Diz que é uma espécie de BLOGUE DE NOTAS do BarreiroJá tem o Barreiro que quer?
Hoje, ao viajar pelas ruas do Barreiro encontrei a pergunta: “Já tem o Barreiro que quer?” E, de imediato, a resposta que encontrei no meu pensamento foi: “Não, não tenho o Barreiro que quero”.
Esta pergunta – “Já tem o Barreiro que quer?” - surge colocada no outdoor de lançamento público da campanha eleitoral autárquica do Partido Social Democrata, que tem o rosto de Nuno Banza, candidato à presidência da Câmara Municipal do Barreiro.

Por Jornal Rostos
Como referi, a minha primeira resposta à pergunta colocada, publicamente, pelo rosto do candidato Nuno Banza, foi: “Não, não tenho o Barreiro que quero!”.
E, penso que esta será a resposta que, certamente, todos os barreirenses, com raras excepções, vão dar, porque, efectivamente, cada um de nós nunca terá dado como concluído o Barreiro que quer, porque queremos sempre mais e melhor.
Houve um tempo que não havia Parque da Cidade.
Houve um tempo que não havia Auditório Municipal Augusto Cabrita.
Houve um tempo que não havia POLIS.
Houve um tempo que não havia Oficina dos TCB’s.
Houve um tempo que não havia passagem desnivelada.
Houve um tempo que não havia Centro de Educação Ambiental.
Houve um tempo em que não havia Biblioteca Municipal.
Houve um tempo em que não havia Convento da Verderena.
Houve um tempo em que não havia passagem superior na Recosta.
Houve tempo que não havia água em casa para tomar banho, às 18 horas.
Houve um tempo que a construção da ETAR era um sonho.
E, muito mais, muito mais. Mas, a seguir…
Haverá um tempo que se impõe que se acabe com a passagem desnivelada e a passagem superior da Recosta.
Haverá um tempo que será preciso encontrar uma solução para o Auditório Municipal Augusto Cabrita, como é, hoje, preciso encontrar uma solução para a Casa da Cultura da ex-Quimigal.
Os tempos mudam. Há coisas que hoje servem, de certeza, amanhã vão deixar de servir.
Por isso queremos sempre mais e melhor para as nossas terras e para as nossas vidas.
E, a verdade, é que vivemos até ao final das nossas vidas, pelos menos para aqueles que sonham sempre com mudanças, com a sensação que há sempre algo de novo para fazer e construir. Ainda bem que é assim e que existem sonhadores.
De certeza que nunca teremos a alegria de ver concretizados todos os sonhos que sonhamos para o lugar onde vivemos, ou mesmo para as nossas próprias vidas.
Isto é natural, porque é humano querer sempre ir mais além, sempre assim foi, sempre assim será, e, sem dúvida, é por essa razão que o percurso da humanidade tem sido uma história de mudanças, de descobertas, de inovação e de melhoria da qualidade de vida, e, simultaneamente, com momentos de recuo e de retrocessos.
Por isso, digo e repito : “Não, não tenho o Barreiro que quero”. Mas, acrescento, - “Este Barreiro, não é o Barreiro que eu conheci há 40 anos”.
“Qual o Barreiro que quero?”
Ao reflectir sobre a pergunta colocada no cartaz de Nuno Banza, candidato à presidência da Câmara Municipal do Barreiro, senti que esta, de facto, não é uma pergunta ingénua, nem é uma pergunta inócua.
De facto, a resposta a esta pergunta não pode limitar-se a um mero: “Não, não tenho o Barreiro que quero!”
Porque, de imediato, na nossa consciência, se vai colocar outra pergunta, quer respondamos não, ou mesmo que a resposta, para alguns (?) possa ser um sim.
Se não tenho o Barreiro que quero, então, surge a pergunta : “Qual o Barreiro que quero?”. Se a resposta for pelo NÃO.
Ou a pergunta: “Não é possível melhorar?” – se a resposta, for SIM, pois, dificilmente alguém aceitará que está tudo bem e que não há mais nada a fazer.
O que significa que uma resposta: “Sim, tenho o Barreiro que quero”, será sempre reducionista e superada pelas dinâmicas da vida, quanto muito este SIM, é um sim de auto-satisfação e narcisista .
Um exercício de cidadania
Mas, sem dúvida, este arranque público da Campanha Autárquica do PSD é inteligente, porque lança aos barreirenses um repto de reflexão sobre a vida na cidade e no concelho.
Esta pergunta é um apelo à participação activa que começa na consciência de cada um ao viver a sua cidadania, com a coragem de olhar ao seu redor e pensar, numa resposta para a pergunta – “Já tem o Barreiro que quer?”
Esta pergunta coloca a cada barreirense a obrigatoriedade de fazerem ( cada um por si próprio) um exercício de cidadania.
É uma pergunta que tem dimensão intelectual é colocada com sageza, porque, não fazendo perguntas pela negativa, sobre fait divers, nomeadamente sobre os buracos, o lixo, os jardins ou as obras, leva cada cidadão a pensar sobre o seu quotidiano, portanto, inevitavelmente para tudo aquilo que faz a sua qualidade de vida.
Esta pergunta tem, por outro lado, implícita a procura de respostas às nossas vivências culturais, sociais, educativas, no plano da saúde, emprego ou ambiente, é, sem dúvida, uma pergunta que nos exige a procura de uma resposta, sobre as condições de sustentabilidade do nosso concelho.
É uma pergunta que não falando em projectos, obriga-nos a reflectir sobre projectos, sobre estratégias, lançando um desafio sobre a obrigatoriedade de reflectirmos sobre a visão estratégica de concelho ou cidade.
