Assembleia Municipal do BarreiroComentários sobre os discursos dos nossos politicos
Por outro lado, esta reunião da Assembleia Municipal, foi, talvez, politicamente marcada pelo «confronto» de dois discursos : Carlos Humberto e Eduardo Cabrita.
Foi uma «luta» de «titãs», cada qual puxando para o seu lado, com serenidade, o «dossier» do desenvolvimento estratégico…e o amor ao Barreiro.

Por Jornal Rostos
Breves comentários….
1. Eduardo Cabrita - PS
Uma intervenção politicamente positiva, marcada por dois vectores : por um lado, a afirmação do Partido Socialista como uma “alternativa” que se vai colocar aos Barreirenses nas próximas eleições autárquicas, afirmando-se como uma alternativa quer para liderar os destinos do concelho, quer para ser uma «oposição responsável».
Por outro lado, foi um discurso que defendendo as posições legitimas das acções estruturantes dinamizadas pelo Governo, que vão contribuir para o desenvolvimento do Barreiro, não foi um discurso daqueles que, por vezes, se escutam mais papistas que o Papa.
Um discurso que, inclusivamente, reconheceu o papel positivo que tem sido desenvolvido pelo Presidente da Câmara Municipal do Barreiro e, com alguma ironia, procurou gerar «clivagens» no seio do PCP/CDU.
Uma intervenção que falando com orgulho da “minha terra Barreiro», não entrou nesse discurso absurdo, que, por vezes, é utilizado como slogan, arrepiante, de quererem fazer um “Barreiro Socialista».
Este é um slogan que querendo afirmar democracia, é, logo à partida, um discurso de exclusão e anti-democrático, porque, pelos vistos quem não for socialista, ou não estiver com os protagonistas do socialismo, não tem lugar nesse «Barreiro Socialista».
Nota Positiva - 10
2. Carlos Humberto – PCP/CDU
O presidente Carlos Humberto esteve bem, na resposta, subtil, que deu a Eduardo Cabrita. Recordando-lhe que se é verdade que estão a ser tomadas, hoje e aqui, medidas estruturantes por um Governo do Partido Socialista, também, é verdadeira a premissa que, hoje e aqui, quem gere a liderança dos destinos do concelho do Barreiro, partilhando, cooperando e intervindo no desenvolvimento dessa estratégia é uma autarquia que tem à frente um membro do Comité Central do PCP, para deixar, bem claro, que não há divergências de pontos de vista na acção politica autárquica.
Um discurso que acima de querer «louros» colocou o «fazer cidade» como factor de mobilização de vontades e energias.
Nota Positiva -10
3. João Pintassilgo - PS
Embora sendo uma intervenção um pouco rebuscada, procurou valorizar as opções estratégicas do Governo que vão servir o concelho e a região, não de uma forma propagandística, mas com serenidade política.
Esticou um pouco a corda ao referir que vai haver ponte Barreiro – Chelas porque o PS vai ganhar as eleições legislativas e, também, a impor no limite que a autarquia se limite a apoiar o Governo, como se uma «parceria estratégica» tenha por base um poder ( o central) que “define» e outro ( o Local) que tem que «aceitar?».
Estar de acordo não significa estar submisso. Aliás, este é o erro estratégico constante, dos socialistas.
Mas, foi uma boa intervenção, marcando terreno e espaço de confronto político, separando as águas entre a gestão CDU e a extinta gestão PS.
Nota Positiva - 8
4. Rui Lopo – PCP/CDU
Uma intervenção que veio trazer a importância de se pensar uma nova lógica de cidade, e no perspectivar uma estratégia.
Uma intervenção, onde, talvez, pela sua vontade politica de clarificar que o Barreiro é “um território com estratégia”, faltou o aprofundamento de algumas ideias e lançar pistas de ideias estratégicas que possam vir a ser conceptualizadas na Revisão do Plano Director Municipal.
Por exemplo, o conceito «concelho cidade» implícito no actual PDM, como vai ser equacionado no próximo PDM?
É que, de alguma forma, já começam a emergir algumas ideias estruturantes, ou seja, quando se foca o conceito « Barreiro - Cidade polinucleada», este, pode ser, de alguma forma, um salto qualitativo em relação ao actual PDM.
Por essa razão quem fala em “território com estratégia”, tem a obrigação de começar a clarificar estes conceitos, ou outros, fazendo emergir, na substância das intervenções, a tal intencionalidade política de clarificar novos «paradigmas».
Nota Positiva – 8
5. Miguel Amado – PSD
Uma intervenção que demonstrou no Barreiro há mais memória que aquela que limita todos os actos ao PS e ao PCP/CDU, recordando que o POLIS e o projecto do Arco Ribeirinho Sul tiveram a sua génese nos governos sociais democratas, com Isaltino Morais, enquanto Ministro das Cidades.
Um discurso que reconheceu as posições assertivas do actual executivo municipal, mas não deixou de apontar o dedo a lacunas.
