais, numa cidade que tem orgulho na sua memória de Liberdade.
Esta é uma lição que serve, historicamente, quer ao PCP/CDU, quer ao PS.
Pensem nisto…
António Sousa Pereira