A pergunta impõe que cada um pense sobre o concelho que deseja legar aos vindouros.
Esta é uma pergunta : eficiente e eficaz, porque obriga cada cidadão a ser mais cidadão e, sem dúvida, ser capaz de pensar o “buraco da rua” e, ao mesmo tempo, lançar um olhar sobre o “fazer cidade”.
É isto que quer para o Barreiro?
Escrevi que esta não é uma pergunta inocente. E sinto, aliás, que esta pergunta vale, politicamente, mais, muito mais, que todas perguntas “pavlovianas” que invadiram, recentemente, as ruas da cidade.
Esta é uma pergunta que, simultaneamente, está carregada de “ironia política”, porque se não temos o Barreiro que queremos, então, certamente “há culpados”.
A pergunta, na busca de respostas, deixa que cada um pense, subliminarmente, naqueles que nos últimos anos geriram – quer PS, quer PCP/CDU – pois foram eles que, pelo trabalho que realizaram nos legaram o concelho que temos.
O PCP/CDU porque geriu o concelho durante décadas. O PS porque geriu o concelho durante quatro anos e, pelos vistos, por tudo o que vai dizendo, hoje, tudo o que existe, agora em execução, é fruto daquilo que foi feito durante os últimos quatro anos, portanto, também é herança da sua gestão.
Enfim, uma pergunta que tem implícita, subtilmente, a ironia – “Ao estado a que chegámos. É isto que quer para o Barreiro?”
“Mudar para uma gestão PSD?”
Talvez, por essa razão, o outdoor dos sociais democratas, que coloca a pergunta : “Já tem o Barreiro que quer?”, de imediato, ali mesmo, não respondendo, abre um caminho para ajudar a encontrar uma resposta.
“Mudar com responsabilidade!” – é a frase inserida, por baixo da pergunta, no cartaz de Nuno Banza.
E, ao ler esta resposta, de novo, surgiram novas perguntas na minha consciência.
“Será mudar para uma gestão PSD?” – perguntei a mim mesmo.
Certamente, este é o primeiro desejo de um candidato à presidência da Câmara Municipal do Barreiro. Certamente é por esse objectivo político que vai lutar.
E, de facto, nos dias de hoje, o PSD tem que surgir, no Barreiro, como uma força política capaz de galvanizar os sentimentos de uma classe média, um eleitorado que está amorfo, porque não encontra referências políticas, e, na verdade, não se revê em discursos de “fait divers”, e, deseja, sem dúvida, mais e quer mais e melhor para o Barreiro, porque gosta de viver aqui e quer viver aqui com qualidade e sustentabilidade.
“Mudar com responsabilidade – com quem?”
Mas, terá o PSD dimensão política local para se forjar como alternativa? Poderá ter no futuro, no decorrer do século XXI, hoje, dificilmente, para tal, basta observarmos a realidade do eleitorado local e as mais recentes sondagens.
Por essa razão surge nova pergunta : “Mudar com responsabilidade – com quem?”
Será com o PS? Ou será com o PCP/CDU?
Se a pergunta tem implícita a ideia de “mudar”, então é uma aposta de “mudar” quem está no poder.
Mas a resposta também tem implícita a ideia “com responsabilidade” o que pressupõe que o PSD, está atento e à espera de qual será a proposta e os rostos do PS nas autárquicas.
Esta resposta, politicamente, coloca o PSD, num espaço equidistante, entre o PS e o PCP/CDU, expressando a sua vontade política em dois níveis – primeiro que quer trabalhar pela mudança do Barreiro, dado que é critico à situação existente; segundo que está disponível para apoiar quem lidere com "responsabilidade”.
Está clara a estratégia do PSD nas autárquicas : dar uma dimensão à politica que contribua para desenvolver uma visão estratégica para o concelho, motivar os cidadãos para uma cidadania activa, responsável e consciente, que seja capaz de olhar para os problemas da sua rua e ter um gesto solidário de cidadania.
Por outro lado, o PSD, deixa «claro» que, à partida, não vai ter alianças preferenciais, nem com o PS, nem com o PCP/CDU.
O PSD estrategicamente afasta-se do PCP. O PSD estrategicamente quer fechar espaço de manobra ao PS.
O PSD com esta campanha demonstra que quer afirmar-se por si próprio, com os seus rostos e que quer apelar à cidadania activa, comprometida e consciente.
O PSD demonstra que não pretende limitar a sua acção política a uma mera gestão de opinião pública, dinamizada numa estratégia politica de “guerrilha urbana”.
O PSD, está ou não, a piscar o olho ao PS?
Em suma, o PSD começa a sua campanha na rua, com inteligência e com sentido de responsabilidade, afastando-se do modelo de gestão em curso, mas, de alguma forma aberto, para co-participar – “com responsabilidade” - na procura de soluções, com a sua força e a sua capacidade especifica de partido que, sendo de charneira, quer crescer…e não ser apenas algo que se usa, meramente, para garantir a governabilidade.
O PSD pergunta, talvez, porque quer ser parte da resposta e da solução, sabendo que está longe da liderança diz ao eleitorado que opte, que decida, porque vai contar com os sociais democratas, na autarquia apostando – “Mudar com responsabilidade”…venha quem vier.
Mas, no fundo, no fundo, não deixa de ficar, a "malhar" na consciência, a pergunta : O PSD, está ou não, a piscar o olho ao PS, ao mesmo tempo que estende a mão ao PCP/CDU?
António Sousa Pereira