Um discurso que não deixou de dar as suas ferroadas ao PS e ao PCP/CDU : criticando a ausência de «Avaliação Estratégica Ambiental» e a atitude discricionária do Governo em relação à nomeação do representante da autarquia no Hospital do Barreiro.
Nota Positiva – 7
6. Humberto Candeias – BE
Não é admissível que o trabalho de uma Assembleia Municipal se resuma às intervenções nas reuniões plenárias. Se assim é, de facto, é lamentável.
Uma proposta de realização de uma Sessão Solene da Assembleia Municipal do Barreiro Evocativa do 25 de Abril, até pode ser agendada de um dia para o outro, numa sessão de continuação…
Mas, se a Assembleia Municipal do Barreiro pretende promover uma sessão desta natureza de forma que, com este evento, motivar a comunidade a uma ligação com este órgão municipal, certamente, não é a uma semana da efeméride que se avança com uma proposta desta natureza.
Mas, o objectivo politico, certamente, não era criar condições para que este evento se realizasse, mas, obviamente, criar um facto politico e ser noticia.
Neste caso o objectivo foi atingido com sucesso.
Mas, lamentavelmente, este episódio vem demonstrar que a AMB não funciona nas suas Comissões, ou no Grupo de Líderes de bancadas, onde, certamente, uma proposta desta natureza deveria ser discutida e, depois, caso, existisse recusa da força maioritária, então, isso sim, era apresentada uma proposta em reunião plenária e, perante, uma reprovação, devia existir uma vontade política das forças minoritárias de agir, politicamente, em conformidade.
Pronto, está criado o facto político. E, mais grave, está demonstrado que os deputados municipais, ao longo do ano, encontram-se nas reuniões da AMB e o resto do ano estão de folga. Será?
Uma intervenção que serviu para animar e lançar farpas sobre a cultura democrática que prevalece na Assembleia Municipal. A CDU calou e consentiu, limitando-se a reprovar a proposta e a dizer que não era contra a ideia, quando, de facto, a questão política de fundo do BE era criticar a cultura democrática da força dominante no concelho.
Carlos Humberto, entrou muito bem e descascou, até às batatinhas, o discurso de Humberto Candeias, ao defender a honra politica do órgão Câmara Municipal do Barreiro.
Humberto Candeias, respondeu que o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, não o percebeu. Pois.
A verdade é que Carlos Humberto percebeu e muito bem, e, com muita serenidade, deu ao deputado do BE uma lição de democracia e de respeito pela democracia.
Nota Negativa – 4
7. Jorge Espírito Santo – Independente ( PCP/CDU)
Uma intervenção que pouco acrescentou aos factos. Se não ia votar sobre o assunto, também não precisava de efectuar intervenção.
Afinal, uma intervenção que deitou por terra, outra sua anterior intervenção, quando acusou o Ministro Correia de Campos de não o ter nomeado por questões relativas a conflitos do Ministério da Saúde com a Ordem dos Médicos, num processo em que, ele próprio, era protagonista e, por essa razão, estaria a ser perseguido.
Se a situação é igual em todo o país, então, o assunto deverá ser abordado noutra dimensão e, desde já, deveria ser realizada uma acção, ao nível nacional, por todas as autarquias envolvidas, tomando posição pública sobre esta matéria. Agitando a opinião pública – ou nomeiam os representantes ou mudam a legislação.
De resto, sem dúvida, o que está aqui em causa, sem dúvida, é o desrespeito pela autonomia do poder Local. O resto é mera guerra político-partidária.
Este era um bom tema para um programa PRÓS E CONTRAS: «O papel dos municípios mas políticas de Saúde local – adorno ou intervenção?»
Mas, Jorge Espírito Santo, nesta reunião não deu valor acrescentado, pelo contrário, alargou o âmbito do problema, que deixou de ser um problema do Barreiro, é um problema do país.
E, deixou de ser um problema pessoal… pois!
Nota Negativa – 4
8. Isidro Heitor – PS
Num tempo que na Europa se discute como prioridade o Estado Social e que, cada vez mais, se exige, como prioridade, para encontrar respostas à crise, que seja dinamizado o diálogo social, nesta reunião da AMB, o deputado socialista, Isidro Heitor, para contestar os considerandos críticos da moção do PCP/CDU, sobre o 1º de Maio, sem sugerir alterações, limita-se a referir – “cortem todos os considerandos”… mais papista que o Papa.
É que se, de facto o PCP/CDU tivesse optado por postura idêntica, nenhuma moção ou saudação era aprovada, porque, em todas elas há “farpas” discretas de critica ideológica. O PCP/CDU foi mais compreensivo politicamente.
Isidro Heitor queria reduzir a moção do PCP/CDU a cinzas, sem a discutir e sem criticar as diferenças ou propor alterações.
Nota negativa - 4
António Sousa Pereira













