A(nota)mentos Barreiro / Setúbal“Tenho uma notícia para vos dar : Jesus está vivo!”
Na sua homilia o Padre José Manuel dizia a abrir que “tenho uma notícia para vos dar : Jesus Ressuscitou. Jesus está vivo! Amanhã, esta notícia não vai ser manchete dos jornais, nem vai abrir os noticiários das televisões, mas, eu conto convosco, para que cada um de vós leve a notícia aos amigos e divulgue: Jesus está vivo!”

Por Jornal Rostos
Estive ali, porque pretendi partilhar com o meu amigo Kira e sua companheira Fátima (Católica), a cerimónia de baptismo do seu filho Rafael. Solidário. Partilhando mais um momento, dos muitos momentos, que fazem a vida que todos vamos construindo uns com os outros. É tudo isto que faz a nossa memória.
Enquanto ali estive, o meu pensamento navegava entre a presença e ausência, recordando os tempos que vivi, de forma plena as vivências pascais, enquanto Católico, em confronto com o meu actual sentimento teísta que, de alguma forma, venera com respeito todos os sentimentos religiosos e o sagrado, mas que, opta, por viver esse olhar sobre o infinito, na interioridade.
No pensamento, acompanhei as orações, porque, afinal, todas elas fazem parte da minha memória, e, todos nós, por muito que achemos que somos, isto ou aquilo, de certeza há uma coisa que nós somos sempre – o nosso presente e tudo o que preenche a nossa memória.
Neste divagar pelas ideias, sentia que embora partilhando aquele momento de “vivência da fé” colectiva, existia, qualquer coisa que me apontava outro caminho, talvez, para viver essa ideia de “Deus” mais íntima, de encontro com os valores que marcam o pulsar da humanidade e uma crença que toca por dentro do coração, uma energia que move e nos leva a ter consciência que somos com os outros, com a natureza e com um “não sei quê”, que cada um vive, chamando-lhe Deus, Jeová, Alá, Buda, ou outra coisa qualquer, que até pode ser a negação de tudo isto, e chamar-lhe apenas HUMANIDADE.
Sim, é verdade, é possível que, como dizia o Padre José Manuel – “Cristo está vivo!”. Porque afinal, certamente que Cristo está dentro de cada um de nós, na capacidade de amar, no dar, no respeito e na tolerância, no sentimento de partilha e vontade de construirmos um mundo melhor.
Neste tempo, onde há tanta crise de valores, podemos redescobrir Cristo, em qualquer lugar, desde que saibamos, acima de tudo, dar à vida uma dimensão humanista: de valorização do ser humano e de respeito pela natureza – um sentimento cósmico.
Podemos encontrar Cristo, talvez apenas e somente, quando somos capazes de viver, nas nossas empresas, nas escolas, nas associações, na vida política, desportiva ou cultural, colocando no centro da vida a palavra AMOR.
Sim, AMOR no sentido pleno – amor num mundo melhor, amor na responsabilidade que cada um de nós tem de legar aos outros um mundo um pouco diferente daquele que encontrou e que, afinal, é diferente, fruto do movimento da história, nesse permanente conflito entre diferenças e contradições, no confronto entre o saber e a ignorância, na crispação entre a humilhação e a liberdade.
Este é sem dúvida, um mundo sempre diferente, um mundo que se aperfeiçoa, deixando para trás um velho mundo, nascendo um novo mundo, este, que amanhã, será o velho mundo que vai dar lugar a outro novo mundo. É assim o movimento da história.
Podemos encontrar Cristo num sorriso, num abraço, e, talvez, acima de tudo há uma certeza, é, que, quer exista ou não outra vida para além desta, esta, que hoje vivemos e aqui, é única, irrepetível e está nas nossas mãos dar-lhe conteúdo, enchê-la de valor e sentirmos que valeu a pena viver.
Sentirmos que vale a pena vivê-la, para além das ânsias de poder, do dinheiro que tudo compra (pois, como alguns dizem, todas as pessoas têm um preço), porque, afinal, amanhã vamos morrer e o que vai ficar de nós, será a memória que legarmos e aquilo que formos capazes de construir, para que o mundo se transforme.
Estava ali na Igreja do Lavradio e reparei que entre os presentes estavam socialistas, comunistas, sociais democratas, bloquistas, enfim, uma multidão unida pela ideia que, como dizia o Padre José Manuel: “Cristo está Vivo!”
Termino, com uma palavra ao Rafael, que me levou até à Igreja do Lavradio, numa noite Pascal.
Para ti breves palavras: faz da tua vida, uma entrega com paixão, vive a tua vida com amor e sempre com essa ideia que, afinal, somos nós, todos nós, com os nossos actos que podemos demonstrar que - Cristo está vivo – basta viver a vida com AMOR.
Desejo que sejas um bom Cristão e, recordo-te, por experiência de vida, que tomes cuidado com os fariseus, que usam o templo e as palavras de Cristo, mas, na prática, são mais perigosos que os hereges, esses, eternamente condenados, porque optam, apenas por ser livres e não querem “viver a palavra de Deus em vão”.
António Sousa Pereira
Nota - Boa Páscoa aos muitos que de forma simpática têm enviado para o jornal “Rostos” as amêndoa e os coelhinhos













